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Cruzeiros · Indonésia

Kira Kira — um pequeno phinisi para mergulhar Raja Ampat sem pressa

O que torna este barco único

  • Cruzeiros de 11 dias e 10 noites ligam Waisai a Raja Ampat e regressam a Waisai.
  • O grupo é pequeno, com uma relação próxima entre tripulação e passageiros e grupos de mergulho de cerca de 1:4.
  • A bordo há cabines Twin e Double, convés de mergulho coberto, bote de apoio, kayaks e espaço separado para lavar câmaras.
  • A cozinha combina pratos indonésios e ocidentais, com opções vegetarianas e vegan.
  • A operação usa energia solar, limita plásticos descartáveis e privilegia alimentos locais.

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O convite

Kira Kira é para quem escolhe o recife antes do mármore. É um phinisi de madeira, pequeno o bastante para entrar em baías apertadas, trocar de plano quando mudam a maré e procurar recifes mais tranquilos longe dos barcos grandes. A viagem de Raja Ampat dura 11 dias e 10 noites: tempo suficiente para alternar estações de limpeza de mantas, paredes cheias de cardumes, jardins de coral e mergulhos lentos de procura. Não se vem encontrar um hotel flutuante nem um programa de festas. Vem-se mergulhar em grupos reduzidos, comer bem e passar dias inteiros entre água, madeira, ilhas calcárias e conversas no convés. A tripulação local conhece estas águas e muitos dos seus elementos ajudaram a construir os barcos da operação. É uma escolha forte para quem valoriza a forma como se mergulha — sem chamadas de gado, sem pressa na plataforma e com liberdade para adaptar o plano às condições.

Subir a bordo

A chegada faz-se a um phinisi de linhas baixas, construído à mão no sul de Sulawesi, onde a madeira não tenta parecer um acabamento de hotel. A construção tradicional dá ao barco uma presença simples e marítima; a renovação de 2023 ajuda a manter essa personalidade sem o deixar parado no tempo. Circula-se entre o salão interior, a zona de refeições ao ar livre, o convés de mergulho coberto e as áreas abertas para apanhar sol ou sombra. O único motor faz parte da banda sonora da navegação, mas a operação solar reduz o uso do gerador e o ruído durante as paragens. Há um bote de apoio para os mergulhos e kayaks para explorar a costa quando o barco fica fundeado. O espaço é pensado para um grupo pequeno, não para esconder muita gente num casco apertado. Ao segundo dia, já se sabe quem está a preparar a câmara, quem procura a sombra e quem vai ser o primeiro a entrar na água.

O ambiente a bordo

O ambiente nasce do tamanho do grupo. Com poucas pessoas a bordo, a tripulação deixa de ser uma equipa que passa ao fundo e torna-se parte do dia: recebe no regresso da água, acompanha a preparação do próximo mergulho, mantém o barco a funcionar e senta-se à mesa. A relação entre tripulação e passageiros é próxima, e os grupos pequenos deixam espaço para conversas reais, em vez de uma sequência de instruções e chamadas. A tripulação é local, fala indonésio e inglês, e muitos dos seus elementos ajudaram a construir os barcos e permanecem na operação há anos. Ao fim de uma semana, o convívio não precisa de ser forçado; nasce dos mergulhos, dos snacks depois da água, dos jantares e das histórias repetidas no convés. A noite pode acabar com música, vídeos ou dança, mas também pode acabar em silêncio, a ouvir a água junto ao casco.

Os locais onde se mergulha

A rota de Raja Ampat parte de Waisai, percorre Raja Ampat e regressa a Waisai em 11 dias e 10 noites. Manta Sandy é procurado pela estação de limpeza das raias manta. Em Cape Kri, cardumes de fusiliers, imperadores, barracudas, tubarões de recife e o mero-gigante concentram-se num recife de enorme biodiversidade; Blue Magic acrescenta wobbegongs, carangues gigantes, atuns-de-dentes-de-cão e mantas oceânicas no azul. Sardines vive de corrente, biomassa e predadores, enquanto Sorido Wall combina parede, fusiliers, barracudas e tubarões. Friwenbonda é uma encosta de corais moles, nudibrânquios e cavalos-marinhos-pigmeus. South Kri oferece deriva suave, macrovida, cardumes e caranguejos; Cape Mansuar pode trazer raias mobula no oceano aberto. Em Ransiwor, até -30 m, procuram-se tartarugas e fusiliers de dorso amarelo. Yenbuba Jetty, até -30 m, transforma um cais de madeira em recife, com cavalos-marinhos-pigmeus e peixes-cachimbo. Sawandarek tem águas rasas, pouco ou nenhum corrente e tartarugas verdes gigantes. Mios Kon, até -30 m, é uma procura de wobbegongs; Chicken Reef, também até -30 m, divide-se em quatro experiências de corrente e pode revelar cavalos-marinhos, moreias e peixe-escorpião. A seleção muda com maré, tempo e corrente.

O que se encontra debaixo de água

Nesta rota, o recife está quase sempre em movimento: fusiliers, nudibrânquios, barracudas, tubarões de recife, tartarugas, napoleões, carangues e cardumes de peixes de recife aparecem repetidamente em diferentes pontos. As raias manta são a razão de Manta Sandy, onde deslizam sobre uma estação de limpeza; em Blue Magic, as mantas oceânicas podem surgir no azul junto a cardumes, tubarões wobbegong e grandes carangues. A corrente explica boa parte do espetáculo: em Cape Kri concentra cardumes de fusiliers, imperadores e predadores, enquanto Sardines reúne papagaios-de-cabeça-bossa, carangues e tubarões de recife. Para procurar animais pequenos, South Kri oferece macrovida e Ransiwor pode revelar o polvo e o peixe-palhaço. Yenbuba Jetty é o ponto indicado para anthias, donzelas e peixe-papagaio, além dos cavalos-marinhos-pigmeus. Chicken Reef é o local específico para procurar cavalo-marinho, moreia, peixe-escorpião e peixe-cochereiro. Os encontros dependem das condições e do comportamento dos animais; é preciso mergulhar atento.

Quem vos põe na água

A equipa de mergulho trabalha em inglês e indonésio, com guias e instrutores certificados por PADI e SSI e formação em primeiros socorros. Os grupos são organizados de acordo com a capacidade, o conforto e a experiência de cada mergulhador; a referência operacional é de cerca de um profissional para quatro mergulhadores. O nível mínimo indicado é Advanced Open Water Diver ou equivalente, ou uma especialidade de mergulho profundo. Antes de cada entrada há um briefing sobre o relevo, a maré, a corrente e a vida que pode aparecer no local. Quem prefere uma rota mais protegida pode ser encaminhado para uma zona fácil; quem procura corrente e peixe grande recebe um plano compatível com essa escolha. O guia pode acompanhar o grupo durante o mergulho, enquanto os mergulhadores certificados podem mergulhar com o seu parceiro nos locais considerados adequados. Oxigénio, primeiros socorros, rádio e equipamento de segurança fazem parte da resposta a bordo.

O convés de mergulho e o equipamento

O convés de mergulho é coberto e tem uma plataforma própria para entrar na água e regressar a bordo. O Kira Kira leva cilindros, pesos, cintos e compressor; há adaptadores DIN, e o equipamento de aluguer pode ser pedido como extra. Não estão indicados o volume dos cilindros, o material de fabrico, a disponibilidade de nitrox nem as marcas do equipamento, por isso convém levar a configuração habitual quando isso for importante. Um único bote de apoio, equipado com motor Yamaha 40, acompanha os mergulhadores e faz a recolha na superfície. A operação descreve tenders que permanecem próximos do barco durante o mergulho, uma diferença importante em locais onde a corrente separa rapidamente um grupo da linha de subida. Há uma estação de carregamento e uma zona de enxaguamento separada para câmaras. O equipamento de snorkeling também está disponível, mas o seu aluguer é tratado à parte.

Entre dois mergulhos

Entre dois mergulhos, o Kira Kira oferece sobretudo espaço para fazer pouco. O convés de mergulho é coberto, por isso há sombra para tirar o equipamento, rever fotografias ou estender uma toalha sem ficar exposto ao sol equatorial. As áreas abertas servem para descansar durante a navegação, observar as ilhas e escolher entre sombra e sol. O espaço separado para lavar câmaras evita misturar pequenos objetos frágeis com o equipamento de todos. Quando o barco fica junto a uma baía ou a uma ilha calcária, os kayaks permitem sair da rotina do cilindro e explorar a superfície. Também há snorkeling, excursões terrestres e barbecue na praia conforme o local e as condições. Não é um barco que precise de inventar entretenimento a cada hora: depois de um mergulho bom, a melhor utilização do intervalo costuma ser comer qualquer coisa, secar o fato e deixar o corpo recuperar.

Um dia a bordo

O dia começa antes de o sol aquecer o convés. Primeiro vem o briefing, depois a preparação dos cilindros e a entrada pela plataforma ou pelo bote de apoio. O primeiro mergulho dá o tom: uma estação de limpeza, uma parede, um recife raso ou uma deriva escolhida pela maré. De volta a bordo, há comida, água, sombra e tempo para lavar o equipamento ou rever imagens antes do mergulho seguinte. O dia repete este ciclo com ajustes ditados pela corrente, pelo tempo e pela capacidade do grupo, sem horas rígidas inventadas onde elas não existem. Entre entradas na água, o barco navega para a próxima baía ou fica fundeado junto a uma ilha; os kayaks, a praia e as excursões terrestres quebram a sequência quando o itinerário permite. O jantar fecha o dia, muitas vezes ao ar livre. Um mergulho noturno pode acontecer se as condições forem adequadas, mas não é apresentado como parte fixa de todos os dias.

O que se come a bordo

A mesa é parte da recuperação, não um intervalo decorativo entre mergulhos. A cozinha alterna sabores indonésios com pratos ocidentais, serve refeições completas, snacks ao longo do dia, chá, café e água potável. Há opções vegetarianas e vegan, e o jantar pode ser servido ao ar livre; em certas paragens, a refeição ganha a forma de barbecue na praia. A comida recebe a nota mais alta entre os critérios avaliados, e isso faz sentido num barco onde se gastam quatro tanques de energia física por dia. O cozinheiro precisa de alimentar mergulhadores com fome verdadeira, não apenas montar um prato bonito. O resultado procurado é variedade, porções generosas e comida acabada de fazer, com ingredientes locais quando possível. O jantar também é o momento em que o grupo deixa de falar só de profundidades, correntes e animais: a mesa junta toda a gente antes da noite cair.

As noites no mar

As noites são simples e funcionais, com o mar mais presente do que qualquer decoração. As cabines ficam no convés inferior, têm vigias e ventilação natural, e existem nas versões Twin e Double. As camas são largas, há armários para malas e equipamento, espaço para roupa e prateleiras onde cabem livros, computadores ou câmaras pequenas. As duas casas de banho são partilhadas. Depois do jantar, o barco abranda a vida: uma cerveja no convés, um livro da pequena biblioteca, imagens ou música no salão e conversas que continuam até alguém começar a bocejar. A luz baixa e o casco a trabalhar lembram que se dorme num barco de madeira, não num quarto em terra. Para quem aceita conforto sem luxo, a cabine cumpre o que interessa: guardar as coisas, ventilar bem e permitir que se descanse entre um dia de corrente e o seguinte.

Camarote twin

Camarote duplo

O que é preciso saber antes de embarcar

O embarque é feito às 11h em Waisai, e o regresso ao porto acontece a meio da manhã. Para chegar a Waisai, muitos viajantes passam primeiro por Sorong e usam o ferry rápido; os horários desse ferry podem mudar. As transferências de aeroporto e hotel não estão incluídas, pelo que cada passageiro organiza o transporte até ao porto e depois do desembarque, salvo acordo separado. É aconselhável chegar à região pelo menos um dia antes do cruzeiro, para absorver possíveis atrasos nas ligações domésticas.

O que o barco faz pelo oceano

O Kira Kira usa sistemas de energia solar para reduzir o funcionamento do gerador, o consumo de combustível e o ruído durante as paragens. A operação limita o uso de plásticos descartáveis e compra alimentos localmente. O barco trabalha dentro das regras dos parques marinhos e apoia comunidades locais através das taxas de aldeia e da relação com os destinos visitados. São ações simples, mas coerentes com um barco pequeno que procura reduzir o impacto de cada viagem.

Ano de construção
2014
Ano de renovação
2023
Comprimento
22 m
Boca
4,5 m
Número máximo de passageiros
10
Número de cabines
5
Número de casas de banho
2
Motores
1 × Mitsubishi 6d-16
Velocidade de cruzeiro
8
Botes de apoio
1 × Yamaha 40
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