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Cavalo-marinho

Hippocampus

O único animal do mundo em que o macho engravida.

Cavalo-marinho (Hippocampus)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Syngnathiformes, família dos Syngnathidae
Nome científicoHippocampus (Rafinesque, 1810) — 46 espécies reconhecidas
TamanhoDe 1,5 cm (H. denise) a 35 cm (H. abdominalis) consoante a espécie
PesoDe menos de 1 g a cerca de 30 g
Velocidade~1,5 m/h — o peixe mais lento do oceano
Longevidade1 a 5 anos consoante a espécie
Profundidade1 a 80 m, mais frequentemente entre 5 e 25 m
DietaCarnívoro — pequenos crustáceos (copépodes, misidáceos), larvas de peixe, zooplâncton
Estatuto IUCNVulnerável (VU) para numerosas espécies — várias classificadas Em perigo (EN)

RETRATO

Nunca se vê primeiro. É preciso procurá-lo, abrandar, ajustar o olhar. E depois ele está ali, agarrado a um ramo de gorgónia ou a um caule de erva marinha, direito como um pequeno cavaleiro, a cauda enrolada na sua âncora vegetal — e compreende-se de golpe por que razão os gregos lhe chamaram hippokampos, o cavalo curvado do mar.

O cavalo-marinho é um peixe. Isto surpreende sempre à primeira vez que se aprende, de tal modo a sua figura — cabeça de cavalo, cauda preênsil, nado vertical, armadura óssea — o distingue de tudo o que possui barbatanas. Possui no entanto brânquias, uma bexiga natatória e uma barbatana dorsal que bate até 35 vezes por segundo para o propulsionar na água. O resultado é o peixe mais lento do oceano: Hippocampus zosterae, o cavalo-marinho-anão, detém o recorde Guinness do nado mais lento alguma vez medido num peixe, a cerca de 1,5 metro por hora.

Mas a lentidão do cavalo-marinho não é uma fraqueza — é uma estratégia. O animal não persegue as suas presas: aspira-as. O seu focinho alongado em forma de tubo funciona como uma pipeta de depressão. Quando um copépode passa ao alcance, o cavalo-marinho desencadeia uma das aspirações mais rápidas do reino animal — menos de um milissegundo — e engole a presa com uma taxa de sucesso superior a 90 %. A discordância entre esta lentidão aparente e esta precisão fulminante é uma das primeiras coisas que marca o mergulhador paciente.

COMO RECONHECÊ-LO

O cavalo-marinho não se confunde com nada — desde que se consiga encontrá-lo. A sua silhueta vertical é única entre os peixes: cabeça fletida em ângulo reto em relação ao corpo, focinho tubular, olhos protuberantes móveis independentemente um do outro, corpo rígido coberto de placas ósseas formando anéis, cauda longa e preênsil desprovida de barbatana caudal. É o único peixe cuja cauda não possui barbatana.

O nado é vertical, propulsionado pela barbatana dorsal (vibrações rápidas) e orientado por duas pequenas barbatanas peitorais translúcidas situadas atrás dos opérculos. É um movimento sacudido, quase imóvel, que se assemelha mais a um voo estacionário de inseto do que a um nado de peixe.

O tamanho varia enormemente consoante a espécie. O cavalo-marinho-pigmeu (H. bargibanti), estrela da macrofotografia, mede menos de 2 cm e vive exclusivamente nas gorgónias do género Muricella, cuja cor e textura reproduz ao ponto de ser literalmente invisível. No outro extremo do espectro, o cavalo-marinho-de-barriga-grande (H. abdominalis) atinge 35 cm e deixa-se observar muito mais facilmente nas águas temperadas da Austrália e da Nova Zelândia.

Para o localizar, o guia local é frequentemente indispensável. Os cavalos-marinhos mantêm um território de poucos metros quadrados e regressam ao mesmo ponto de ancoragem dia após dia. Um guia que conheça os seus sítios sabe exatamente em que gorgónia, em que coral mole ou em que bouquet de ervas marinhas procurar. Sem ele, pode-se passar vinte minutos com o nariz no recife sem ver nada — e é normal.

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MODO DE VIDA

O cavalo-marinho é monógamo — ou, mais exatamente, forma casais estáveis que se reforçam por um ritual diário. Todas as manhãs, o macho e a fêmea reencontram-se, mudam de cor, entrelaçam as caudas e nadam lado a lado durante vários minutos antes de se separarem para o dia. Esta dança de saudação permite aos parceiros sincronizar os seus ciclos reprodutivos. Se um dos dois desaparece, o sobrevivente permanece inativo durante dias ou semanas antes de procurar um novo parceiro.

Mas é a reprodução que torna o cavalo-marinho único no reino animal. Em nenhuma outra espécie conhecida o macho carrega as crias. A fêmea deposita os seus ovos numa bolsa ventral do macho — a bolsa incubadora — por intermédio de um ovipositor. O macho fecunda os ovos na bolsa e incuba-os durante duas a quatro semanas. A bolsa é vascularizada: fornece oxigénio, regula a salinidade e alimenta parcialmente os embriões. O macho controla mesmo a composição química do líquido da bolsa, que evolui progressivamente para se aproximar da água do mar — preparando as crias para a vida em meio aberto.

O «nascimento» é espetacular. O macho contrai-se por espasmos durante horas, por vezes uma noite inteira, e expulsa de algumas dezenas a mais de 1 500 jovens perfeitamente formados, miniaturas do adulto, que nadam imediatamente de forma autónoma. Nenhum cuidado parental após o parto: os juvenis são entregues a si próprios no plâncton, e a taxa de sobrevivência é muito baixa — menos de 1 % na maioria das espécies. O macho, por seu lado, pode estar de novo gestante nas horas seguintes.

O cavalo-marinho é um predador de emboscada. Agarrado pela cauda a um suporte fixo — gorgónia, alga, erva marinha, corda, até detritos — espera que uma presa passe ao alcance do seu focinho. Os seus dois olhos, capazes de movimentos independentes como os de um camaleão, perscrutam duas direções ao mesmo tempo sem que o corpo se mova. E esta imobilidade que torna a deteção tão eficaz — e a observação tão gratificante para o mergulhador com paciência de ficar.

ONDE OBSERVÁ-LO

O cavalo-marinho está presente em todos os mares temperados e tropicais do globo, dos prados de ervas marinhas do Mediterrâneo aos recifes de coral do Sudeste Asiático. É discreto em toda a parte, mas certos destinos concentram as observações ao ponto de fazerem dele um objetivo de mergulho por direito próprio.

Indonésia — estreito de Lembeh. O sítio de referência mundial para a macrofotografia subaquática é também o paraíso do cavalo-marinho. Os fundos vulcânicos de areia negra abrigam pelo menos cinco espécies, incluindo o cavalo-marinho-pigmeu (H. bargibanti) nas gorgónias e o cavalo-marinho de Pontoh (H. pontohi), minúsculo e translúcido. Os guias locais, especializados na deteção do muito pequeno, estão entre os melhores do mundo. Mergulhos a pouca profundidade (5-25 m), corrente fraca, visibilidade variável.

FilipinasAnilao. A «capital da macro» filipina oferece uma densidade notável de cavalos-marinhos em sítios acessíveis. O cavalo-marinho-pigmeu H. bargibanti está presente em várias gorgónias do setor, e H. denise, um dos menores cavalos-marinhos conhecidos (1,5 cm), é ali regularmente observado. Os sítios de Beatrice, Secret Bay e Basura são clássicos. Anilao mergulha-se durante todo o ano, com melhor visibilidade de novembro a maio.

IndonésiaKomodo. O parque nacional de Komodo, conhecido pelas suas correntes e as suas raias-manta, abriga também uma população de cavalos-marinhos-pigmeus nas gorgónias dos sítios abrigados. Os mergulhos macro em Batu Bolong, Tatawa Besar ou Siaba permitem combinar a procura de cavalos-marinhos com uma biodiversidade de recife excecional.

Mar VermelhoEgito. O cavalo-marinho-de-focinho-curto (H. hippocampus) e o cavalo-marinho-fimbriado (H. histrix) estão presentes nos prados de ervas marinhas pouco profundos e nos recifes do golfo de Aqaba e da costa sul egípcia. As observações, menos frequentes do que no Sudeste Asiático, recompensam o mergulhador paciente — nomeadamente nas estações de detritos e areia em torno de Dahab e Nuweiba.

Mediterrâneo — Portugal, Espanha, Croácia. Duas espécies de cavalos-marinhos vivem no Mediterrâneo: o cavalo-marinho-malhado (H. guttulatus) e o cavalo-marinho-de-focinho-curto (H. hippocampus). Encontram-se nos prados de posidonia, nas lagoas e nos portos. O estuário do Sado (Portugal), a ria Formosa (Portugal) e a costa dálmata (Croácia) são sítios conhecidos. Mergulhos acessíveis, pouca profundidade (2-12 m), mas observação delicada — o animal é protegido e não deve em caso algum ser manipulado.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

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CONSERVAÇÃO

O género Hippocampus é um dos mais ameaçados entre os peixes marinhos. Das 46 espécies reconhecidas, uma dúzia está classificada como Vulnerável (VU) ou Em perigo (EN) na Lista Vermelha da IUCN, e muitas outras são classificadas como Dados insuficientes (DD) — o que, para um animal tão discreto, significa frequentemente que o declínio é real mas impossível de quantificar.

A ameaça principal é o comércio. Estima-se que todos os anos 25 milhões de cavalos-marinhos são capturados nos oceanos, sendo a imensa maioria destinada à medicina tradicional chinesa, que lhes atribui virtudes contra a asma, a impotência e as dores articulares — nenhuma destas propriedades tendo sido confirmada pela farmacologia moderna. O restante alimenta o mercado da aquariofilia e o comércio de curiosidades secas.

A segunda ameaça é a captura acessória. Os cavalos-marinhos são capturados aos milhões nos arrastos de camarão e nas redes de fundo, tanto em águas tropicais como temperadas. A sua fraca mobilidade e o seu habitat — prados marinhos, fundos móveis, recifes pouco profundos — tornam-nos particularmente vulneráveis a estes artes de pesca.

A destruição dos habitats agrava o quadro. Os prados de posidonia e de zostera, que abrigam a maioria das espécies temperadas, recuam sob o efeito da urbanização costeira, da poluição e da fundeação de embarcações. No Mediterrâneo, a regressão da posidonia está diretamente correlacionada com o declínio das populações de cavalos-marinhos.

Desde 2004, todas as espécies do género Hippocampus estão inscritas no Anexo II da CITES, o que faz dele o primeiro género de peixe marinho sujeito a uma regulamentação mundial do comércio. Na prática, o controlo permanece difícil: a maioria das capturas são artesanais, não declaradas, e transitam por circuitos informais.

O mergulhador responsável nunca toca num cavalo-marinho, não o desloca para a fotografia e limita o seu tempo de observação para não perturbar o animal. Um cavalo-marinho estressado fecha a cauda, muda de cor e deixa de se alimentar — sinais de que é preciso afastar-se imediatamente.

Organizações a apoiar:

  • Project Seahorse — o programa de referência mundial, fundado na Universidade da Columbia Britânica, na origem da inscrição na CITES
  • The Seahorse Trust — conservação e investigação, nomeadamente nas águas britânicas
  • iSeahorse — plataforma de ciência cidadã para assinalar observações de cavalos-marinhos em todo o mundo
  • PADI AWARE — programas de ciência cidadã e de proteção dos habitats marinhos

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. O macho não «transporta» os ovos — alimenta-os. A bolsa incubadora do macho não é um simples saco. É forrada de vasos sanguíneos que alimentam os embriões em oxigénio e nutrientes, exatamente como uma placenta de mamífero. O macho controla a salinidade do líquido amniótico, que passa progressivamente da composição do sangue à da água do mar, a fim de preparar os juvenis para o meio exterior. Durante muito tempo falou-se de «gravidez masculina» por metáfora — os biólogos confirmam hoje que o termo é biologicamente justificado.

2. Os seus olhos funcionam como os de um camaleão — mas é cego às cores. Cada olho do cavalo-marinho está montado num globo móvel e gira independentemente do outro, exatamente como no camaleão terrestre. O animal pode portanto vigiar um predador com um olho enquanto segue uma presa com o outro. Contudo, a sua retina possui apenas um tipo de cone: o cavalo-marinho vê o mundo em tonalidades de cinzento, e as mudanças de cor espetaculares que produz — amarelo, laranja, vermelho, negro — são destinadas aos seus congéneres, não a si próprio.

3. É o único peixe que tem pescoço. As vértebras cervicais do cavalo-marinho permitem-lhe fletir a cabeça para a frente e para baixo — um movimento impossível nos outros peixes, cuja cabeça está soldada ao corpo. Esta flexão é a chave do seu modo de caça: permite um ataque de mola, a cabeça pivotando brutalmente para a presa no momento da aspiração, com uma aceleração que ultrapassa 0,002 segundo. O ângulo da cabeça, combinado com o focinho tubular, faz do cavalo-marinho um dos predadores de emboscada mais eficazes do mundo marinho — apesar do seu tamanho derisório.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

O cavalo-marinho é o tema macro por excelência. O seu pequeno tamanho, a sua imobilidade relativa e a riqueza dos seus detalhes fazem dele um modelo ideal — desde que se domine algumas técnicas e, sobretudo, se respeite o animal.

Objetiva. Macro dedicada: 60 mm ou 100/105 mm em formato full frame, com ou sem lente de aproximação dioptre consoante o tamanho da espécie. Para os cavalos-marinhos-pigmeus (H. bargibanti, H. denise), o ratio 1:1 não basta — uma objetiva super-macro ou uma lente +10 dioptrias é indispensável para preencher o enquadramento com um tema de 15 mm. As compactas e os sistemas Micro 4/3 em modo super-macro dão excelentes resultados.

Luz. O flash é indispensável em macro. Dois flashs externos montados em braços articulados permitem uma iluminação modelada, com uma fonte principal e um fill. Potência no mínimo — o cavalo-marinho é sensível à luz, e disparos repetidos estressam-no. Limitar a 5-6 disparos por tema é uma regra de boa conduta adotada pela maioria dos guias de Lembeh e Anilao. Um snoot (concentrador de luz) permite isolar o tema sobre um fundo escuro — um resultado espetacular nos cavalos-marinhos-pigmeus agarrados à sua gorgónia.

Aproximação. Lenta, baixa, frontal ou a três quartos. O cavalo-marinho tolera uma presença próxima se não for assustado por movimentos bruscos. Instalar-se a 30-40 cm do tema, estabilizar a flutuabilidade e esperar que retome a sua atividade — aspiração de presas, movimento dos olhos, parada com o parceiro. As mais belas imagens vêm da paciência, não da perseguição.

Erro clássico. Tocar no animal ou no seu suporte para o reposicionar face à objetiva. É uma prática corrente e inaceitável. O cavalo-marinho deslocado por um mergulhador fica desorientado, estressado e vulnerável aos predadores. Um guia que manipule um cavalo-marinho para os seus clientes deve ser reportado — não imitado.

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