Cruzeiros · Portugal
Water And Wind — um catamarã açoriano para mergulho em pequenos grupos
O que torna este barco único
- Catamarã à vela pensado para liveaboards de mergulho, com no máximo oito passageiros.
- Quatro cabines duplas, todas com acesso próprio a uma casa de banho, e camas que podem ser separadas em duas individuais.
- Convés de mergulho com plataforma, zona sombreada, compressor, botes de apoio, adaptadores DIN e espaço separado para lavar câmaras.
- A tripulação junta competências de mergulho recreativo e técnico, manutenção de equipamento, navegação e cozinha.
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O convite
O Water And Wind é para quem prefere um barco pequeno, uma semana sem multidão e uma tripulação que conhece tanto o mar como o equipamento que leva para dentro dele. O limite de oito passageiros muda a viagem: os briefings não precisam de ser feitos para uma fila de mergulhadores, e é fácil perceber quem está a bordo antes do segundo dia. Este não é um navio de cruzeiro com mergulho acrescentado ao programa. É um catamarã à vela concebido para viver no mar, mergulhar nos Açores e deixar espaço para comer bem, descansar e navegar. Também pode ser reservado por um grupo privado, o que faz sentido para amigos, uma equipa de mergulho ou um programa de investigação. A licença local para observação de baleias e golfinhos acrescenta outra possibilidade ao tempo passado no Atlântico, sem tirar o mergulho do centro da viagem.
Subir a bordo
Ao chegar ao Water And Wind, a primeira diferença está na largura e na forma do catamarã: há dois cascos, espaços exteriores para estar e uma circulação mais aberta do que num monocasco estreito. O barco foi construído em 2016 e renovado em 2021; essa combinação aponta para uma embarcação ainda recente, mas já preparada para o uso real de uma operação de mergulho e de navegação. A vela grande e a genoa fazem parte da vida a bordo, embora os dois motores Volvo Penta também assegurem a deslocação quando é preciso. O convés não foi pensado apenas para atravessar o Atlântico: há lugar para equipamento, câmaras, refeições ao ar livre e descanso entre imersões. No interior, a cozinha tem três frigoríficos e dois congeladores, e as tomadas de 220 V e 12 V permitem carregar câmaras e outros aparelhos.
O ambiente a bordo
O ambiente é de grupo pequeno, com a tripulação a fazer muito mais do que conduzir o barco. Há quem trate da navegação, quem prepare a comida, quem acompanhe o snorkeling, quem organize stocks e limpezas e quem cuide do mergulho. Essa proximidade nota-se sobretudo num dia cheio: o mesmo rosto pode ajudar com uma questão de equipamento, orientar uma entrada na água e aparecer depois na cozinha. A equipa trabalha em várias línguas — inglês, neerlandês, alemão, francês, espanhol e português — e reúne pessoas locais e internacionais. À noite, a vida não precisa de um programa para acontecer. O jantar, as imagens descarregadas das câmaras e a conversa sobre a parede ou a gruta do dia bastam. Quem procura um barco grande, com anonimato e muitas áreas separadas, encontrará aqui o contrário: poucos passageiros e pouca distância entre todos.
Os locais onde se mergulha
As partidas registadas seguem uma rota de oito dias e sete noites, com saída e regresso a Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, Açores. Há, porém, uma distinção importante: os locais de mergulho descritos para este barco ficam na Madeira, enquanto as próximas partidas indicadas seguem a rota dos Açores. No Ilhéu de Porto Moniz, o mergulho costeiro desce entre 6 e 25 metros e presta-se a uma exploração tranquila. A Garajau Wall é uma parede vulcânica que começa nos 5 metros e chega aos 30, com garoupas gigantes e a vida protegida da reserva marinha. A Cave é uma gruta rasa e abrigada, com máximo de 10 metros, adequada a quem está a começar nestes ambientes. No Blue Hole, uma gruta de 20 metros conduz a uma saída azul e a um fundo arenoso a 19 metros. A Parede do Sardinha desce até aos 40 metros, com coral negro e raias.
O que se encontra debaixo de água
A atração destes mergulhos está no contraste entre a rocha vulcânica, as grutas e as paredes abertas. Na Garajau Wall, a parede pode trazer garoupas, moreias, cardumes de salemas, labros, peixes-papagaio, xaréus e ratões; é também o local indicado para procurar barracudas, meros, tartarugas-marinhas, labros e polvos. No Blue Hole, vale a pena olhar para a saída e para o fundo arenoso: podem aparecer peixes-trompeta, peixes-escorpião, moreias, lagostas e cardumes de sargos. É ali que estão assinalados tartarugas-de-mar, congros, caranguejos, douradas, lagostas e peixes-escorpião. Na Parede do Sardinha, a procura faz-se junto ao relevo vertical, onde estão registados coral negro, raias e raias-águia. A Cave e o Ilhéu de Porto Moniz favorecem uma progressão calma, mas não têm fauna específica registada nesta seleção.
Quem vos põe na água
A equipa de mergulho reúne instrutores e formadores de várias agências, entre elas SSI, PADI, SDI/TDI, CMAS, DDI e DAN. Há competências recreativas e técnicas, manutenção certificada de equipamento, operação de câmara hiperbárica e formação em segurança no trabalho. Carlos Paulos é capitão e instrutor recreativo e técnico; João Gaspar dirige tecnicamente a formação de mergulho; João Pedro Freire é instrutor desde 1993 e tem experiência em mergulho recreativo e técnico. Marta Dias é patrão local e instrutora SSI. A tripulação fala inglês, neerlandês, alemão, francês, espanhol e português. Os briefings e a divisão dos grupos são feitos a bordo, mas não é indicado um rácio fixo entre guias e mergulhadores nem um número mínimo de mergulhos registados. Para emergências, há oxigénio, kits de primeiros socorros, rádio VHF, EPIRB, coletes, jangada e equipamento de segurança marítima; não é indicada a presença de desfibrilhador.
O convés de mergulho e o equipamento
O convés de mergulho tem plataforma de entrada na água, uma zona sombreada, bacias de lavagem e um duche exterior. O regresso faz-se por uma estrutura pensada para mergulhadores, com escadas para sair da água e um bote de apoio para os percursos em que o grupo não regressa diretamente ao casco. Há um bote de apoio, além do compressor e do equipamento de mergulho a bordo. Encontram-se adaptadores DIN, espaço separado para lavar câmaras e condições para mergulho técnico, sidemount e rebreather. O equipamento de aluguer está disponível como extra, mas não são especificados neste registo os volumes dos cilindros, o material disponível por marca, o tipo de compressor, o enchimento nitrox ou a existência de boias de sinalização. Também não é indicado um sistema de nitrox. O barco dispõe de estações de carregamento, úteis para lanternas, computadores e equipamento fotográfico.
Entre dois mergulhos
Entre dois mergulhos, o barco oferece duas formas de parar: deitado ao sol num dos espaços exteriores ou recolhido à sombra da zona de mergulho. O catamarã navega à vela quando as condições e o programa o permitem, e o convés de observação serve tanto para procurar a linha da costa como para simplesmente deixar o corpo recuperar. As escadas de banho e o equipamento de snorkeling abrem espaço para quem quer entrar na água sem montar um conjunto completo de mergulho. Há ainda uma área própria para fotografias, uma biblioteca, salão interior e refeições ao ar livre. Para acompanhantes que não mergulham, o programa pode incluir snorkeling e observação de cetáceos; o barco aceita também não mergulhadores. O intervalo não é preenchido com animação obrigatória. É tempo para secar o fato, tratar das câmaras, conversar ou ficar calado.
Um dia a bordo
Um dia a bordo começa por preparar o corpo e o equipamento para o primeiro briefing, não por correr para uma sala de pequeno-almoço. Depois vêm a entrada na água, o regresso à plataforma, o duche e uma refeição antes de voltar a montar o conjunto. Entre mergulhos, os cilindros ficam no convés, as câmaras passam pela lavagem separada e o grupo escolhe entre sombra, sol, salão ou uma pausa na navegação. O programa não fixa aqui horas para acordar, refeições ou imersões, por isso o ritmo deve ser lido pela ordem das coisas: briefing, mergulho, recuperação, comida e nova preparação. Quando há deslocação entre locais, o barco aproveita o tempo para navegar; quando o programa permite, pode haver mergulho noturno mediante suplemento. Ao fim do dia, o convés abranda, as imagens começam a ser revistas e cada um acaba por encontrar o seu lugar antes de descer à cabine.
O que se come a bordo
A mesa é tratada como parte do cruzeiro, não como uma pausa rápida entre cilindros. A pensão completa cobre as refeições, com cozinha portuguesa, pratos locais e opções ocidentais, incluindo alternativas vegetarianas. Marta Dias é a chef do catamarã, além de instrutora SSI e responsável por parte da organização a bordo. Há pequenos lanches ao longo do dia, importantes quando o intervalo entre mergulhos é curto e o corpo ainda está a recuperar do anterior. As bebidas sem álcool, água, chá e café acompanham a rotina; cerveja e vinho estão disponíveis, mas as bebidas alcoólicas ficam fora do pacote base. Quando o tempo permite, o jantar é servido ao ar livre. Numa semana de mergulho, uma refeição quente e bem pensada vale mais do que uma sala sofisticada: devolve energia e dá ao grupo um lugar para rever o que encontrou debaixo de água.
As noites no mar
As noites são passadas em cabines duplas, com janela standard e vista para o mar. Cada cabine tem acesso próprio a uma casa de banho; essa casa de banho também é utilizada pelo capitão, pelo cozinheiro e pelo instrutor, mas existe uma entrada exterior que evita a passagem da tripulação pela cabine. É um detalhe simples, mas importante quando quatro cabines partilham a vida com uma equipa de bordo. As camas podem ser separadas em duas individuais, mediante pedido, por isso uma cabine não obriga dois amigos a dormir na mesma cama. O espaço é o de um catamarã de mergulho, não o de um hotel: o valor está em ter um lugar limpo para tomar banho, secar-se e fechar os olhos depois de um dia na água. O Wi-Fi é gratuito, mas limitado e inexistente em zonas offshore.
Camarotes duplos
O que é preciso saber antes de embarcar
O embarque e o regresso são feitos em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, nos Açores. O barco fica nessa ilha, e há voos diretos para os Açores a partir de várias cidades europeias, incluindo Porto, Lisboa, Londres, Madrid, Paris e Frankfurt. Não é indicado um serviço de transferência incluído nem a sua origem; essa logística deve ser combinada antes da viagem. Para evitar transformar um atraso de voo numa corrida até ao cais, chegar a São Miguel na véspera é a opção prudente.
Planta do barco
O que o barco faz pelo oceano
O catamarã combina energia solar com um gerador eólico e foi concebido para navegar de forma silenciosa e com menor dependência dos motores. Dispõe também de um dessalinizador para produzir água potável a bordo. Não são descritas outras medidas verificáveis sobre resíduos, águas residuais, fundeio ou participação direta em programas de conservação.
- Ano de construção
- 2016
- Ano de renovação
- 2021
- Comprimento
- 13,4 m
- Boca
- 7,5 m
- Número máximo de passageiros
- 8
- Número de cabines
- 4
- Número de casas de banho
- 4
- Motores
- 2 × 55 cv
- Velocidade de cruzeiro
- 6 nós
- Botes de apoio
- 1
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