Cruzeiros · Indonésia
Akomo Isseki — um phinisi pequeno, feito para mergulhar sem pressa
O que torna este barco único
- Leva no máximo oito passageiros, com quatro cabinas twin e uma relação próxima entre tripulação e mergulhadores.
- É um phinisi de madeira construído à mão em Sulawesi, com energia solar, convés de mergulho coberto e áreas amplas para descansar.
- Opera cruzeiros de 11 dias e 10 noites em Raja Ampat, além de rotas de oito dias e sete noites em Komodo.
- O mergulho é orientado para pequenos grupos, com rácio de 1:4, bote de apoio e guias certificados por SSI e PADI.
- As notas mais fortes estão na comida, na tripulação e no mergulho; o barco recebe uma avaliação inferior, coerente com um conforto simples e vivido.
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O convite
Escolhe-se o Akomo Isseki para mergulhar num grupo que continua pequeno de propósito. Oito passageiros mudam tudo: há menos bolhas no recife, menos espera no convés e espaço para adaptar o plano às correntes, às marés e ao nível do grupo. Este não é um barco para quem procura um hotel flutuante ou acabamentos de luxo. É um phinisi de madeira feito para chegar a baías remotas, ancorar longe dos barcos grandes e passar mais tempo debaixo de água. Em Raja Ampat, isso significa procurar mantas, tubarões, cardumes densos e vida macro no mesmo cruzeiro. A tripulação local conhece estas águas e muitos dos seus elementos ajudaram a construir os próprios barcos. O resultado é menos cerimónia e mais atenção ao que interessa: briefings claros, comida abundante, segurança e um convés onde ninguém é tratado como um número.
Subir a bordo
A chegada ao Akomo Isseki faz lembrar que se está a subir para um barco de trabalho, não para uma réplica polida de um hotel. A madeira tropical, o convés de jati e a construção tradicional do phinisi dão-lhe peso e textura; a estrutura baixa deixa o barco aberto ao mar e facilita a circulação entre a zona de mergulho, a sala e o espaço exterior. A energia solar alimenta os sistemas elétricos e reduz o uso do gerador, uma diferença que se nota sobretudo quando o barco está fundeado. Há um salão panorâmico, uma biblioteca pequena e zonas de descanso onde se vê a paisagem sem ficar fechado num corredor. O Akomo foi lançado em 2018, mas a sua identidade vem de técnicas antigas de construção em madeira. É um barco compacto, de linhas tradicionais, com espaço suficiente para oito pessoas se espalharem sem transformar cada passagem numa manobra.
O ambiente a bordo
O ambiente forma-se depressa porque oito passageiros não conseguem permanecer anónimos durante muitos dias. Come-se junto, mergulha-se em grupos pequenos e as conversas passam naturalmente da identificação de um nudibrânquio para o jantar, a navegação ou a próxima entrada na água. A tripulação participa na vida do barco em vez de desaparecer atrás de um serviço formal: o capitão, os guias, o cozinheiro e quem mantém as instalações estão presentes durante todo o dia. As avaliações confirmam onde está a força do Akomo: tripulação 9,6, comida 9,9 e mergulho 9,6, contra 8,5 para o barco. A leitura é clara. As cabinas e os acabamentos são simples, mas as pessoas compensam essa simplicidade com atenção, humor e uma organização que faz os passageiros sentirem que estão a viajar com a equipa, não apenas a ser transportados por ela.
Os locais onde se mergulha
Em Raja Ampat, a rota inclui locais que alternam corrente, parede, encosta de coral e águas abrigadas. Manta Sandy é uma estação de limpeza onde se procuram raias manta; Blue Magic concentra cardumes, tubarões wobbegong e mantas oceânicas no azul; Cape Kri destaca-se pela biodiversidade de peixes, com grandes escolas de imperadores e fusiliers, napoleões e tubarões de recife. Em Sardines, a corrente empurra uma massa de carangues, papagaios-de-cabeça-grande e tubarões de recife. Sorido Wall é uma parede vibrante com fusiliers, barracudas e tubarões; Friwenbonda combina corais moles, nudibrânquios, vermes planos e cavalos-marinhos-pigmeus. South Kri oferece macro-vida e cardumes numa corrente suave; Ransiwor é uma encosta até -30m, com tartarugas e fusiliers de dorso amarelo. Cape Mansuar é uma deriva onde podem aparecer raias mobula. Cross Over procura cardumes de papagaios-de-cabeça-grande e tubarões de ponta preta. Yenbuba Jetty, até -30m, usa a estrutura de madeira do cais como recife artificial em água calma. Sawandarek é raso e com pouca ou nenhuma corrente, com tartarugas verdes gigantes e xareus. Mios Kon chega a -30m e é procurado pelos wobbegongs camuflados; Chicken Reef, também até -30m, divide-se em quatro experiências, conforme a corrente e a vida de cada zona. Os cruzeiros registados incluem Waisai–Raja Ampat–Waisai, com 11 dias e 10 noites, e Ambon–Banda Neira–Misool–Waisai, com a mesma duração. Há ainda a rota Labuan Bajo–Komodo–Labuan Bajo, de oito dias e sete noites.
O que se encontra debaixo de água
Nesta rota, o espetáculo começa nos animais que reaparecem em muitos recifes: barracudas, fusiliers, carangues, tartarugas, napoleões, tubarões de recife, nudibrânquios, cavalos-marinhos-pigmeus e papagaios-de-cabeça-grande. As correntes explicam parte da abundância: em Cape Kri e Sardines juntam-se cardumes e predadores, enquanto Manta Sandy oferece a possibilidade de observar mantas numa estação de limpeza. No azul de Blue Magic podem convergir mantas oceânicas, atuns-de-dentes-de-cão, barracudas e carangues gigantes. A procura de animais pequenos muda de local: South Kri é o ponto indicado para o caranguejo; Ransiwor para o polvo e o peixe-palhaço; Yenbuba Jetty para anthias, donzelas e peixe-papagaio; Chicken Reef para cavalo-marinho, moreia, peixe-escorpião e peixe-cochero. Em Mios Kon, o wobbegong pode estar perfeitamente escondido no recife. Estes encontros dependem das condições e do olhar do mergulhador, não de uma promessa de catálogo.
Quem vos põe na água
Os grupos são organizados de acordo com a experiência, o conforto e a capacidade de cada mergulhador, com um rácio indicado de um profissional para quatro clientes. A equipa inclui guias e instrutores certificados por SSI e PADI, fala inglês e conhece as correntes, marés, topografia e vida marinha das águas indonésias. Antes de cada entrada há um briefing detalhado sobre o percurso, as condições esperadas, a corrente e os animais que podem aparecer. Quem preferir uma rota mais protegida pode ser levado para uma alternativa adequada; quem tiver experiência para enfrentar a corrente recebe uma orientação diferente. O nível mínimo exigido é Advanced Open Water Diver ou equivalente, ou uma especialidade Deep. A segurança inclui supervisão formada em primeiros socorros, oxigénio, kits de primeiros socorros, rádio VHF/DSC/SSB, GPS, sonar, radiobaliza, coletes, botes salva-vidas e sinalizadores. Não é indicado um número mínimo de mergulhos registados nem formação específica a bordo.
O convés de mergulho e o equipamento
O convés de mergulho é coberto e tem uma plataforma de entrada na água, com cilindros, pesos e cintos disponíveis para o programa de mergulho. Existem adaptadores DIN, compressor Coltri Sub e equipamento de aluguer mediante pedido antecipado; o cilindro pode ser preparado para DIN quando necessário, mas não é indicado o volume nem se é de aço ou alumínio. O barco leva um bote de apoio para acompanhar os mergulhadores aos locais e recolhê-los depois da subida, enquanto o Akomo permanece próximo. Há espaço separado para lavar câmaras, estações de carregamento e equipamento de snorkeling. O oxigénio e os primeiros socorros fazem parte do equipamento de emergência. Não há indicação de nitrox, de duche quente no regresso, de marcas de equipamento de aluguer, de tanques de lavagem separados para material de mergulho ou de uma mesa fotográfica específica; esses detalhes não devem ser presumidos.
Entre dois mergulhos
Entre dois mergulhos, o Akomo oferece lugares onde se pode simplesmente ficar. O convés coberto protege do sol quando o corpo ainda está a libertar o frio da água; a área exterior serve para secar, ler ou acompanhar a navegação pelas ilhas. Quem prefere movimento pode sair de caiaque para explorar lagoas, canais de calcário e baías pouco profundas, ou participar numa excursão em terra. Há um espaço dedicado à fotografia e uma zona de lavagem separada para câmaras, o que permite tratar o equipamento sem ocupar a área comum. Uma tarde sem mergulho pode acabar numa praia com churrasco ou num passeio pela paisagem. O barco não tenta preencher cada intervalo com animação. Deixa espaço para o mar fazer parte da viagem.
Um dia a bordo
Um dia a bordo começa com o briefing antes da primeira entrada na água. O grupo prepara o equipamento no convés, segue no bote até ao recife e regressa ao Akomo para comer, beber e recuperar enquanto a equipa reorganiza o material. Entre os mergulhos há tempo para sombra, fotografia, conversa ou simplesmente olhar para as ilhas durante a navegação. A refeição seguinte chega antes de o corpo pedir outra pausa, e o ciclo repete-se com grupos ajustados à experiência e às condições do local. Em Raja Ampat, o dia pode passar de uma estação de limpeza de mantas para uma encosta de macro-vida e terminar numa baía protegida. Um mergulho noturno pode ser feito quando as condições permitem. Ao fim do dia, o jantar reúne todos no salão ou ao ar livre; depois ficam as cartas, os vídeos, a biblioteca e o som da água no casco.
O que se come a bordo
A cozinha é uma parte central da viagem, não uma pausa entre mergulhos. O cozinheiro prepara refeições indonésias e ocidentais, servidas em formato buffet ou à la carte, com opções vegetarianas e vegan. Há refeições completas ao longo do dia, pão fresco, café, chá e snacks disponíveis entre elas; também pode haver jantar ao ar livre e churrasco na praia quando o local e as condições permitem. A comida recebe a nota mais alta entre os critérios avaliados, e isso faz diferença numa semana de mergulho: o prato chega quando se regressa da água, há variedade suficiente para não cansar e ninguém precisa de escolher entre comer depressa ou perder o intervalo de descanso. A mesa reúne o grupo e dá ao dia uma cadência prática: recuperar, conversar, voltar ao convés e preparar o mergulho seguinte.
As noites no mar
As noites são simples e confortáveis, com o tipo de silêncio que um sistema alimentado por energia solar ajuda a preservar quando o barco está ancorado. As quatro cabinas twin têm camas grandes, vigia, ventilação natural e espaço para malas, roupa, equipamento de mergulho, livros e câmaras. Não são suites: o conforto está na arrumação, na cama e na possibilidade de abrir o dia com o mar à frente, não em casas de banho privadas ou acabamentos luxuosos. As cabinas pertencem à categoria Standard Cabins e podem ser arrumadas diariamente; toalhas e lençóis são mudados a pedido. Há três casas de banho partilhadas. Depois do jantar, alguns passageiros ficam no salão panorâmico, outros levam uma cerveja para o convés e a noite acaba entre cartas, conversa e o som da água junto ao casco.
Camarotes standard
O que é preciso saber antes de embarcar
A rota de Komodo parte e regressa a Labuan Bajo; os cruzeiros de Raja Ampat partem e regressam a Waisai, enquanto a travessia Ambon–Banda Neira–Misool–Waisai começa em Ambon e termina em Waisai. O embarque está indicado para as 11h e o regresso ao porto acontece a meio da manhã. As transferências de aeroporto e hotel são opcionais e não estão incluídas; em Raja Ampat, é preciso chegar primeiro a Sorong e seguir de barco rápido para Waisai. É prudente chegar pelo menos um dia antes do cruzeiro.
O que o barco faz pelo oceano
O Akomo Isseki usa sistemas de energia solar para reduzir o funcionamento do gerador, o consumo de combustível e o ruído durante a operação. A bordo, o uso de plásticos descartáveis é limitado e a cozinha privilegia alimentos de origem local. A operação segue as regras dos parques marinhos indonésios e apoia comunidades locais através das taxas e atividades nas aldeias. A tripulação é local e mantém a operação diária do barco, mas não há indicação de um programa próprio de monitorização de recifes, tratamento de águas residuais ou formação ambiental específica.
- Ano de construção
- 2018
- Comprimento
- 27 m
- Boca
- 6 m
- Número máximo de passageiros
- 8
- Número de cabines
- 4
- Número de casas de banho
- 3
- Motores
- Mitsubishi
- Velocidade de cruzeiro
- 6 nós
- Botes de apoio
- 1
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