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Orca

Orcinus orca

O maior golfinho do mundo nunca matou um ser humano em estado selvagem — e é o único predador conhecido do grande tubarão-branco.

Orca (Orcinus orca)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Artiodáctilos (infraordem dos Cetáceos), família dos Delfinídeos
Nome científicoOrcinus orca (Linnaeus, 1758)
TamanhoAté 9,8 m no macho (média observada: 6-8 m; fêmeas mais pequenas, 5-7 m)
PesoAté 6 600 kg no macho
VelocidadeAté 56 km/h em ponta
Longevidade50-80 anos (as fêmeas vivem consideravelmente mais do que os machos, até 90 anos em certos indivíduos documentados)
ProfundidadeSuperfície até 200 m em uso corrente, mergulhos excecionais para lá de 500 m
DietaSuperpredador generalista — peixes, otárias, focas, golfinhos, tubarões, outros cetáceos, pinguins, cefalópodes — o menu varia radicalmente consoante o ecótipo
Estatuto IUCNDados insuficientes (DD) — a espécie esconde provavelmente várias espécies ou subespécies distintas, sendo algumas populações locais gravemente ameaçadas

RETRATO

Ela não se esconde. Uma dorsal negra de dois metros que rasga a superfície, uma respiração que estala como um trovão, uma silhueta a preto e branco que nenhum outro animal marinho pode usurpar: a orca é um dos raros gigantes do oceano que se anuncia antes de chegar. E, no entanto, apesar daquele nome que evoca o terror — killer whale, a baleia assassina — nenhum ataque mortal de orca selvagem a um ser humano foi alguma vez documentado com certeza. O folclore deve-lhe muito; os factos, quase nada.

Orcinus orca não é, aliás, uma baleia. É um golfinho — o maior de todos os Delfinídeos, uma família que inclui também os roazes e os golfinhos-comuns. Este parentesco explica a sua inteligência social espetacular, as suas capacidades de ecolocalização finas e uma organização em grupos familiares de uma estabilidade que poucas espécies marinhas igualam. Debaixo de água ou desde um barco, o encontro tem algo de eletrizante: a orca observa tanto quanto é observada, e faz questão de o mostrar.

Pois é precisamente isso que distingue a orca de qualquer outro predador marinho: ela caça em equipa, com táticas transmitidas de geração em geração e próprias de cada população. Certas orcas da Antártica coordenam-se para criar uma onda que arranca uma foca do seu bloco de gelo. Certas orcas da Nova Zelândia perseguem raias em águas de poucos metros de profundidade. Certas orcas da África do Sul extraem cirurgicamente o fígado de um grande tubarão-branco, deixando a carcaça praticamente intacta. Um só animal, dezenas de culturas de caça — é talvez o aspeto mais vertiginoso da espécie.

COMO RECONHECÊ-LA

A orca não se confunde com nada. O seu padrão preto e branco — dorso negro, ventre branco, mancha ocular oval acima do olho, sela cinzenta atrás da dorsal — é um dos motivos mais reconhecíveis do reino animal. A forma e a inclinação dessa sela e da dorsal são únicas em cada indivíduo: é a base de toda a fotoidentificação das populações, método que permitiu seguir certos indivíduos durante mais de cinquenta anos.

A dorsal em si é o ponto de referência mais rápido no mar. No macho adulto, é alta, triangular, quase direita — até 1,8 m, a mais alta de todo o reino animal. Na fêmea e nos juvenis, é mais pequena e nitidamente curvada para trás, em forma de foice. Um grupo que mistura várias dorsais masculinas altas assinala geralmente um ecótipo que caça presas de alto valor — focas, outros cetáceos.

Debaixo de água, o tamanho impressiona tanto como o contraste. Um macho de 8 metros desloca um volume próximo do de um autocarro, mas nada com uma facilidade e uma precisão que nada têm a ver com a pesadez aparente do grande tubarão-branco ou do tubarão-baleia. As barbatanas peitorais, largas e arredondadas — quase paletas —, permitem viragens de uma brutalidade inesperada para um animal desta massa.

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MODO DE VIDA

A orca vive em sociedade matriarcal. O núcleo do grupo, o pod, constrói-se em torno de uma fêmea idosa e da sua descendência ao longo de várias gerações — filhos e filhas permanecem frequentemente junto da mãe durante toda a vida, uma estrutura social excecionalmente estável entre os mamíferos marinhos. E é a avó, não o macho dominante, que dirige os deslocamentos do grupo: ela sabe onde encontrar alimento nos anos difíceis, e a sua experiência vale mais do que a força.

O que torna cada população ainda mais surpreendente: os seus dialetos vocais. Cada pod possui um repertório de chamamentos próprio, transmitido culturalmente de mãe para cria, e suficientemente distinto para identificar a pertença de um indivíduo ao ouvido — uma assinatura acústica comparável, guardadas as devidas proporções, a um sotaque regional humano. Populações que se cruzam nas mesmas águas, alimentando-se de presas diferentes (peixes contra mamíferos marinhos), nunca se misturam e não partilham os seus dialetos, apesar de décadas de coabitação geográfica.

A reprodução é lenta. A gestação dura 15 a 18 meses, para uma única cria, excecionalmente duas. O intervalo entre nascimentos é de 3 a 10 anos. E a orca partilha com o ser humano, algumas baleias e raras outras espécies um traço extremamente raro no reino animal: a menopausa. As fêmeas deixam de se reproduzir por volta dos 35-40 anos mas podem viver ainda várias décadas, dedicando essa longevidade pós-reprodutiva a guiar o grupo e a transmitir os saberes de caça às gerações mais jovens — a «hipótese da avó», documentada nomeadamente nas orcas residentes do Pacífico Nordeste.

ONDE OBSERVÁ-LA

A orca frequenta todos os oceanos do globo, dos polos aos trópicos — é um dos mamíferos com distribuição mais ampla do planeta. O encontro faz-se quase sempre à superfície, em snorkeling ou desde um barco: a velocidade e a imprevisibilidade do animal tornam o mergulho com garrafa raramente praticável, e os melhores destinos organizam a observação em conformidade.

Noruega — Tromsø e os fiordes do Norte (Skjervøy, Kvænangen). Em cada inverno, imensos cardumes de arenques sobem para invernar nos fiordes do norte da Noruega, seguidos por centenas de orcas e baleias-jubarte. As excursões de barco permitem aproximar-se ao máximo, e o snorkeling em fato estanque — a água ronda os 4-6 °C — oferece encontros no meio dos próprios cardumes de peixes que as orcas comprimem em bola de isca. É o destino mais fiável do mundo para um encontro garantido em plena ação de caça.

Islândia — península de Snæfellsnes. Na sequência das mesmas migrações de arenque, uma população de orcas frequenta a baía de Breiðafjörður de fevereiro a abril. As excursões partem de Olafsvik ou de Grundarfjörður; as condições, mais duras e menos previsíveis do que na Noruega, recompensam frequentemente com encontros com grupos familiares completos, dorsais de machos adultos incluídas.

Antártica — Península Antártica. Os cruzeiros de expedição do verão austral (novembro a março) oferecem encontros com vários ecótipos distintos, incluindo as orcas de «tipo B» e «tipo C» que caçam focas sobre a banquisa com a ajuda de ondas coordenadas — um comportamento cultural único no mundo, observado em nenhum outro lugar.

Nova Zelândia — Kaikoura. Na costa leste da Ilha do Sul, orcas residentes caçam raias e tubarões em águas pouco profundas, por vezes a poucos metros da costa. Os encontros são possíveis durante todo o ano mas mais frequentes no verão austral (dezembro a fevereiro), em complemento das saídas dedicadas ao cachalote, a grande especialidade de Kaikoura.

Canadá — Ilha de Vancouver (Johnstone Strait, Telegraph Cove). As águas da Columbia Britânica abrigam duas populações residentes bem estudadas, comedoras de salmão, assim como as orcas «Bigg's» caçadoras de mamíferos marinhos. De julho a outubro, no auge das subidas de salmão, os encontros de barco são quase diários no estreito de Johnstone e no mar de Salish.

Galápagos — águas ao largo de Darwin e Wolf. Os encontros são menos previsíveis, sendo a orca mais oceânica e discreta neste arquipélago, mas os meses de junho a novembro, período de maior produtividade das águas frias da corrente de Humboldt, oferecem as melhores hipóteses — frequentemente à margem de um mergulho dedicado aos tubarões-martelo ou ao tubarão-baleia.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Noruega (Tromsø/Skjervøy)
Islândia (Snæfellsnes)
Antártica (península)
Nova Zelândia (Kaikoura)
Canadá (Ilha de Vancouver)
Galápagos

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CONSERVAÇÃO

Ao contrário da maioria das grandes espécies marinhas, Orcinus orca não tem um estatuto mundial definido na Lista Vermelha da IUCN: está classificada como Dados insuficientes (DD), uma situação rara para um animal tão estudado. A razão é tanto taxonómica como ecológica — os diferentes ecótipos (comedores de peixes, comedores de mamíferos, orcas de banquisa, orcas oceânicas) são tão distintos genética, cultural e comportamentalmente que vários investigadores os consideram como espécies ou subespécies autónomas, à espera de descrição formal. Uma avaliação global única tem, portanto, pouco sentido.

Certas populações locais, essas sim, estão precisamente avaliadas e gravemente ameaçadas. As orcas residentes do sul (Mar de Salish, entre a Ilha de Vancouver e o Estado de Washington) contam já apenas algumas dezenas de indivíduos — menos de 75 no último recenseamento —, classificadas em perigo crítico pelas autoridades canadianas e americanas. As suas ameaças: colapso das populações de salmão-real de que dependem quase exclusivamente, tráfego marítimo e ruído submarino que perturbam a sua ecolocalização de caça, e uma contaminação química extrema — enquanto superpredador no topo da cadeia alimentar, a orca acumula concentrações de PCB e outros poluentes orgânicos entre as mais elevadas alguma vez medidas num mamífero marinho, a ponto de comprometer a sua reprodução.

O cativeiro continua a ser uma ferida aberta para a imagem da espécie: décadas de parques marinhos expuseram ao grande público uma orca stressada, de dorsal tombada, muito afastada do animal selvagem — um tema popularizado pelo documentário Blackfish (2013) e pelo destino da orca Tilikum. Vários países proibiram desde então a reprodução em cativeiro, e projetos de santuários marinhos tentam retirar os últimos indivíduos cativos dos tanques.

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3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. Não é uma baleia, é um golfinho. Apesar do seu nome inglês killer whale, a orca pertence à família dos Delfinídeos — a mesma do roaz. É pura e simplesmente o maior golfinho do mundo, e de longe: até dez vezes a massa de um roaz adulto. O nome de «baleia assassina» terá vindo de uma deformação histórica da expressão espanhola ballena asesina, dada por baleeiros que a tinham visto atacar baleias bem maiores do que ela.

2. É o único predador conhecido do grande tubarão-branco. Ao largo da África do Sul, um par de orcas apelidado Port e Starboard foi filmado a perseguir e matar grandes tubarões-brancos para consumir apenas o fígado, rico em esqualeno. Desde os seus primeiros ataques documentados em 2017, os grandes brancos desertaram massivamente certas baías onde eram outrora abundantes. Um comportamento semelhante já tinha sido filmado em 1997 perto das ilhas Farallon, na Califórnia.

3. As avós comandam — e há muito que não se reproduzem. A orca faz parte das raras espécies animais, juntamente com o ser humano, certos golfinhos e alguns outros cetáceos, que conhecem a menopausa. Investigações publicadas em 2015 demonstraram que as fêmeas pós-reprodutivas, frequentemente com 50 a 90 anos, são estatisticamente aquelas que conduzem o grupo para as zonas de caça em período de escassez — a sua memória ecológica acumulada ao longo de décadas vale mais, para a sobrevivência do pod, do que a sua capacidade de se reproduzir.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

A orca é fotografada quase sempre à superfície — em snorkeling no meio de uma caça ou desde o convés de um barco — o que muda radicalmente a abordagem em comparação com as outras grandes espécies marinhas deste guia.

Objetiva. Para o snorkeling na Noruega ou na Islândia, uma action-cam grande angular (GoPro ou equivalente) basta perfeitamente, em modo vídeo 4K de preferência a rajadas de foto — a cena evolui depressa demais para enquadrar uma fotografia fixa útil. Desde um barco, um zoom 70-200 mm permite capturar a dorsal e os detalhes de identificação sem se aproximar.

Água fria. A maioria dos encontros ocorre entre 2 e 8 °C. Um fato estanque com capuz integral é indispensável, tal como uma caixa estanque ou action-cam testadas previamente contra o embaciamento interno — o choque térmico entre o ar do barco e a água do fiorde é o principal inimigo da objetiva.

Não nadar na direção delas. A orca nada bem mais depressa do que qualquer mergulhador ou praticante de snorkeling. A boa prática, na Noruega como noutros destinos, consiste em deixar-se depositar na água a montante da trajetória do grupo e permanecer imóvel — o animal, curioso, vem frequentemente por iniciativa própria a poucos metros.

Dorsal e sela. Para a identificação como para a composição, o plano que conta é o perfil completo — dorsal, sela cinzenta, mancha ocular — captado perpendicularmente à direção de nado do animal. É também a melhor vista para distinguir um macho adulto (dorsal alta e direita) de uma fêmea ou de um juvenil (dorsal curvada).

Erro clássico. Focar-se na primeira dorsal avistada e perder a ação de caça que se desenrola mesmo por baixo — bola de isca comprimida, aves marinhas a mergulhar à superfície, brilhos prateados dos arenques em pânico. É frequentemente essa cena de conjunto, bem mais do que o retrato isolado de uma orca, que faz a fotografia mais marcante.

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