CMASManihi - Blue Way
★ 5/5 (14 avaliações)
Manihi · Polinésia Francesa · Pacífico
Prof. máx. · 25 mUm anfiteatro subaquático raso onde as mantas utilizam estações de limpeza entre os jardins de coral da lagoa de Manihi.
The Circus não é uma parede vertical ou um canal de corrente intensa, mas sim um jardim de coral que se estende de forma suave pela lagoa de Manihi. A sua topografia assemelha-se a um anfiteatro aberto, criado por uma zona de planalto que liga a passagem de Tairapa/Turipaoa ao interior da lagoa. Esta configuração geográfica permite que a luz penetre de forma constante, criando um ambiente de cores vivas sobre áreas de areia e grandes blocos de coral, conhecidos como bommies. É um sítio que se distingue pela sua amplitude e pela forma como as correntes da passagem interagem com o ambiente protegido da lagoa.
A dinâmica do sítio é ditada pela conexão com a única passagem de Manihi, o que faz com que as condições variem conforme a maré. Embora o mergulho ocorra dentro da lagoa, a entrada para o sítio pode apresentar águas agitadas e correntes mais fortes onde o fluxo da passagem encontra o interior. Uma vez estabelecido o posicionamento no jardim de coral, o mergulhador encontra um terreno mais gerível, mas deve estar atento à transição entre estas zonas. O planeamento do mergulho depende diretamente da fase da maré e do estado do swell, sendo o acesso feito habitualmente por embarcação para evitar o esforço de nadar contra as correntes da passagem.
O principal motivo para mergulhar em The Circus é a presença recorrente de mantas, que utilizam as estruturas de coral como estações de limpeza. Estes encontros ocorrem frequentemente a profundidades relativamente rasas, entre os 7 e os 8 metros, permitindo uma observação próxima e detalhada do comportamento destes animais. É comum ver as mantas a planarem calmamente sobre os jardins de coral, aproveitando as correntes suaves que circulam no anfiteatro. Este comportamento torna o sítio um dos locais mais consistentes das Tuamotu para quem procura observar este género de forma previsível.
Para além das mantas, o sítio é um ponto de passagem para diversas espécies pelágicas que cruzam a lagoa. É frequente observar raias águia a percorrerem as áreas abertas, aproveitando o movimento da água para se deslocarem entre os blocos de coral. O movimento constante de peixes de grande porte confere ao mergulho uma sensação de dinamismo, mesmo quando a corrente local parece controlada. A visibilidade, que pode atingir os 30 metros, ajuda a manter a perceção de espaço e permite detetar a aproximação de animais de zonas mais distantes.
A fauna de recife é densa e aproveita as estruturas de coral para encontrar abrigo e alimento. Entre os habitantes residentes, podes encontrar o peixe-napoleão, que se destaca pelo seu tamanho e presença constante nas estruturas maiores. As zonas de areia e as fendas entre os corais são habitadas por grupos de peixes de recife, incluindo jurels, barracudas e trevalys que circulam pelas correntes. Esta diversidade de nichos ecológicos garante que, mesmo enquanto esperas pelas espécies maiores, haja sempre movimento e vida por observar no fundo.
A presença de tubarões é uma constante que complementa o ecossistema de The Circus. É comum avistar tubarões-de-ponta-preta e tubarões-de-ponta-branca a patrulhar as zonas mais rasas e as áreas de areia. Para quem procura espécies de águas mais abertas, os tubarões-cinzentos também são visitantes frequentes, aproveitando a transição entre a lagoa e o oceano. A presença destes predadores é um indicador da saúde do ecossistema e da abundância de presas que o jardim de coral sustenta.
O perfil do mergulho varia entre os 7 e os 25 metros de profundidade, o que permite uma boa gestão da descompressão e do tempo de fundo. A descida posiciona o mergulhador num terreno de inclinação gradual, onde a navegação deve ser feita com atenção à relação com o grupo e à posição em relação ao barco. Diferente dos mergulhos em paredes externas, aqui a orientação é feita através dos pontos de referência no próprio recife, como os grandes blocos de coral ou as variações de profundidade no substrato. A luz que entra pela zona rasa mantém a visibilidade alta durante grande parte do mergulho.
O mergulho tem profundidades entre 7 e 25 metros. É recomendado para mergulhadores avançados com experiência comprovada em correntes e mergulhos de lagoa/passagem, idealmente com pelo menos 50 mergulhos registados. A corrente é variável, podendo ser forte na entrada do sítio devido à maré, mas mais calma dentro da lagoa. A visibilidade situa-se entre 10 e 30 metros.