
Tikehau - Tikehau Diving
★ 5/5 (423 avaliações)
Polinésia Francesa · Pacífico
Passes atravessadas à deriva, paredes que descem até 1500 metros, tubarões, atuns e golfinhos compõem o mergulho oceânico dos Tuamotu.
Nos Tuamotu, a imersão começa muitas vezes numa passe de atoll, não numa praia. O barco deixa os mergulhadores junto ao canal e a corrente conduz-nos por paredes, canhões e planaltos coralinos, com o azul aberto logo além do recife. Na Passe de Tuheiava, a vida concentra-se em torno da entrada da lagoa; na Passe de Tairapa, o relevo cai até aos 1500 metros. É uma escolha para quem viaja sobretudo para ver mar aberto e grandes animais.
A deriva é o fio condutor. Nas passes, a água pode entrar ou sair da lagoa conforme a maré, e a corrente tanto empurra suavemente como ganha força de forma inesperada. A Passe de Garuae leva por canhões coloridos até aos 30 metros, enquanto Maiuru termina num planalto recifal a 20 metros antes da queda vertical. Na Passe de Tairapa, o recife abre-se sobre uma parede que mergulha no azul, com visibilidade que pode chegar aos 70 metros. A Passe de Tiputa exige atenção aos fluxos de entrada e saída; em Tuheiava, as horas são escolhidas em função da maré. Há também mergulhos calmos, como Pufana, no interior da passe norte de Fakarava, com fundo pouco profundo e corrente muito ligeira.
A fauna acompanha a arquitectura das passes. Nos canais podem surgir Tubarão-de-recife, barracudas, Atum, Xaréu e garoupas, enquanto a corrente abre espaço para Manta, Raia-águia e Golfinho. A Passe de Garuae combina tubarões, atuns e barracudas com a vida dos canhões; Tiputa é conhecida também pelos golfinhos. Na Passe de Tumakohua, a deriva passa por bancadas de barracudas e grandes peixes de recife. Dependendo do atoll e do momento, o mergulhador pode ainda encontrar Tubarão-tigre ou Tubarão-martelo. Nos sectores abrigados, os peixes tropicais e os corais fazem um mergulho mais próximo do aquário, como em Pufana.
Os registos indicam de maio a outubro o período com menos chuva, uma janela particularmente interessante para organizar um itinerário entre atolls e repetir mergulhos nas passes. No final de maio e no início de junho, a Passe de Tairapa surge como referência para quem procura condições de grande visibilidade. Na Passe de Tumakohua, a lua cheia de junho é associada à observação das loches marmoreadas. A escolha da época deve, portanto, cruzar a menor pluviosidade com o tipo de encontro e de passe que se pretende fazer.
Há mergulhos para diferentes níveis, sobretudo em zonas interiores e abrigadas como Pufana ou Maiuru et Ohutu. A vocação principal, porém, favorece mergulhadores autónomos e confortáveis em corrente, especialmente nas passes. Advanced Open Water, Drift e Nitrox são credenciais úteis; para a Passe de Garuae é recomendada experiência equivalente a Rescue ou Niveau 2. A leitura da maré, o controlo da flutuabilidade e a capacidade de acompanhar a deriva contam mais aqui do que a simples profundidade do mergulho.
A partir de Lisboa ou do Porto, o percurso começa por um voo de longo curso até ao Taiti. A partir daí, os atolls habitados dos Tuamotu são alcançados por voos domésticos; conforme o itinerário, as ligações entre ilhas também podem ser feitas de barco. Não existe uma estrada que una este arquipélago: cada atoll deve ser tratado como um destino próprio. É importante organizar as correspondências aéreas antes de fechar o programa, sobretudo quando se pretende combinar mais do que uma ilha. No atoll escolhido, o trajecto entre a pensão e o centro de mergulho varia: pode ser uma deslocação curta ou fazer-se a pé, segundo a configuração local.
A primeira decisão deve ser escolher o atoll, e não simplesmente reservar uma viagem para a Polinésia Francesa. As condições, o tipo de passe e o programa mudam muito de ilha para ilha. Convém confirmar se os mergulhos previstos se concentram em passes, tombantes ou lagoas: o nome Tuamotu cobre experiências bastante diferentes. Quem viaja para as grandes linhas de corrente deve chegar confortável com entradas e saídas organizadas a partir do barco e com pouca assistência à superfície; em Maiuru, a corrente pode ser forte e inesperada. Vale a pena levar o equipamento de deriva e o controlo de flutuabilidade já afinados, mais úteis aqui do que material pensado para naufrágios ou macro. Se houver vários atolls no plano, o itinerário deve seguir primeiro a malha de voos interiores. Tentar encaixar demasiadas ilhas rouba dias de mergulho e transforma a viagem numa sucessão de transferências.
Um programa de sete a dez dias permite repetir as passes e absorver as limitações das ligações entre ilhas. O formato pode ser um alojamento fixo num atoll ou uma viagem de cruzeiro dedicada, sendo esta última coerente com a dispersão dos locais. Fora de água, o ritmo é simples: motus, praias lagunares, cais e observação da vida local. A oferta para acompanhantes existe, mas depende muito da ilha escolhida.
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