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Raia-manta

Mobula birostris

Sete metros de envergadura, o maior cérebro de todos os peixes — e reconhece-se ao espelho.

Raia-manta (Mobula birostris)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Myliobatiformes, família dos Mobulidae
Nome científicoMobula birostris (Walbaum, 1792)
TamanhoEnvergadura até 7 m (média observada: 4-5 m)
PesoAté 2 000 kg
Velocidade~24 km/h em ponta
Longevidade40-50 anos (estimativas até 60 anos)
ProfundidadeSuperfície a 1 400 m, mas observada mais frequentemente entre 0 e 40 m
DietaFiltradoraplâncton, pequenos crustáceos, larvas de peixes
Estatuto UICNEm perigo (EN) — populações em declínio na maioria das bacias oceânicas

RETRATO

Chega sempre por baixo. O mergulhador olha para o azul e, de súbito, uma sombra imensa desliza por cima dele — silenciosa, perfeitamente plana, as asas desdobradas em cinco ou seis metros. A raia-manta não nada: voa. E quando gira para voltar em direção às bolhas, quando os seus grandes olhos se fixam no mergulhador, algo muda no encontro. Já não é um animal que passa. É um animal que observa.

Mobula birostris é a maior raia do mundo. É também, proporcionalmente ao seu tamanho, o peixe com o maior cérebro — um órgão aquecido por uma rede de troca térmica em contracorrente, um luxo metabólico que apenas os atuns e certos tubarões partilham. Este cérebro não está ali por acaso: em 2016, um estudo demonstrou que a raia-manta é capaz de se reconhecer ao espelho, um teste de autorreconhecimento que apenas os grandes primatas, os golfinhos, os elefantes e alguns corvídeos conseguem.

Tal como o tubarão-baleia, a manta é uma filtradora. As suas barbatanas cefálicas — esses dois cornos enrolados de cada lado da boca — desdobram-se para canalizar a água carregada de plâncton em direção à sua boca escancarada. Quando a concentração de alimento é elevada, executa tonéis em circuito, girando sobre si mesma uma e outra vez no mesmo local, criando um vórtice que concentra o plâncton. Este bailado, que os mergulhadores chamam barrel roll feeding, é um dos espetáculos mais hipnóticos do oceano.

COMO RECONHECÊ-LO

Duas espécies de raias-manta existem: a manta oceânica (Mobula birostris, até 7 m) e a manta de recife (Mobula alfredi, até 5 m). A distinção faz-se principalmente pelo tamanho, pela coloração e pelo habitat.

A manta oceânica apresenta um dorso escuro — negro, castanho-escuro ou cinzento-ardósia — e um ventre branco marcado por manchas escuras cujo padrão é único para cada indivíduo. Este ventre é o bilhete de identidade do animal: os programas de foto-identificação como o Manta Matcher utilizam estes padrões para monitorizar as populações mundiais.

Debaixo de água, a silhueta é imediatamente reconhecível: um losango perfeito, duas barbatanas cefálicas à frente, uma longa cauda fina sem espinho. A manta não possui aguilhão venenoso — ao contrário da sua prima, a arraia. O animal é perfeitamente inofensivo.

Os indivíduos melânicos — inteiramente negros, dorso e ventre — representam cerca de 10 % da população. São particularmente espetaculares e muito procurados pelos fotógrafos.

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MODO DE VIDA

A raia-manta é simultaneamente nómada e fiel. Percorre centenas de quilómetros entre as suas zonas de alimentação, as suas estações de limpeza e os seus locais de reprodução, mas regressa regularmente aos mesmos sítios — por vezes ano após ano, década após década. Indivíduos foto-identificados nas Maldivas foram reavistados nas mesmas estações de limpeza durante mais de 20 anos.

As estações de limpeza estão no cerne da vida social das mantas. Nestes recifes precisos, bodiões-limpadores e pequenos peixes livram a manta dos seus parasitas. O animal apresenta-se, abranda, por vezes imobiliza-se completamente — e espera. Estas estações são pontos de encontro: as mantas cruzam-se ali, e os comportamentos de cortejo foram observados inúmeras vezes.

A reprodução é lenta. A fêmea atinge a maturidade sexual por volta dos 8-10 anos. A gestação dura cerca de 13 meses. A ninhada: uma única cria, excecionalmente duas. O recém-nascido mede já 1,5 m de envergadura e é autónomo desde o nascimento. Com um intervalo de 2 a 5 anos entre cada ninhada, a capacidade de renovação da população é extremamente baixa — o que torna a espécie particularmente vulnerável à sobreexploração.

ONDE OBSERVÁ-LO

A raia-manta frequenta todos os mares tropicais e subtropicais do globo. Eis os destinos onde os encontros são mais fiáveis, com locais presentes no catálogo DivingDeal:

Maldivas — Hanifaru Bay e Ari Atoll. Hanifaru Bay (Baa Atoll, reserva da biosfera UNESCO) concentra, de junho a novembro, as maiores agregações de mantas do mundo — até 200 indivíduos alimentando-se simultaneamente nesta baía em forma de funil. Snorkeling apenas (mergulho com garrafa proibido). Em Ari Atoll, as estações de limpeza de Lankan Reef, Rangali Madivaru e Maalhos oferecem observações quase diárias durante todo o ano.

IndonésiaKomodo, Nusa Penida, Raja Ampat. Manta Point e Cauldron (Komodo) são clássicos. Em Nusa Penida (Bali), Manta Bay oferece observações de mantas de recife quase garantidas. Raja Ampat, na Papua Ocidental, alberga as duas espécies — as mantas oceânicas cruzam ali as correntes ricas em plâncton em torno de Wayag e do estreito de Dampier.

MoçambiqueTofo. Manta Reef e Giant's Castle acolhem mantas durante todo o ano, com um pico de novembro a março. Um dos raros locais onde os encontros em mergulho com garrafa, a poucos metros, são a norma e não a exceção.

Equador — Isla de la Plata. Apelidada de "pequenas Galápagos", esta ilha ao largo da costa equatoriana oferece encontros com mantas oceânicas de grande porte de junho a outubro, em águas ricas em nutrientes.

México — Socorro (Revillagigedo). As ilhas Revillagigedo, acessíveis unicamente em cruzeiro, são célebres pelas mantas gigantes "sociais" que se aproximam dos mergulhadores — um comportamento único no mundo. Estação de novembro a maio.

Havai — Kona (Big Island). O mergulho noturno com as mantas de Kona é um ritual: luzes no fundo atraem o plâncton, e as mantas vêm alimentar-se a poucos centímetros dos mergulhadores, boca escancarada, num bailado perfeitamente coreografado.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Maldivas (Hanifaru Bay)
Maldivas (Ari Atoll)
Indonésia (Komodo)
Indonésia (Nusa Penida)
Indonésia (Raja Ampat)
Moçambique (Tofo)
México (Socorro)
Havai (Kona)
Equador (Isla de la Plata)

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CONSERVAÇÃO

Mobula birostris está classificada como Em perigo (EN) na Lista Vermelha da UICN. A espécie está inscrita no Anexo II da CITES desde 2013, e na Convenção sobre as Espécies Migratórias (CMS).

A ameaça principal é a pesca dirigida para as brânquias filtrantes, utilizadas na medicina tradicional chinesa sob o nome de peng yu sai. Um quilograma de brânquias secas negocia-se até 400 dólares nos mercados asiáticos. Esta procura dizimou as populações do Sudeste Asiático e do oceano Índico ao longo das duas últimas décadas. Acrescem as capturas acessórias nas redes de pesca, as colisões com embarcações e a poluição por microplásticos — que a manta, enquanto filtradora, ingere massivamente.

A biologia da manta conspira contra a sua resiliência: maturidade tardia, uma única cria a cada 2 a 5 anos. Uma população dizimada leva décadas a reconstituir-se. É o inverso de um peixe de recife que produz milhões de ovos por ano.

O mergulhador responsável nunca toca numa manta, nunca lhe bloqueia a passagem numa estação de limpeza e mantém uma distância mínima de 3 metros. As mantas habituadas aos mergulhadores toleram frequentemente distâncias mais curtas — mas é o animal que decide.

Organizações a apoiar:

  • Manta Trust — investigação mundial, foto-identificação, programas comunitários
  • Marine Megafauna Foundation — monitorização das populações de Moçambique e da Indonésia
  • Manta Matcher — base de dados mundial de foto-identificação (ciência cidadã)
  • PADI AWARE — programas de conservação marinha participativos

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. Reconhece-se ao espelho. Em 2016, um estudo publicado no Journal of Ethology mostrou que as raias-manta reagem ao seu reflexo de forma compatível com o autorreconhecimento: mudam de comportamento diante do espelho, inspecionam a sua imagem e executam movimentos repetitivos inabituais — como se testassem a relação entre os seus gestos e o reflexo. Este teste do espelho só é conseguido por um punhado de espécies em todo o reino animal.

2. O seu cérebro é aquecido. A raia-manta possui um sistema de troca térmica em contracorrente — um rete mirabile — que mantém o seu cérebro a uma temperatura superior à da água circundante. Este mecanismo, extremamente raro nos peixes, permite um processamento neuronal mais rápido nas águas frias onde a manta mergulha regularmente (até 1 400 m, onde a temperatura desce abaixo de 4 °C).

3. Pode saltar fora de água. As raias-manta são capazes de saltos espetaculares — até 2 metros acima da superfície. A função exata destes saltos permanece debatida: comunicação social, eliminação de parasitas, brincadeira ou simples excesso de energia. O espetáculo é fulminante e ruidoso — o estampido de uma manta de 2 toneladas caindo de barriga ouve-se a centenas de metros.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

A raia-manta é o sujeito de sonho do fotógrafo subaquático: grande, lenta, elegante e frequentemente curiosa. Faz todo o trabalho por si.

Objetiva. Grande angular obrigatória — fisheye 10-17 mm ou retilínear 14-16 mm. A envergadura do animal exige um campo muito amplo. Em GoPro, o modo SuperView ou o grande angular nativo convêm perfeitamente.

Estação de limpeza. É o local ideal para fotografar. A manta abranda, imobiliza-se por vezes, e permanece no mesmo sítio durante longos minutos. Pousar no fundo, a jusante da corrente, e esperar. O animal vem até si — não o contrário. Os planos ventrais (de baixo) são os mais espetaculares e permitem captar o padrão de identificação.

Barrel roll. Quando a manta gira em circuito para se alimentar, posicionar-se lateralmente e filmar em contínuo. Não tentar segui-la na rotação — manter-se estável e deixar o animal atravessar o enquadramento.

Mergulho noturno (Kona). O flash é útil aqui para congelar os detalhes, mas os faróis dos outros mergulhadores fornecem uma iluminação ambiente espetacular. Privilegiar os planos frontais, boca aberta, com a luz em contra-picado.

Erro clássico. Barbatar em direção à manta. O ruído das barbatanas e as bolhas afastam-na. A melhor estratégia é sempre a imobilidade — uma manta curiosa voltará por si mesma, por vezes a menos de um metro.

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