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Polvo Dumbo

Grimpoteuthis

Vive tão fundo sob a superfície que a luz do sol nunca ali chegou — e, no entanto, nada como se voasse.

Polvo Dumbo (Grimpoteuthis)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Octopoda, família dos Opisthoteuthidae
Nome científicoGrimpoteuthis (Robson, 1932) — cerca de 17 espécies descritas
Tamanho20 a 30 cm em média, até 1,80 m para os maiores espécimes
PesoAté 6 kg
Velocidade~1-2 km/h (propulsão lenta por batimento das barbatanas)
Longevidade3 a 5 anos (estimativas — nunca medida diretamente)
Profundidade1 000 a 7 000 m — um dos cefalópodes mais profundos alguma vez filmados
DietaCarnívoro bêntico — vermes poliquetas, isópodes, anfípodes, copépodes
Estatuto UICNDados insuficientes (DD) — habitat demasiado profundo para um inventário fiável

RETRATO

Existe, a vários quilómetros sob a superfície dos oceanos, um animal que se parece com uma personagem de desenhos animados. Duas largas barbatanas em forma de orelha sobressaem de cada lado do seu manto arredondado e, quando se desloca, bate-as suavemente, como uma ave que voasse em câmara lenta na escuridão total. É esta silhueta que lhe valeu a alcunha: o polvo Dumbo, inspirado no elefantezinho voador da Disney. Mas o animal nada tem de brinquedo. Habita um dos ambientes mais extremos do planeta — as zonas hadal e abissal, onde a pressão atinge 700 vezes a da superfície, onde a temperatura roça o zero e onde a noite é permanente.

Grimpoteuthis não é uma espécie única mas um género inteiro, contando cerca de dezassete espécies descritas — e provavelmente mais que aguardam nomeação. O seu corpo é semi-gelatinoso, adaptado à pressão extrema: sem concha interna rígida como noutros octópodes, mas uma estrutura flexível e compressível. Os braços, ligados entre si por uma fina membrana, formam uma umbrela que se abre e fecha ao ritmo da natação. A pele, frequentemente translúcida, deixa adivinhar os órgãos internos sob as luzes dos ROV — esses veículos telecomandados que constituem, juntamente com os submersíveis tripulados, o único meio de ir vê-lo.

Nenhum mergulhador cruzará alguma vez um polvo Dumbo em garrafa. É este um dos seus paradoxos: o animal mais enternecedor do oceano é também um dos mais inacessíveis. Mas para o viajante apaixonado pela vida marinha, a sua existência ilustra uma verdade que cada imersão confirma — o oceano é imenso, e o que dele se vê a partir da superfície é apenas uma fração do que ele alberga. As imagens trazidas pelas expedições científicas e pelos raros submersíveis turísticos bastam para compreender por que razão Grimpoteuthis se tornou, em poucos anos, o ícone não oficial das grandes profundezas.

COMO RECONHECÊ-LO

Reconhecer um polvo Dumbo nas imagens de ROV ou de submersível não apresenta qualquer dificuldade, mesmo para um não-especialista. A silhueta é única: um manto arredondado, quase esférico, encimado por duas barbatanas laterais em forma de pá ou de orelha. Nenhum outro cefalópode das grandes profundezas apresenta esta combinação.

A cor varia conforme as espécies e a profundidade: branco-leitoso, rosa-pálido, laranja-baço, castanho-avermelhado. Alguns espécimes parecem quase transparentes sob a iluminação dos ROV, deixando ver os músculos e as vísceras por transparência. Os braços, em número de oito, estão ligados por uma membrana inter-braquial que forma um para-quedas quando o animal a utiliza para planar em direção ao fundo.

O tamanho é o principal indício de espécie para os biólogos: os mais pequenos Grimpoteuthis cabem na palma de uma mão; os maiores, como Grimpoteuthis bathynectes, atingem 1,80 m com os braços estendidos. A confusão com outros octópodes das profundezas é teoricamente possível — os géneros Cirroteuthis e Stauroteuthis apresentam cirros ao longo dos braços e uma forma vagamente comparável — mas a presença das grandes barbatanas dorsais em forma de orelha é imediatamente distintiva.

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MODO DE VIDA

O polvo Dumbo é um predador bêntico. Evolui ligeiramente acima do fundo oceânico, por vezes pousado sobre o sedimento, por vezes planando a poucos metros do chão. A sua técnica de caça é direta: precipita-se sobre a presa — um verme, um crustáceo, um pequeno molusco — e envolve-a com os seus braços palmados antes de a engolir de uma só vez. Ao contrário dos polvos de recife, não possui uma rádula suficientemente potente para triturar conchas: ingere as presas inteiras.

O seu modo de locomoção é triplo. O mais característico é o batimento das duas barbatanas laterais — a natação tipo "Dumbo" que lhe deu o nome. Pode também utilizar a propulsão por jato, expelindo a água pelo seu sifão, como todos os cefalópodes. Por fim, desdobra a sua membrana inter-braquial em para-quedas para planar passivamente na corrente, economizando uma energia preciosa num meio onde o alimento é raro.

A reprodução de Grimpoteuthis permanece largamente enigmática. Sabe-se que as fêmeas transportam ovos em diferentes estádios de maturação simultaneamente, o que sugere que podem desovar em qualquer momento do ano — uma vantagem num meio sem estações. Os ovos, protegidos por um invólucro espesso, são depositados individualmente sobre o substrato ou sobre estruturas fixas do fundo (rochas, conchas, corais profundos). A ausência de época de reprodução é coerente com a estabilidade térmica do habitat: a 3 000 metros de profundidade, a temperatura não varia meio grau de um mês para o outro.

ONDE OBSERVÁ-LO

O polvo Dumbo vive em todos os oceanos do mundo, por toda a parte onde o fundo ultrapassa os 1 000 metros. Mas "observar" adquire aqui um sentido diferente daquele que tem para um mergulhador: nenhuma garrafa desce a estas profundidades. Eis onde a ciência filmou Grimpoteuthis, e onde um viajante apaixonado pode esperar ver as imagens — ou até, em certos casos, descer ele próprio.

Fossa das Marianas — Pacífico Oeste. Foi ali que Grimpoteuthis foi filmado à profundidade recorde: 6 957 metros, por um veículo do programa Five Deeps Expedition em 2019. O animal planava a poucos metros do fundo, batendo calmamente as barbatanas na escuridão total. Esta observação recuou em quase 2 000 metros o recorde de profundidade para um cefalópode. A fossa das Marianas permanece inacessível ao turismo, mas as imagens da expedição são livremente consultáveis.

Dorsal médio-atlântica — Atlântico Norte. Os ROV do programa NOAA Ocean Exploration filmam regularmente Dumbos entre 2 000 e 4 000 metros de profundidade ao longo da dorsal. As campanhas Okeanos Explorer difundem os seus mergulhos em direto no site da NOAA — o meio mais acessível, e inteiramente gratuito, de assistir a um encontro com Grimpoteuthis em tempo real.

Monterey Bay — Califórnia. O MBARI (Monterey Bay Aquarium Research Institute) possui uma das frotas de ROV mais ativas do mundo. Os seus veículos filmaram dezenas de espécimes de Grimpoteuthis no cânion submarino de Monterey, entre 1 500 e 4 000 metros. O Monterey Bay Aquarium, acessível ao público, projeta regularmente estas imagens nas suas exposições sobre as grandes profundezas.

Mar da Noruega e Ártico. As campanhas oceanográficas norueguesas e os ROV operados a partir de Tromsø documentam regularmente Dumbos nas águas frias entre 1 000 e 3 000 metros. O Ártico, graças a programas como o MAREANO, fornece algumas das melhores sequências filmadas do animal em meio natural.

Turismo em submersível. Vários operadores propõem descidas em submersível tripulado a profundidades onde Grimpoteuthis foi observado. As expedições da Caladan Oceanic (sucessor técnico de Five Deeps) e os mergulhos profundos organizados em certas regiões (Bahamas, Açores) atingem os 1 000-4 000 metros. Estas experiências continuam raras, dispendiosas e reservadas a um público conhecedor, mas representam a única forma de um não-cientista ver um polvo Dumbo com os seus próprios olhos.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

O polvo Dumbo vive num mundo sem estações. A 2 000 metros de profundidade e mais além, a temperatura, a luz (nula) e as correntes variam mal de um mês para o outro. O animal não migra, não segue nenhum ciclo sazonal conhecido. O que varia é a presença das expedições e dos ROV.

Expedição / InstituiçãoJFMAMJJASOND
NOAA Okeanos Explorer
MBARI (Monterey Bay)
Campanhas árticas (MAREANO)
Submersíveis privados (Bahamas, Açores)

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CONSERVAÇÃO

Grimpoteuthis está classificado como Dados insuficientes (DD) na Lista Vermelha da UICN. Este estatuto não significa que o animal esteja bem — significa que não se sabe. A 3 000 metros de profundidade, contar uma população é um luxo que a ciência ainda não se pode dar. As poucas centenas de espécimes observados por ROV em cinquenta anos não constituem uma amostra suficiente para estimar o efetivo mundial.

As ameaças, em contrapartida, estão identificadas. O arrasto profundo, praticado por certas frotas para lá dos 1 000 metros, destrói os habitats bênticos onde Grimpoteuthis caça e se reproduz. A exploração mineira dos fundos marinhos, em curso de negociação na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, ameaça diretamente as planícies abissais ricas em nódulos polimetálicos — exatamente o tipo de substrato onde o animal foi filmado. A poluição por microplásticos, doravante detetada até ao fundo da fossa das Marianas, constitui uma terceira ameaça, cujo impacto sobre os organismos abissais resta por medir.

Para o viajante que nunca cruzará este animal em mergulho, apoiar a sua proteção equivale a apoiar a proteção das grandes profundezas no seu conjunto — um combate ainda jovem, mas cada vez mais estruturado.

Organizações a apoiar:

  • Deep Sea Conservation Coalition — campanha mundial contra o arrasto profundo e a exploração mineira dos fundos
  • IUCN Deep-Sea Specialist Group — perícia científica para a classificação e a proteção das espécies abissais
  • Ocean Census — programa mundial de descoberta e inventário das espécies marinhas, incluindo os cefalópodes profundos
  • Schmidt Ocean Institute — expedições oceanográficas e acesso livre aos dados, incluindo as observações de Grimpoteuthis

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. Engole as presas inteiras — e é uma escolha evolutiva. Ao contrário dos polvos de superfície, que destroçam o alimento com um bico potente e uma rádula abrasiva, o polvo Dumbo ingere as presas de uma só vez. Os investigadores do MBARI filmaram-no a precipitar-se sobre um isópode, cobrindo-o com os braços palmados como uma rede e engolindo-o sem o triturar. A 4 000 metros de profundidade, onde o alimento é raro e cada caloria conta, perder migalhas é um luxo que não se pode dar.

2. É o cefalópode mais profundo alguma vez observado. Em maio de 2020, uma equipa publicou na Marine Biology a observação filmada de um Grimpoteuthis a 6 957 metros de profundidade na fossa das Marianas. A esta profundidade, a pressão ultrapassa 690 atmosferas — o equivalente a um SUV estacionado em cada centímetro quadrado de pele. Nenhum outro polvo, choco ou lula foi documentado tão abaixo. O recorde anterior, detido por outro Grimpoteuthis, era de 5 145 metros.

3. Não tem bolsa de tinta. A maioria dos cefalópodes dispõe de uma bolsa de tinta para cegar um predador e fugir. Grimpoteuthis perdeu este órgão ao longo da evolução. A razão é simples: na escuridão total dos abismos, uma nuvem de tinta seria invisível. Os próprios olhos estão reduzidos, por vezes mal funcionais em certas espécies do género. A estas profundezas, a evolução investiu noutras direções que não a visão: na sensibilidade tátil dos braços, nos recetores químicos, e nesta natação lenta e económica que permite patrulhar o fundo com um mínimo de gasto energético.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

Nenhum fotógrafo subaquático enquadrará um polvo Dumbo com o seu próprio equipamento — o animal vive a profundidades onde nenhum mergulho humano autónomo é possível. As imagens que dele temos provêm exclusivamente das câmaras dos ROV e dos submersíveis tripulados. Mas para o videógrafo ou o realizador que participe numa expedição profunda, alguns princípios merecem ser conhecidos.

Iluminação. O animal é semi-translúcido e vive no escuro absoluto. Uma iluminação frontal potente torna-o espetacular mas esmaga os detalhes: as barbatanas tornam-se opacas, a textura gelatinosa desaparece. As melhores sequências filmadas pelo MBARI e pela NOAA utilizam uma iluminação lateral ou ligeiramente descentrada, que revela a transparência do manto e os movimentos internos do corpo. Se pilotar as luzes de um ROV ou escolher o seu ângulo num submersível, privilegie o contraluz parcial.

Velocidade de aproximação. Os ROV modernos são capazes de movimentos muito lentos, mas a hidrodinâmica de um veículo de várias toneladas cria uma frente de pressão detetável pelo animal. Os espécimes raramente se afastam em pânico — a reação típica é um recolhimento dos braços em umbrela e uma descida passiva em direção ao fundo. Um bom operador de ROV abranda a 50 metros e deixa a corrente levar o veículo nos últimos metros.

Formato. Se tiver a sorte de participar numa expedição que filme cefalópodes profundos, privilegie o vídeo sobre a fotografia. Os batimentos de barbatanas, o desdobramento da membrana e as mudanças de postura constituem o essencial do interesse visual do animal. Uma fotografia congela um Dumbo; um vídeo dá-lhe vida. As câmaras dos ROV científicos filmam em 4K a 30 imagens por segundo — uma norma suficiente para todos os usos editoriais.

Arquivos acessíveis. Para o realizador ou o blogger que procure imagens sem descer ele próprio a 3 000 metros: a NOAA e o MBARI publicam as suas sequências sob licença aberta. O canal YouTube da NOAA Ocean Exploration contém dezenas de encontros filmados em alta definição, livremente reutilizáveis para projetos não comerciais.

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