CMASBora Ocean Adventures, Remy Crapet
★ 4,9/5 (354 avaliações)
Bora Bora · Polinésia Francesa · Pacífico
Prof. máx. · 40 mO único canal natural de Bora Bora que liga a lagoa ao oceano aberto através de um sistema de patamares e correntes de maré.
O Tevanui Pass funciona como o único ponto de transição natural entre o ecossistema protegido da lagoa de Bora Bora e o oceano aberto. Esta configuração geográfica cria um canal que serve de corredor para o tráfego de grandes espécies que se deslocam entre as duas zonas. A topografia do sítio é composta por um percurso em degraus, com múltiplos patamares e plataformas de coral situados a diferentes profundidades. O mergulho segue tipicamente o perfil deste canal, começando na zona de azul profundo antes de subir pela parede para o platô de coral.
A estrutura do canal é definida por este sistema de socalcos subaquáticos que permitem uma transição gradual de profundidade. À medida que o mergulho avança, a descida ou ascensão ocorre ao longo de paredes que sustentam formações de coral azul. Estas estruturas de coral são um elemento visual distintivo do sítio e marcam o final do percurso de deriva. A navegação é feita acompanhando o canal natural, aproveitando a corrente para percorrer desde as zonas mais profundas até aos patamares mais rasos do recife.
Devido à sua localização, o pass é um ponto de concentração de atividade pelágica. É comum observar grandes cardumes de trevally, jureles e barracudas a utilizar o canal para navegar. A movimentação das águas atrai predadores de topo que aproveitam o fluxo de nutrientes para caçar. É frequente encontrar atuns e outros grandes peixes de passagem a cruzar o canal, o que torna este sítio um dos locais mais dinâmicos de Bora Bora para quem procura observar peixes de grande porte em movimento.
Os tubarões são presenças constantes nestas águas, aproveitando as correntes para se posicionarem estrategicamente. Durante o mergulho, é comum detetar tubarões de recife e tubarões-das-pontas-brancas circulando nas zonas de maior fluxo. A observação destas espécies ocorre de forma mais dinâmica do que em recifes de lagoa mais calmos, pois o movimento da água dita o comportamento dos animais. A interação entre a corrente e a topografia de parede cria zonas onde os tubarões costumam pairar enquanto aguardam a passagem de presas.
A fauna de recife que habita os patamares e as paredes do canal é variada e densa. Entre as formações de coral azul, é possível encontrar peixes-anjo, peixes-papagaio e peixes-borboleta que utilizam as fendas para proteção. Em zonas mais abrigadas ou próximas das estruturas de coral, as moreias também são observadas. Esta diversidade de vida de recife contrasta com a natureza pelágica do canal, oferecendo uma transição de biodiversidade à medida que o mergulhador sobe para as profundidades mais rasas.
A experiência de mergulho é fortemente definida pela dinâmica das marés. O fluxo de água que sai da lagoa em direção ao oceano durante a maré vazia é o que caracteriza o mergulho de deriva neste sítio. Este movimento de água é o que transporta a vida pelágica pelo canal, mas também é o fator que exige maior controlo de flutuabilidade e posicionamento. A luz penetra com intensidade nas zonas superiores, mas a visibilidade é dependente da força da corrente, que pode suspender sedimentos em momentos de fluxo máximo.
O que diferencia o Tevanui Pass de outros recifes da região é precisamente esta natureza de corredor oceânico. Enquanto a maioria dos mergulhos em Bora Bora ocorre em recifes de lagoa com águas paradas, aqui o mergulhador enfrenta um ambiente de passagem. A combinação de uma topografia em degraus com a passagem de espécies como mantas e arraias pode fazer, em certas condições, com que o perfil do mergulho mude rapidamente de uma observação de recife para um encontro com grandes pelágicos no azul.
O mergulho ocorre entre os 5 e os 40 metros de profundidade. É um sítio de nível avançado, exigindo experiência prévia em mergulhos de corrente e deriva. A corrente é forte, especialmente durante a maré vazia, quando a água da lagoa é expelida para o oceano. A visibilidade é geralmente de 20 a 30 metros, podendo diminuir se a corrente estiver particularmente intensa. A melhor época para garantir visibilidade estável e condições mais previsíveis é entre maio e outubro.