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Tartaruga-verde

Chelonia mydas

Leva o nome de uma cor que nunca se vê na sua carapaça.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Testudines, família dos Cheloniidae
Nome científicoChelonia mydas (Linnaeus, 1758)
TamanhoAté 1,5 m de comprimento (carapaça)
PesoAté 230 kg
Velocidade~35 km/h em ponta (raramente em cruzeiro)
Longevidade60 a 80 anos
ProfundidadeSuperfície a 40 m por regra geral, mergulhos pontuais além dos 100 m
DietaAdulta quase exclusivamente herbívoraalgas e ervas marinhas; juvenil omnívora
Estatuto UICNEm perigo (EN)

RETRATO

Desliza no azul com uma indolência que não engana ninguém: sob essa lentidão aparente esconde-se um dos animais mais resistentes do oceano, capaz de atravessar bacias inteiras para voltar a desovar na praia exata onde nasceu. A tartaruga-verde é frequentemente o primeiro grande encontro de um mergulhador principiante — e também, muitas vezes, o que permanece gravado mais tempo.

O seu nome não provém da sua carapaça, castanha, verde-oliva ou manchada consoante as populações, mas da cor da sua gordura subcutânea, tingida pelo regime alimentar à base de algas e ervas marinhas. É a única espécie de tartaruga marinha estritamente herbívora na idade adulta — um regime que faz dela, à sua maneira, a máquina de cortar relva dos herbários tropicais, um papel ecológico tão discreto quanto essencial para a saúde dos fundos marinhos.

Cruza-se pousada sobre um retalho de coral morto, cabeça voltada para a corrente, ou a subir para respirar à superfície antes de voltar a mergulhar num deslizar tranquilo. Ignora soberbamente os mergulhadores que mantêm a distância e foge sem um olhar para aqueles que se aproximam depressa demais. Chelonia mydas não tem nada a provar: nada neste planeta há mais de 100 milhões de anos, muito antes de alguém pensar em fotografá-la.

COMO RECONHECÊ-LO

A tartaruga-verde distingue-se em primeiro lugar pela cabeça, relativamente pequena e arredondada, com um único par de escamas pré-frontais entre os olhos — o ponto de referência mais fiável para não a confundir com a tartaruga-de-pente, que apresenta dois pares e exibe um bico mais recurvado. A carapaça é lisa, em forma de domo largo e achatado, composta por cinco escudos centrais não sobrepostos — outra diferença nítida em relação à tartaruga-de-pente, cujos escudos se sobrepõem como telhas.

A coloração varia enormemente segundo as populações: castanho, verde-oliva, quase negro no Pacífico oriental, por vezes marmoreado com manchas radiantes. As barbatanas anteriores são compridas, em forma de remo, cada uma com uma única garra visível. Debaixo de água, é frequentemente o tamanho e a carapaça em domo regular que permitem identificá-la antes mesmo de se ver a cabeça — um seixo gigante e vivo pousado no recife.

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MODO DE VIDA

A tartaruga-verde leva uma vida dupla: oceânica durante os seus primeiros anos, depois fiel a um território de alimentação costeiro na idade adulta, onde passa horas a pastar nos herbários e a repousar em locais de descanso (estações de limpeza) frequentados por peixes-limpadores. Pode permanecer imóvel sob uma saliência rochosa durante longos minutos entre duas subidas para respirar.

O traço mais espetacular do seu ciclo de vida continua a ser a filopatria natal: a fêmea adulta regressa para desovar na mesma praia onde nasceu, décadas antes, após ter percorrido por vezes milhares de quilómetros para a reencontrar. O mecanismo de orientação assenta em grande parte numa sensibilidade ao campo magnético terrestre, impressa desde a eclosão.

A desova tem lugar de noite. A fêmea sai da água, cava um ninho na areia com as barbatanas posteriores e deposita em média uma centena de ovos, repetidos em várias posturas na mesma estação. O sexo dos recém-nascidos depende da temperatura da areia durante a incubação — quanto mais quente, maior a proporção de fêmeas, um mecanismo que hoje preocupa os biólogos face ao aquecimento climático. Os recém-nascidos que sobrevivem à travessia da praia passam os primeiros anos nas zonas de sargaços do largo, uma fase apelidada de "anos perdidos", tão mal documentada ainda hoje.

ONDE OBSERVÁ-LO

A tartaruga-verde é cosmopolita nas águas tropicais e subtropicais do globo. Eis os destinos onde os encontros são mais fiáveis, com locais presentes no catálogo DivingDeal:

Maldivas. Presente na quase totalidade dos atóis, a tartaruga-verde é um dos encontros mais constantes do ano. Os herbários pouco profundos próximos dos resorts e os recifes franqueantes de Baa Atoll e de Ari Atoll contam entre os melhores postos de observação, frequentemente no final do mergulho durante as paragens pouco profundas.

Mar VermelhoEgito. Marsa Alam é um dos grandes centros mundiais da tartaruga-verde. O local de Abu Dabbab, com o seu vasto herbário pouco profundo, alberga uma população residente observável quase todo o ano, tanto em mergulho como em snorkeling a partir da praia. Elphinstone e Marsa Shouna oferecem encontros semelhantes mais a sul.

Grande Barreira de Coral — Austrália. A totalidade do recife, de Cairns a Lady Elliot Island, alberga populações abundantes. Lady Elliot Island em particular é famosa pela densidade das suas tartarugas-verdes, visíveis em apneia como em mergulho com garrafa durante todo o ano.

Galápagos. As águas em torno das ilhas acolhem uma subpopulação de tartarugas-verdes reconhecida pela sua coloração escura, por vezes qualificada de forma "negra". Cruzam-se em número em torno de Santa Cruz e de Isabela, frequentemente a alimentar-se nos fundos de algas.

MalásiaSipadan (Bornéu). A ilha de Sipadan é mundialmente conhecida pela densidade das suas tartarugas-verdes e tartarugas-de-pente, ao ponto de ter inspirado a alcunha de "Turtle Tomb" para uma gruta submarina onde repousam esqueletos antigos. Barracuda Point e South Point oferecem encontros quase garantidos.

Havai. A tartaruga-verde, localmente chamada honu, é um símbolo cultural tanto quanto um encontro de mergulho corrente. Os recifes da Grande Ilha e de Oahu, nomeadamente nos locais de repouso como Turtle Pinnacle, permitem observações fiáveis durante todo o ano.

Omã. As costas do sultanato, particularmente em torno de Ras Al Jinz e da ilha de Masirah, contam entre os mais importantes locais de desova da tartaruga-verde no oceano Índico ocidental, com observações no mar durante todo o ano.

Costa Rica — Tortuguero. Na costa caribenha, a praia de Tortuguero é um dos locais de nidificação mais monitorizados do mundo para a tartaruga-verde, com programas de seguimento ativos de julho a outubro. As observações em mergulho fazem-se preferencialmente na costa do Pacífico do país.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Maldivas
Mar Vermelho (Marsa Alam)
Grande Barreira (Austrália)
Galápagos
Malásia (Sipadan)
Havai
Omã (nidificação)
Costa Rica (Tortuguero, nidificação)

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CONSERVAÇÃO

Chelonia mydas está classificada como Em perigo (EN) na Lista Vermelha da UICN, com certas subpopulações regionais classificadas em perigo crítico. A espécie está inscrita no Anexo I da CITES, que proíbe todo o comércio internacional, e protegida pela Convenção sobre as Espécies Migratórias (CMS).

As ameaças continuam a ser numerosas: recolha histórica e ainda atual da carne e dos ovos em certas regiões, captura acidental nas redes de pesca, degradação e iluminação artificial das praias de desova, plástico ingerido por confusão com medusas, e sobretudo o aquecimento climático — que, ao modificar a temperatura de incubação dos ninhos, já faz pender fortemente a proporção de nascimentos para as fêmeas em vários locais importantes.

O mergulhador responsável mantém a distância, nunca toca numa tartaruga pousada nem a persegue a nadar e evita qualquer iluminação direta e prolongada ao rosto. Nas praias de desova, nenhuma luz branca nem flash deve jamais ser utilizado perto de uma fêmea em desova ou de recém-nascidos a emergir.

Organizações a apoiar:

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. O nome vem da gordura, não da carapaça. A tartaruga-verde deve o seu nome à tonalidade esverdeada da sua gordura subcutânea, outrora procurada para a fabricação da célebre "sopa de tartaruga". A carapaça, essa, é castanha, verde-oliva ou quase negra consoante as populações — nunca verde.

2. Muda de regime à medida que cresce. Os juvenis são omnívoros, alimentando-se de pequenos invertebrados e medusas em plena água. À medida que crescem, transitam para um regime quase exclusivamente herbívoro uma vez instalados junto à costa — uma transição alimentar rara nos répteis marinhos, que faz dela a única tartaruga marinha adulta verdadeiramente vegetariana.

3. Pode suster a respiração várias horas. Em repouso, sob uma saliência ou encaixada numa anfractuosidade do recife, uma tartaruga-verde pode abrandar o metabolismo ao ponto de permanecer imersa várias horas sem subir para respirar — uma proeza fisiológica bem longe dos poucos minutos que se lhe atribuem ao vê-la nadar ativamente à superfície.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

A tartaruga-verde é um sujeito generoso: pousada no fundo ou deslizando em plena água, dá largamente tempo para compor um enquadramento, desde que nunca seja assustada.

Objetiva. Grande angular recomendada para planos de conjunto em plena água: 10-17 mm fisheye ou 14 mm retilínear em caixa estanque. Uma compacta ou uma GoPro com o seu campo nativo servem muito bem para cenas de repouso, onde a distância de trabalho é mais curta.

Luz. Às profundidades habituais de encontro (0-20 m), a luz natural basta para planos largos. Um flash ou faróis moderados revelam, em contrapartida, a textura das escamas da cabeça e a coloração exata da carapaça, frequentemente mais rica do que o olho percebe a essa profundidade.

Aproximação. Aproximar-se de lado e por baixo, nunca de frente nem por cima. Uma tartaruga pousada que levanta a cabeça ou começa a nadar indica que está perturbada — é o sinal para recuar, não para insistir. As melhores imagens vêm da paciência: ficar imóvel a alguns metros e deixar o animal retomar a sua atividade.

Erro clássico. Perseguir uma tartaruga que se afasta. Uma tartaruga-verde perturbada pode acelerar a velocidades que nenhum mergulhador alcança, e a insistência apenas estraga o encontro para todos. É preferível deixar a cena vir: posicionar-se no seu caminho provável e esperar, em vez de a perseguir.

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