Português
DivingDeal.com

Morsa

Odobenus rosmarus

O colosso do Ártico não se encontra debaixo de água: observa-se do convés de um zodiac.

Morsa (Odobenus rosmarus)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Carnívora, família dos Odobenidae
Nome científicoOdobenus rosmarus (Linnaeus, 1758)
TamanhoAté 3,6 m (machos); fêmeas: 2,4-2,8 m
PesoAté 1 500 kg (machos); fêmeas: 400-800 kg
DefesasAté 1 m nos machos mais velhos — caninos superiores de crescimento contínuo, usados para se içar na banquisa
Longevidade30-40 anos em estado selvagem
ProfundidadeMergulha habitualmente até 80 m, raramente além de 100 m
DietaBentívorobivalves, gasterópodes, vermes, holotúrias, ocasionalmente crustáceos
Estatuto UICNVulnerável (VU) — subespécie do Laptev classificada como dados insuficientes (DD)

RETRATO

Não se cruza uma morsa por acaso. Chega-se até ela no fim de uma expedição — cinco dias de mar, um quebra-gelo ou um veleiro polar, brumas que não levantam. É depois, uma manhã, uma praia de repouso aparece. Dezenas de corpos massivos, empilhados uns sobre os outros, grunhem e empurram-se num alarido gutural que se ouve a centenas de metros. O zodiac aproxima-se. As defesas erguem-se. O cheiro chega.

Odobenus rosmarus — literalmente "aquele que caminha com os dentes" — é o único pinnípedo que possui defesas. Estes caninos superiores hipertrofiados, que atingem um metro nos machos mais velhos, não servem para caçar nem para se alimentar. A morsa utiliza-os para se içar fora de água sobre a banquisa, para afirmar o seu lugar na hierarquia do grupo e, por vezes, para se defender dos ursos-polares. É uma ferramenta para tudo — um piolet natural cravado no gelo.

O animal é um especialista Ártico absoluto. Nunca desce abaixo do paralelo 55, não suporta águas temperadas e depende inteiramente da banquisa ou dos baixios costeiros para repousar entre os seus mergulhos alimentares. Num oceano que aquece, esta dependência torna-o particularmente frágil.

COMO RECONHECÊ-LA

A morsa não se confunde com nada. A sua silhueta massiva, a pele enrugada de um castanho-avermelhado, as defesas de marfim e o bigode ericado tornam-na identificável a várias centenas de metros — mesmo deitada no meio de um grupo compacto.

As vibrissas são o elemento mais impressionante após as defesas. O focinho apresenta entre 400 e 700 destes bigodes rígidos, curtos e sensíveis, dispostos em filas cerradas. Não são ornamentos: trata-se de um órgão sensorial de precisão. A morsa mergulha em águas opacas, frequentemente a zero graus, e vasculha os fundos vasosos em total escuridão. As vibrissas detetam os moluscos enterrados a vários centímetros sob o sedimento — pelo tato, não pela vista.

Os machos adultos distinguem-se por uma pele mais espessa, coberta de nodosidades (protuberâncias subcutâneas chamadas "boss") ao nível do pescoço e dos ombros, que servem de escudo durante os confrontos. As defesas dos machos são em geral mais longas e mais espessas do que as das fêmeas, mas o tamanho por si só não basta para determinar o sexo de um indivíduo: a massa corporal e a largura do pescoço são indicadores mais fiáveis.

Para legendas em português: inicie primeiro o vídeodepois clique na roda dentadano canto superior direito do vídeo, selecione «Legendas», depois «Traduzir automaticamente» e escolha «Português».

MODO DE VIDA

A morsa é um animal profundamente gregário. As colónias de repouso — chamadas haulouts — reúnem dezenas a milhares de indivíduos, comprimidos flanco contra flanco numa praia de cascalho ou numa placa de banquisa. Este contacto permanente não é imposto pela falta de espaço: é um comportamento social. Uma morsa isolada é uma morsa em má posição.

A hierarquia assenta no tamanho das defesas. Os machos com os caninos mais longos e mais espessos dominam os acessos às fêmeas e aos melhores lugares de repouso, sem necessariamente combater: a demonstração basta muitas vezes. Quando não basta, os confrontos são brutais — golpes de defesas no pescoço e nos ombros — mas raramente mortais.

A alimentação é bêntica. A morsa mergulha a 10-80 metros, encosta o focinho contra o fundo e varre o sedimento com as vibrissas para localizar os bivalves — amêijoas, mexilhões, berbigões — que aspira para fora da concha com a ajuda da sua língua poderosa e do efeito de sucção criado pela boca. Pode ingerir várias dezenas de quilos de moluscos por dia. Os mergulhos são curtos: 5 a 8 minutos em média, raramente mais de 25.

A reprodução é lenta. As fêmeas dão à luz uma única cria de dois em dois a três anos, após uma gestação de 15 meses que inclui uma implantação diferida. O vitelo permanece com a mãe dois anos, por vezes três. Esta lentidão reprodutiva torna as populações extremamente vulneráveis a qualquer sobremortalidade — uma lição que os caçadores do século XIX aprenderam ao esvaziar o Atlântico Norte.

ONDE OBSERVÁ-LA

A morsa é um animal Ártico. Não se cruza em mergulho, nem numa praia turística: é preciso ir procurá-la, em expedição, em costas que poucos navios frequentam. Eis os destinos onde a observação é mais acessível:

Svalbard (Noruega) — o destino mais acessível. O arquipélago de Svalbard, e em particular os arredores de Longyearbyen, tornou-se o primeiro ponto de acesso à morsa para os viajantes europeus. Os cruzeiros de expedição de junho a agosto costejam as costas de Spitsbergen, onde colónias estáveis ocupam haulouts bem repertoriados — Poolepynten, Sarstangen, as ilhas a nordeste. Os zodiacs aproximam-se a 30-50 metros. A luz polar, rasante 24 horas por dia no verão, oferece condições fotográficas excecionais.

Rússia — Terra de Francisco José e Ilha Wrangel. A Terra de Francisco José, um dos arquipélagos mais setentrionais do mundo, alberga populações de morsas do Pacífico e do Atlântico. A Ilha Wrangel, classificada como património mundial da UNESCO, acolhe haulouts massivos no final do verão — vários milhares de indivíduos numa mesma praia. O acesso requer uma autorização russa e um navio de expedição: é um destino raro e dispendioso, mas as concentrações estão entre as mais impressionantes do mundo.

Canadá Ártico — Baía de Hudson, Nunavut e Alto Ártico. As águas do Nunavut e da passagem do Noroeste albergam a subespécie atlântica. Os cruzeiros de expedição que percorrem a Passagem do Noroeste cruzam regularmente morsas sobre as placas de banquisa. Foxe Basin e a costa da ilha de Baffin são zonas conhecidas. A estação é curta: julho-agosto unicamente.

Gronelândia. As costas nordeste e noroeste da Gronelândia albergam populações atlânticas. A observação faz-se no contexto de cruzeiros árticos ou de estadias organizadas pelas comunidades inuit locais. Os efetivos são mais fracos do que no Svalbard, mas o isolamento é total.

Round Island, Alasca (Estados Unidos). Este pequeno ilhéu da baía de Bristol, no sudoeste do Alasca, é o único haulout terrestre regular de morsas machos nos Estados Unidos. Gerido pelo Alaska Department of Fish and Game, o local é acessível unicamente por avioneta e depois barco, com um número de visitantes estritamente limitado. A estação vai de maio a agosto, com um pico em julho.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Svalbard (Noruega)
Terra de Francisco José (Rússia)
Ilha Wrangel (Rússia)
Canadá Ártico
Gronelândia
Round Island, Alasca

Clique em cada botão para mostrar/ocultar

CONSERVAÇÃO

Odobenus rosmarus está classificado como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha da UICN. A população mundial é estimada entre 200 000 e 250 000 indivíduos, repartidos em três subespécies: a morsa do Atlântico (O. r. rosmarus), a morsa do Pacífico (O. r. divergens) e a morsa do Laptev (O. r. laptevi), sendo esta última tão pouco estudada que a UICN a classifica como dados insuficientes.

A história da morsa é a de um colapso seguido de uma recuperação parcial. A caça comercial dos séculos XVIII e XIX — pelo marfim, o óleo e o couro — dizimou as populações do Atlântico Norte, algumas das quais nunca recuperaram. A morsa desapareceu da Nova Escócia, do golfo de São Lourenço e do próprio Svalbard, de onde só regressou graças a décadas de proteção estrita.

Hoje, a ameaça principal são as alterações climáticas. A morsa depende da banquisa para repousar entre os seus mergulhos alimentares — sem ela, tem de regressar à costa, por vezes a dezenas de quilómetros das zonas de alimentação. Os haulouts terrestres sobrelotados que daí resultam provocam esmagamentos mortais, em particular entre as crias. A fusão da banquisa ártica, que perdeu cerca de 40 % da sua superfície estival desde os anos 1980, reduz diretamente o habitat disponível.

As outras ameaças incluem as perturbações ligadas ao tráfego marítimo crescente no Ártico, a poluição por hidrocarbonetos e poluentes orgânicos persistentes (POP), e a caça de subsistência praticada pelas comunidades autóctones — esta última sendo legal e enquadrada, mas sensível num contexto de populações frágeis.

O observador responsável respeita a distância de 30 metros recomendada pelas autoridades de Svalbard, desliga o motor do zodiac à aproximação do haulout e nunca desembarca numa praia ocupada. Uma colónia perturbada lança-se à água em massa — as crias são pisoteadas.

Organizações a apoiar:

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. Dorme a flutuar — na vertical. A morsa possui duas bolsas faríngeas (sacos de ar situados na garganta) que pode insuflar como boias. Ao enchê-las, flutua na vertical, com a cabeça fora de água, e pode dormir assim durante horas sem afundar. Este sistema permite-lhe repousar em pleno mar quando nenhuma banquisa nem praia está disponível — uma vantagem vital num Ártico onde o gelo recua.

2. As suas defesas nunca param de crescer. Tal como os incisivos dos roedores, as defesas da morsa crescem continuamente ao longo de toda a sua vida, à razão de alguns centímetros por ano. O desgaste e os choques encurtam-nas, mas um macho idoso que tenha evitado os confrontos pode apresentar caninos de um metro. As secções transversais das defesas, tal como os anéis de uma árvore, revelam a idade do animal, a sua dieta e até os seus períodos de stress fisiológico.

3. Consegue aspirar um bivalve para fora da concha sem a partir. A morsa não esmaga as suas presas. Encosta os lábios espessos e carnudos contra a concha de uma amêijoa ou de um mexilhão, retrai a sua língua massiva de um golpe seco e cria uma depressão tão poderosa que o molusco é arrancado da concha e aspirado para a boca. A concha fica intacta no fundo. Esta técnica, verificada pela análise dos conteúdos estomacais — que contém corpos moles mas quase nunca fragmentos de concha — é uma das mais elegantes do mundo animal.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

A morsa não se fotografa em mergulho: enquadra-se a partir de um zodiac, de um convés de navio ou — mais raramente — de uma posição em terra, a boa distância do haulout. As condições árticas impõem as suas próprias regras.

Objetiva. Teleobjetiva indispensável. Uma 100-400 mm (ou equivalente) cobre a maioria das situações: plano cerrado sobre um indivíduo a 30-50 metros, vista de conjunto do haulout a 100-200 metros. Uma 70-200 mm serve se o zodiac se aproximar, mas depressa se lamenta a falta de alcance. Uma grande angular (24-70 mm) é útil para as paisagens ou quando um indivíduo nada a poucos metros do barco — acontece.

Luz. No verão Ártico, o sol não se põe. A luz é rasante, dourada, e quase não muda durante horas — condições de sonho para a fotografia. Mas o ar está carregado de humidade e o nevoeiro cai sem aviso: proteger a ótica com um filtro UV e manter um pano seco à mão. As morsas molhadas brilham sob o sol rasante — vigiar as altas luzes nas defesas e no focinho.

Estabilidade. O zodiac mexe-se. Sempre. Subir a velocidade de obturação a 1/1000 s no mínimo, ativar a estabilização e apoiar os cotovelos contra o bordo insuflável do barco. Um monopé é inútil — o chão foge permanentemente. Os fotógrafos experientes trabalham em rajada curta e aceitam uma taxa de desperdício elevada.

Erro clássico. Fotografar o monte. Um haulout de 200 morsas faz uma imagem documental, não uma boa fotografia. Procurar o detalhe: uma cria que trepa para as costas da mãe, dois machos que cruzam as defesas, um indivíduo a bocejar — as defesas abertas, a língua visível, o olho entreaberto. É o gesto que faz a imagem, não a massa.

ESPÉCIES RELACIONADAS