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Urso-polar

Ursus maritimus

O maior carnívoro terrestre é um animal marinho.

Urso-polar (Ursus maritimus)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Carnívoros, família dos Ursídeos
Nome científicoUrsus maritimus (Phipps, 1774)
Tamanho2,40 a 3,00 m (machos); 1,80 a 2,40 m (fêmeas)
Peso400 a 700 kg (machos); 150 a 350 kg (fêmeas)
Velocidade40 km/h em terra; 10 km/h a nadar
Longevidade25 a 30 anos em meio natural
ProfundidadeMergulhos até 4-5 m documentados durante a caça
DietaHipercarnívorofoca-anelada, foca-barbuda, carcaças de baleias, aves marinhas, ovos
Estatuto UICNVulnerável (VU) — 22 000 a 31 000 indivíduos, população em declínio

RETRATO

O seu nome científico diz tudo: Ursus maritimus, o urso do mar. Classifica-se entre os carnívoros terrestres — é o maior deles — mas a sua vida inteira depende do oceano. Nasce em terra firme, numa toca escavada na neve, e passa depois o essencial da existência sobre a banquisa, essa plataforma de gelo marinho que não é terra nem água mas um pouco de ambas. É ali que caça, que se desloca, que dorme. Quando o gelo derrete sob as suas patas, nada.

E nada notavelmente. Indivíduos equipados com balizas GPS percorreram mais de 680 km de uma vez, nadando sem interrupção durante nove dias nas águas geladas do mar de Beaufort. Esta resistência aquática, única entre os ursídeos, levou alguns biólogos a considerá-lo um mamífero marinho por inteiro — ao mesmo título que as focas de que se alimenta. O Marine Mammal Protection Act norte-americano classifica-o aliás oficialmente como tal desde 1972.

O urso-polar não é um animal que se cruza em mergulho. Observa-se do convés de um navio de expedição, a distância respeitosa, nas paisagens mais vastas e silenciosas do planeta. É um encontro de outra ordem — não a intimidade da água partilhada, mas a presença de um predador soberano num mundo que parece pertencer-lhe apenas a ele.

COMO RECONHECÊ-LO

Não se confunde um urso-polar com o que quer que seja. É o único grande mamífero inteiramente branco — ou antes aparentemente branco — que percorre a banquisa. A silhueta é imediatamente reconhecível: um corpo maciço e alongado, um pescoço surpreendentemente comprido para um urso, uma cabeça relativamente pequena de perfil romano, e patas dianteiras desproporcionadas que lhe servem tanto de remos como de pás.

Vista de perto, a pelagem não é branca. Cada pelo é um tubo oco e transparente que difunde a luz — um princípio próximo do da própria neve. A pele, por baixo, é inteiramente preta: vê-se bem no focinho e nas almofadas plantares. Esta arquitetura confere-lhe um isolamento térmico formidável: o urso-polar quase não perde calor, ao ponto de ser praticamente invisível em imagiologia infravermelha.

As patas merecem atenção. Largas como pratos — até 30 cm de diâmetro — repartem o peso sobre o gelo fino e servem de remos a nadar. A planta é coberta de papilas e pelos que asseguram a aderência no gelo. As garras, curtas e robustas, são feitas para agarrar gelo e manter uma presa, não para trepar.

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MODO DE VIDA

O urso-polar é um caçador solitário e paciente. A sua técnica predileta é a espera: localiza um orifício de respiração de foca na banquisa, deita-se ao lado e espera — por vezes horas — que uma foca-anelada suba para respirar. A patada é então de uma violência fulminante. O seu olfato, o mais apurado de todos os ursídeos, permite-lhe detetar uma foca sob um metro de neve e gelo, a mais de um quilómetro de distância.

O ciclo anual é ditado pelo gelo. De novembro a junho, quando a banquisa é sólida, caça e acumula enormes reservas de gordura — um macho adulto pode ganhar 2 kg por dia. No verão, quando o gelo se fragmenta, entra num período de jejum forçado que pode durar quatro a cinco meses. É durante este período que se observam por vezes ursos em terra firme, a vasculhar lixeiras ou acampamentos — uma imagem que se tornou símbolo visual das alterações climáticas.

As fêmeas gestantes entram na toca entre outubro e novembro, escavada num monte de neve na encosta de uma colina. Dão à luz em dezembro ou janeiro, geralmente gémeos, cada um pesando apenas 600 gramas — menos de um milésimo do peso da mãe. As crias só sairão em março ou abril e ficarão com ela dois anos e meio, aprendendo as técnicas de caça e os caminhos da banquisa.

ONDE OBSERVÁ-LO

O urso-polar habita o conjunto da bacia ártica, repartido por 19 subpopulações em torno do polo Norte. Apenas um punhado de destinos permite observá-lo de forma fiável, a partir de navios de expedição ou veículos especializados. Não é um encontro de mergulho — é uma expedição.

Svalbard (Noruega). O arquipélago do Svalbard alberga cerca de 3 000 ursos-polares — mais do que habitantes humanos. Os cruzeiros de expedição partem de Longyearbyen entre junho e setembro e contornam o Spitsbergen pelo norte e pelo leste, bordejando a orla da banquisa. É o destino de referência para a observação a partir do navio: os ursos caçam no gelo à deriva, muitas vezes a poucas dezenas de metros do barco. A luz ártica de verão — 24 horas de dia — proporciona condições fotográficas excecionais.

Churchill (Canadá). Apelidada de «capital mundial do urso-polar», esta pequena cidade do Manitoba encontra-se na rota migratória da população da baía de Hudson ocidental. Todos os outonos, entre outubro e novembro, centenas de ursos convergem para o litoral à espera de que a baía gele. Observam-se a partir de veículos tundra buggy — engenhos sobrelevados concebidos para circular na tundra sem a degradar. É o único lugar no mundo onde se podem ver ursos-polares a partir de terra firme de forma regular e enquadrada.

Terra de Francisco José (Rússia). Este arquipélago de 192 ilhas, a 900 km do polo Norte, é uma das zonas mais remotas do Ártico. Os cruzeiros de expedição com partida de Murmansk acedem-lhe em quebra-gelo, de julho a agosto. Os ursos são numerosos e pouco habituados ao homem — as observações são frequentemente aproximadas. O acesso está sujeito a autorização das autoridades russas e as partidas são raras.

Gronelândia. A costa leste da Gronelândia, em particular o parque nacional do Nordeste — o maior parque nacional do mundo — alberga uma população isolada de ursos-polares. Os cruzeiros de expedição combinam icebergues monumentais, fauna ártica e locais históricos dos exploradores. A costa oeste, em torno da baía de Disko, proporciona observações mais ocasionais, frequentemente combinadas com a observação de baleias-jubarte.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Svalbard (cruzeiro)
Churchill (tundra buggy)
Terra de Francisco José
Gronelândia Leste (cruzeiro)
Gronelândia Oeste (baía de Disko)

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CONSERVAÇÃO

Ursus maritimus está classificado como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha da UICN desde 2006. A população mundial é estimada entre 22 000 e 31 000 indivíduos, repartidos por 19 subpopulações, algumas das quais em declínio acentuado — a população da baía de Hudson ocidental perdeu cerca de 30 % dos efetivos desde os anos 1980. A espécie é protegida pelo Acordo Internacional de 1973 sobre a Conservação dos Ursos-polares, assinado pelas cinco nações árticas.

A ameaça principal são as alterações climáticas. O urso-polar depende da banquisa para caçar focas. Ora a banquisa ártica de verão perdeu mais de 40 % da sua superfície desde 1979, e a estação sem gelo alonga-se em três semanas por década em certas regiões. Menos gelo significa menos tempo de caça, jejuns mais longos, fêmeas em pior condição e ninhadas mais pequenas. Os modelos climáticos projetam o desaparecimento quase completo da banquisa de verão antes de 2050 — um cenário que tornaria dois terços dos ursos-polares incapazes de se manter.

As ameaças secundárias incluem os poluentes orgânicos persistentes (POP), que se concentram na cadeia alimentar ártica e se acumulam na gordura dos ursos, os conflitos crescentes com as comunidades humanas quando os ursos famintos se aproximam das aldeias, e a pressão industrial (exploração petrolífera e gasífera, tráfego marítimo) em zonas outrora inacessíveis que o recuo da banquisa abriu à atividade humana.

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3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. A pelagem não é branca — é transparente. Cada pelo do urso-polar é um tubo oco, desprovido de pigmento, que difunde a luz ambiente. A aparência branca resulta do mesmo fenómeno ótico que torna a neve branca: a difusão da luz por estruturas translúcidas. Sob esta pelagem, a pele é inteiramente preta — um detalhe visível no focinho, nos lábios e nas almofadas plantares. Em jardins zoológicos, sob certas iluminações, ursos-polares chegaram a adquirir um tom esverdeado, devido a colónias de algas microscópicas alojadas nos tubos ocos dos pelos.

2. Consegue cheirar uma foca através de um metro de gelo. O olfato do urso-polar é provavelmente o mais apurado de todos os mamíferos terrestres. Consegue detetar uma foca deitada sob a neve a mais de um quilómetro, e localizar a carcaça de uma baleia encalhada a 30 km a sotavento. Os bulbos olfativos do cérebro são consideravelmente mais desenvolvidos do que os do urso-pardo, do qual divergiu há apenas 500 000 anos — uma especialização rápida, ditada pela necessidade de caçar numa paisagem onde a vista alcança longe mas a presa está escondida.

3. Nadou 687 km sem parar. Em 2011, uma fêmea equipada com um colar GPS no mar de Beaufort nadou 687 km em nove dias consecutivos, em água a 2-6 °C, para alcançar a banquisa em recuo. Perdeu 22 % da sua massa corporal durante o trajeto — e a cria não sobreviveu. Este recorde documentado ilustra ao mesmo tempo a resistência extraordinária da espécie e o custo crescente que o recuo da banquisa impõe aos indivíduos. As distâncias de natação aumentam à medida que o gelo recua mais longe das costas.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

O urso-polar fotografa-se a partir de um navio ou de um veículo, nunca a pé e nunca de perto. A distância de segurança — e a regulamentação da maioria dos locais — impõe um mínimo de 30 a 50 metros. Trata-se de fotografia de vida selvagem de terreno, não de fotografia submarina: as condicionantes são a distância, o movimento do navio e uma luz ora ofuscante, ora plana.

Objetiva. Uma teleobjetiva de 200-400 mm é o padrão. Uma 100-400 mm estabilizada cobre a maioria das situações — retrato cerrado do urso em caça como plano médio na paisagem. Um duplicador de focais (1.4x ou 2x) pode revelar-se útil para observações distantes. Levar também uma grande angular (24-70 mm) para as cenas de paisagem com urso no ambiente — estas imagens de contexto contam frequentemente melhor a história.

Luz. O Ártico no verão é um mundo de luz rasante e contínua. O sol não se põe (ou mal) entre junho e agosto no Svalbard, o que proporciona condições douradas a qualquer hora — mas também céus frequentemente velados e uma luz plana que achata os relevos. O branco da neve e do gelo engana os sensores: sobreexpor de +1 a +1,7 EV em relação à medição matricial, caso contrário o urso ficará cinzento e a neve também. Verificar o histograma a cada série.

Aproximação. Do convés de um navio, o movimento do barco impõe uma velocidade de obturação rápida: 1/1000 s no mínimo com teleobjetiva, 1/500 s com grande angular. Apoiar os cotovelos na amurada, não no corrimão (que vibra). A partir de um tundra buggy em Churchill, as vibrações são menores mas a distância por vezes maior — um monopé compacto é útil.

Erro clássico. Fotografar o urso demasiado cerrado, demasiado cedo, sem a paisagem. Um retrato de urso-polar assemelha-se a um retrato de urso-polar, independentemente do local. O que torna a imagem única é o contexto — a banquisa, o icebergue, a luz ártica, a escala do vazio em torno do animal. Começar largo e apertar quando o comportamento o justifique (caça, brincadeira, mãe e crias).

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