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Leão-marinho

Família Otariidae

O acrobata dos mares tem orelhas, caminha sobre as barbatanas e vem olhá-lo diretamente através da máscara.

Leão-marinho (Família Otariidae)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Carnívoros, família dos Otariidae (otárias e leões-marinhos)
Nome científicoFamília Otariidae (Gray, 1825) — 7 géneros, 15 espécies vivas
Tamanho1,5 a 3,5 m conforme a espécie e o sexo
Peso50 a 350 kg (macho de leão-marinho-de-steller: até 1 100 kg)
VelocidadeAté 40 km/h em ponta, 10-15 km/h em cruzeiro
Longevidade15 a 25 anos (até 30 anos em certas espécies)
ProfundidadeMergulhadoras regulares até 200 m, pontualmente além dos 400 m
DietaPeixes, lulas, crustáceos, por vezes pinguins nas espécies de maior porte
Estatuto UICNVariável conforme a espécie — de Preocupação menor (LC) a Em perigo (EN)

RETRATO

Há animais que vamos ver. E há aqueles que vêm ver-nos a nós. O leão-marinho pertence à segunda categoria. Surge do azul a toda a velocidade, trava a vinte centímetros da máscara, observa-nos um instante com a cabeça inclinada — e parte em pirueta, como se o encontro fosse um jogo cujas regras só ele conhece.

Os Otariidae formam uma família de mamíferos marinhos vulgarmente chamados «otárias» ou «leões-marinhos». Quinze espécies, distribuídas desde as águas subantárticas até aos trópicos das Galápagos. A palavra otária vem do grego otarion, «pequena orelha» — e é a primeira coisa que as distingue dos seus primos, as focas: os leões-marinhos possuem pequenos pavilhões auriculares visíveis do exterior, enquanto as focas têm apenas um orifício auditivo sem relevo.

Mas a diferença mais espetacular é locomotora. O leão-marinho caminha. As suas barbatanas anteriores, longas e poderosas, funcionam como braços; as posteriores rodam para a frente e sustentam-no no solo como pés. A foca, essa, rasteja — as suas barbatanas traseiras estão fixas para trás, inutilizáveis em terra. Debaixo de água, a distinção inverte-se de certa forma: o leão-marinho «voa» batendo as anteriores como asas, a foca ondula o corpo propulsando-se com as posteriores. O dimorfismo sexual é acentuado na maioria das espécies. O macho pode pesar três a cinco vezes o peso da fêmea e ostenta frequentemente uma juba espessa à volta do pescoço — daí o nome de «leão-marinho» em muitas línguas. Os machos dominantes defendem haréns nas praias de reprodução, e os combates entre rivais são violentos.

COMO RECONHECÊ-LO

Em mergulho, identifica-se um leão-marinho antes mesmo de o ver nitidamente: nenhum outro animal nada com esta combinação de velocidade, agilidade e curiosidade frontal. Lança-se direto ao mergulhador, gira à sua volta, sopra bolhas, mordisca as barbatanas — um comportamento que as focas, mais tímidas e menos ágeis, raramente adotam.

O corpo é fusiforme, mas mais alongado e mais flexível do que o da foca. As barbatanas anteriores são longas e achatadas, desprovidas de garras — são verdadeiras asas. As posteriores, mais curtas, dobram-se sob o corpo quando o animal se desloca em terra. O focinho é pontiagudo, os olhos grandes e negros, e as pequenas orelhas externas — o traço diagnóstico da família — são bem visíveis quando a cabeça emerge da água.

A pelagem é curta e densa, geralmente castanho-escura a castanho-dourada. Os machos adultos das grandes espécies (leão-marinho-de-steller, otária-de-juba) exibem um pescoço maciço, espessado pela gordura e pela pelagem, que lhes confere uma silhueta inconfundível. As fêmeas e os juvenis são mais finos, mais claros, e mais difíceis de distinguir entre espécies sem experiência.

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MODO DE VIDA

O leão-marinho reparte a sua vida entre dois mundos. Caça no mar — muitas vezes de noite, quando os peixes e as lulas sobem em direção à superfície — e repousa em terra, em colónias ruidosas, sobre as rochas, as praias e por vezes os cais dos portos. Algumas espécies afastam-se várias centenas de quilómetros da costa para pescar; outras nunca deixam as águas costeiras.

A caça é uma questão de agilidade, não de potência. O leão-marinho persegue as suas presas com mudanças de direção fulgurantes, explorando a manobrabilidade das suas longas barbatanas. Os mergulhos alimentares duram geralmente de 3 a 8 minutos. A otária-das-galápagos caça por vezes para lá dos 200 metros de profundidade, mas a maioria das espécies permanece nos primeiros 100 metros.

A reprodução segue um ciclo anual rígido. Os machos chegam primeiro às colónias, estabelecem territórios e combatem — por vezes até ao sangue — pelo direito de acasalar com as fêmeas que se lhes seguem. A gestação dura cerca de 11 meses, incluindo uma implantação diferida: o embrião só se fixa no útero várias semanas após a fecundação, o que permite à fêmea dar à luz e acasalar na mesma semana. Uma única cria por ninhada. A mãe alterna estadias de pesca no mar e amamentação em terra durante 6 a 12 meses — e reconhece a sua cria entre centenas graças a um duo de vocalizações único.

A inteligência destes animais está documentada há muito tempo. Os leões-marinhos são capazes de aprendizagem complexa, de compreensão de sequências lógicas e de cooperação social. É esta inteligência, combinada com a sua curiosidade natural, que torna os encontros subaquáticos tão especiais: o leão-marinho não está simplesmente presente, ele interage.

ONDE OBSERVÁ-LO

Os leões-marinhos vivem em todas as costas do oceano Pacífico, no Atlântico Sul, em torno da Austrália e da Nova Zelândia, e nas Galápagos. Eis os destinos onde os mergulhadores podem contar com encontros próximos:

GalápagosEquador. A otária-das-galápagos (Zalophus wollebaeki) é a espécie rainha para o mergulho. Endémica do arquipélago, classificada Em perigo pela UICN, é contudo omnipresente — nas praias, nos bancos públicos de Puerto Ayora, e sobretudo debaixo de água. Os juvenis são os mais brincalhões: vêm soprar bolhas na máscara do mergulhador, mordiscar as barbatanas, girar em espiral à sua volta. Gordon Rocks, North Seymour e Kicker Rock são locais onde as interações estão praticamente garantidas. Mergulho durante todo o ano, com um pico de brincadeira dos juvenis de janeiro a maio.

La Paz — mar de Cortez, México. Isla Espiritu Santo, a uma hora de barco de La Paz, alberga uma colónia de várias centenas de otárias-da-califórnia (Zalophus californianus). O local de Los Islotes é lendário: as jovens otárias lançam-se à água assim que os mergulhadores chegam e transformam cada imersão numa sessão de brincadeira. A visibilidade do mar de Cortez — frequentemente 15 a 25 metros — torna as imagens espetaculares. Melhor época: setembro a dezembro, quando os juvenis estão mais ativos e a água mais quente.

Baird Bay — Austrália Meridional. Um dos raros locais no mundo onde se pode nadar com a otária-da-austrália (Neophoca cinerea), espécie endémica do sul da Austrália classificada Em perigo. A colónia de Baird Bay, na península de Eyre, está habituada à presença humana: as saídas enquadradas em snorkeling permitem interações prolongadas em águas pouco profundas. A otária-da-Austrália é a única espécie que não migra — a colónia está presente durante todo o ano.

Hornby Island — Columbia Britânica, Canadá. As águas frias do estreito da Geórgia albergam colónias de leões-marinhos-de-steller (Eumetopias jubatus), a maior espécie de leão-marinho do mundo — os machos ultrapassam os 3 metros e os 1 000 kg. Os mergulhadores experientes podem observar estes gigantes desde as rochas submarinas onde descansam entre as caçadas. A água é fria (7-12 graus C), a visibilidade variável, e o animal é mais reservado do que os seus primos tropicais — mas o tamanho do animal compensa amplamente. Época: setembro a maio, quando as colónias estão ao completo.

Ilhas Farne — Northumberland, Reino Unido. Aqui, não se trata de leões-marinhos mas de focas-cinzentas (Halichoerus grypus) — os maiores pinípedes do Atlântico Norte. A distinção vale o desvio: a mesma curiosidade, a mesma tendência para mordiscar as barbatanas, mas um corpo mais maciço, um focinho mais largo e aquela ausência de orelhas externas que denuncia uma verdadeira foca. As Ilhas Farne albergam uma das maiores colónias do Reino Unido — mais de 5 000 indivíduos. A água é fria (8-14 graus C), mas as focas estão tão habituadas aos mergulhadores que as interações são das mais intensas do mundo dos pinípedes. Melhor período: julho a outubro.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Galápagos
La Paz (México)
Baird Bay (Austrália)
Hornby Island (Canadá)
Ilhas Farne (Reino Unido)

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CONSERVAÇÃO

O estatuto de conservação dos leões-marinhos varia fortemente de uma espécie para outra, refletindo histórias e pressões muito diferentes:

A otária-das-galápagos (Zalophus wollebaeki) está classificada Em perigo (EN). A população, estimada entre 20 000 e 50 000 indivíduos, sofre os efeitos repetidos do fenómeno El Niño, que aquece as águas de superfície e faz colapsar os stocks de peixes de que depende. Alguns episódios (1997-98, 2015-16) provocaram mortalidades massivas, em particular entre os juvenis.

A otária-da-austrália (Neophoca cinerea) está igualmente classificada Em perigo (EN), com uma população de cerca de 10 000 a 12 000 indivíduos — a mais pequena de todas as espécies de leões-marinhos. As capturas acidentais nas redes de pesca à lagosta e aos tubarões constituem a ameaça principal. A população nunca recuperou os efetivos anteriores à exploração comercial do século XIX.

A otária-da-califórnia (Zalophus californianus) encontra-se em muito melhor posição: classificada Preocupação menor (LC), com uma população de cerca de 250 000 indivíduos em crescimento. A sua capacidade de adaptação — coloniza pontões, boias e cais dos portos — permitiu-lhe tirar partido da proteção legal concedida em 1972 pelo Marine Mammal Protection Act.

A otária-de-juba (Otaria flavescens), ou leão-marinho-da-América-do-sul, está classificada Preocupação menor (LC), mas algumas populações locais estão em declínio. Os conflitos com as pescarias — a otária pilha as redes e as linhas — provocam ainda abates ilegais em vários países.

As ameaças transversais a todas as espécies incluem a poluição marinha (plásticos ingeridos, bioacumulação de metais pesados), a perturbação das colónias de reprodução, e o aquecimento dos oceanos que desloca ou reduz os stocks de presas.

O mergulhador responsável respeita a distância e deixa o animal vir até si — o que, com os leões-marinhos, geralmente não é problema. Não toca no animal, não o persegue, não bloqueia o seu acesso à saída, e permanece particularmente vigilante junto dos machos territoriais durante a época de reprodução: um macho de 300 kg a defender o seu harém não distingue um rival de um mergulhador.

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3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. Consegue dormir com apenas um hemisfério cerebral. Tal como os golfinhos, o leão-marinho pratica o sono uni-hemisférico: uma metade do cérebro dorme enquanto a outra permanece desperta. No mar, dorme à superfície deixando uma barbatana fora de água para regular a temperatura — uma postura que os marinheiros apelidaram de «veleiro». Em terra, pode entrar em sono completo, com ambos os hemisférios adormecidos, e ressona ruidosamente.

2. Os bigodes são um sonar passivo. As vibrissas do leão-marinho — os seus longos bigodes rígidos — detetam as perturbações hidrodinâmicas deixadas por um peixe em movimento. Experiências em laboratório demonstraram que um leão-marinho com os olhos vendados e os ouvidos tapados segue o rasto de um peixe-robo com precisão, unicamente graças às suas vibrissas, até 30 segundos após a passagem da presa.

3. Cada mãe e a sua cria têm um grito único. Numa colónia de vários milhares de indivíduos, o barulho é ensurdecedor. Contudo, quando uma fêmea regressa de vários dias de pesca no mar, encontra a sua cria em poucos minutos — entre centenas de juvenis idênticos — graças a um duo vocal aprendido nas primeiras horas após o nascimento. A mãe grita, a cria responde, e convergem um para o outro chamando-se mutuamente. O sistema é tão fiável que os biólogos o utilizam eles próprios para identificar os pares mãe-cria.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

O leão-marinho é um tema ao mesmo tempo formidável e exasperante. Formidável porque vem até nós, é fotogénico e adora a câmara. Exasperante porque é demasiado rápido, demasiado próximo e demasiado imprevisível.

Objetiva. Grande angular, sempre. Em caixa estanque: 10-17 mm fisheye ou 14-20 mm retilínear. Em GoPro: o campo nativo é ideal, e o modo vídeo estabilizado capta as acrobacias muito melhor do que uma rajada de fotografias. O leão-marinho passa a 30 centímetros do dome — uma objetiva longa não serve de nada.

Luz. A maioria dos encontros ocorre entre 3 e 15 metros, em águas frequentemente claras. A luz natural basta para os planos abertos. O flash ou os faróis são úteis para retratos aproximados — o brilho dos olhos negros do leão-marinho, iluminado de frente, produz imagens impressionantes. Mas atenção: um flash repetido pode perturbar o animal.

Aproximação. É o único tema subaquático em que a melhor estratégia é não se mexer. Pouse-se no fundo, fique imóvel, e deixe os leões-marinhos virem até si. Girarão à sua volta, encostam o focinho ao dome, soprarão bolhas — e ficarão mais tempo do que se os perseguir. O mergulhador que bate barbatanas atrás de um leão-marinho nunca o apanhará; aquele que para verá-o regressar.

Erro clássico. Disparar demasiado tarde. O leão-marinho está à nossa frente, no tempo de premir o disparador já está atrás de nós. A solução: passar para rajada, pré-enquadrar a zona por onde o animal vai passar, e disparar antes de ele entrar no campo. Em vídeo, filmar em contínuo durante toda a interação — os melhores planos são sempre aqueles que não tínhamos previsto.

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