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Cruzeiros · Indonésia

Adelaar — uma escuna histórica feita para mergulhar em pequenos grupos

O que torna este barco único

  • Construído em 1902 e renovado em 2011, o Adelaar combina a história de um antigo navio de carga com um interior clássico de madeira.
  • Com apenas oito passageiros, tem quatro cabines com casa de banho privada, ar condicionado regulável e espaço para mergulhadores e não mergulhadores.
  • O centro de mergulho dispõe de três compressores Bauer, nitrox por membrana, dois botes de apoio e cilindros de alumínio com válvulas DIN convertíveis para INT.
  • As rotas atravessam Komodo, Raja Ampat, o mar de Banda, Alor, Triton Bay e Kaimana, em cruzeiros de sete a onze dias.

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O convite

O Adelaar não tenta parecer um hotel novo. É uma escuna histórica, com uma vida anterior no transporte de carga e décadas passadas a navegar pela Indonésia, agora organizada à volta do mergulho em grupos muito pequenos. A escolha faz sentido para quem quer chegar a locais como Raja Ampat, Komodo, o mar de Banda ou Triton Bay sem passar a semana num barco cheio, e valoriza tanto a logística debaixo de água como o cuidado entre mergulhos. Oito passageiros deixam espaço para a equipa preparar o equipamento sem confusão e adaptar os mergulhos ao nível e aos interesses do grupo. Há mantas, tubarões, peixe-lua e macro, mas também correntes fortes em alguns dos mergulhos de grandes pelágicos. O Adelaar serve melhor quem quer mergulhar a sério, comer bem e viver a viagem num barco com identidade própria, não quem procura uma embarcação anónima de grande capacidade.

Subir a bordo

Ao chegar ao Adelaar, a primeira impressão vem da escuna: não é um casco desenhado ontem para parecer luxuoso, mas um barco com uma história visível na própria forma. Foi construído como navio de carga na Holanda, atravessou o Báltico durante décadas e chegou à Indonésia em 1993. A renovação de 2011 trocou o antigo ambiente de trabalho por um interior de estilo clássico, com paredes revestidas a teca e tetos altos. A bordo, a circulação é simples e o tamanho do grupo evita a sensação de fila constante. A ponte fica aberta aos passageiros; é possível ver a navegação, conversar com a equipa ou simplesmente acompanhar o horizonte. O barco mantém também o seu aparelho tradicional de escuna. No cais, percebe-se que o Adelaar não foi escolhido para apagar o passado, mas para o levar para os melhores arquipélagos de mergulho da Indonésia.

O ambiente a bordo

O ambiente é de barco pequeno, onde a tripulação deixa de ser uma presença distante ao fim de poucos dias. A equipa inclui dez marinheiros indonésios, um cruise manager ocidental que é instrutor PADI e um divemaster, com comunicação em inglês, alemão, francês e indonésio. O serviço descrito a bordo é muito concreto: o equipamento aparece preparado para cada mergulho, há chá de gengibre e snacks no regresso, e os guias têm paciência para quem fotografa devagar. A tripulação trabalha de forma discreta, mas está presente quando é preciso levantar uma mala, entrar no bote ou ajustar o plano do dia. À noite, a ponte fica aberta para uma conversa, um chá ou uma partida de xadrez. O resultado é uma convivência próxima sem obrigar todos a estar sempre juntos; há espaço para o grupo se formar e para cada pessoa se afastar quando precisa.

Os locais onde se mergulha

As rotas do Adelaar percorrem Komodo, Raja Ampat, o mar de Banda, Alor, Triton Bay e Kaimana. As partidas registadas duram entre sete dias e seis noites, no Komodo Exclusive, e onze dias e dez noites, em várias travessias entre Bali, Labuan Bajo, Maumere, Ambon, Sorong e Kaimana. Nos locais de Bali, Manta Point chega a -40m e procura-se a raia-manta; Batu Kelebit desce a -60m entre planaltos e pináculos, com atuns, barracudas e tubarões; Bias Tugel vai até -30m numa encosta coralina de macro; Gili Mimpang e Gili Tepekong chegam a -40m, com paredes, correntes, tubarões e possibilidade sazonal de Mola-Mola. Coral Garden de Tulamben atinge -30m e mistura recife natural, estruturas artificiais e vida macro. Crystal Bay chega a -45m e combina corrente fria com peixe-lua. Blue Corner e Jangka Point descem a -30m; o primeiro é um mergulho de corrente e pelágicos, o segundo acompanha manguezais e esponjas. Em Kaimana, Saruenus Island fica a cinco minutos de bote, Bo’s Rainbow chega a -16m, White Rock a -14m e Macro Rocks a -20m, com corais moles, wobbegongs, peixes-sapo e nudibrânquios.

O que se encontra debaixo de água

Nesta rota, tartarugas, tubarões de recife, peixe-lua, raias-manta, nudibrânquios, barracudas, atuns, carangídeos e cavalos-marinhos-pigmeus aparecem em vários locais, mas cada ponto muda a forma do encontro. As mantas podem ser procuradas nas estações de limpeza de Manta Point e Manta Sandy; em Crystal Bay, a corrente fria atrai Mola-Mola, e em Gili Mimpang o peixe-lua surge sazonalmente. Correntes fortes em Crystal Bay e Blue Corner alimentam mergulhos de grandes pelágicos, embora também exijam controlo e experiência. Há razões mais específicas para certas paragens: o mero-gigante só está registado em Saruenus Island; a tartaruga-verde, a enguia-jardineira, o cavalo-marinho e o peixe-batata aparecem apenas em Crystal Bay; a enguia, a anémona e o peixe-porco estão associados ao Coral Garden de Tulamben; a caranguejada-de-olhos-grandes surge em Gili Tepekong; e Batu Kelebit é o local indicado para procurar a gorgónia. Em White Rock procuram-se wobbegongs e peixes-sapo, enquanto Macro Rocks concentra nudibrânquios sobre areia branca.

Quem vos põe na água

A operação de mergulho é conduzida por um cruise manager que é instrutor PADI e por um divemaster, apoiados pela tripulação local. A equipa adapta o programa à experiência do grupo, às condições e ao interesse por macro ou grandes animais; os briefings são descritos como detalhados e informativos, não como uma explicação apressada antes da entrada na água. O equipamento é verificado e colocado no lugar para cada mergulho, o que retira trabalho repetitivo das costas do mergulhador. Cursos de mergulho e um guia privado podem ser organizados como serviços adicionais. A segurança inclui oxigénio médico com máscara e medidor de fluxo, ambu bag, primeiros socorros, rádio VHF/DSC/SSB, telefones móveis e satélite, EPIRB, sinalizadores, coletes e jangadas salva-vidas. A experiência exigida varia com a rota: alguns pontos têm corrente forte e os mergulhos de grandes pelágicos podem intimidar quem ainda está a ganhar confiança.

O convés de mergulho e o equipamento

O centro de mergulho foi pensado para a rotina de quem entra várias vezes na água. O equipamento é preparado pela equipa, há três compressores Bauer Capitano e os cilindros standard são de alumínio, com 80 pés cúbicos, cerca de 12 litros, equipados com válvulas DIN convertíveis para INT. Cilindros de 100 pés cúbicos, equivalentes a 15 litros, podem ser pedidos à parte. O nitrox é produzido a bordo por um sistema de membrana; a utilização do nitrox é um extra, tal como o aluguer de equipamento de mergulho. O convés tem sombra, plataforma de entrada na água, tanques de lavagem e duche exterior. Dois botes de alumínio, cada um com motor Yamaha de 60 HP e dois tripulantes, levam os mergulhadores aos locais e fazem a recolha depois da subida. Há adaptadores DIN, equipamento de emergência e oxigénio médico a bordo.

Entre dois mergulhos

Entre mergulhos, o Adelaar oferece lugares suficientes para sair do equipamento sem desaparecer do convívio. O convés de mergulho é sombreado, o salão tem ar condicionado e a área exterior serve para apanhar sol, ler ou conversar enquanto o barco navega. Há uma biblioteca, espaço para fotografia e uma sala de câmaras com lavagem separada, úteis para quem passa a viagem a rever imagens e a proteger o equipamento entre descidas. Em baías adequadas, o tempo pode ser passado num dos dois kayaks ou numa prancha de stand up paddle; as condições do mar é que decidem quando é seguro entrar. As excursões em terra e o guia naturalista acrescentam outra forma de conhecer as ilhas, sem fingir que o intervalo entre mergulhos precisa de ser preenchido a todo o momento.

Um dia a bordo

O dia começa com a preparação do equipamento e um briefing antes da primeira entrada na água. Depois, as refeições e os snacks encaixam-se entre os mergulhos, enquanto os botes levam os grupos aos pontos mais afastados e regressam para os recolher no local da subida. O tempo entre descidas serve para descansar à sombra, rever fotografias, conversar no salão ou procurar vida costeira de kayak e stand up paddle quando a baía e o mar permitem. A equipa pode ajustar o programa à corrente, ao tempo e ao nível dos mergulhadores, em vez de forçar a mesma sequência em todas as condições. Durante a navegação, a ponte é um lugar acessível para acompanhar o trabalho do comandante. Ao fim do dia, o convés abranda, a cozinha volta a reunir o grupo e cada mergulhador decide se quer prolongar a conversa ou deixar que o mar faça o resto.

O que se come a bordo

A cozinha é feita por chefs formados e combina pratos ocidentais com cozinha local indonésia. As refeições podem seguir um formato de pensão completa ou ser servidas à la carte, com opções vegetarianas e vegan para quem não come carne ou peixe. Há bebidas não alcoólicas, chá, café e snacks ao longo do dia; cerveja e vinhos também estão disponíveis, enquanto as bebidas alcoólicas ficam à parte. Num cruzeiro com várias entradas na água, a mesa não é decoração. É onde se recompõe o corpo depois do mergulho, se fala do animal que apareceu por segundos e se prepara a próxima descida sem transformar cada refeição numa operação demorada. Também é onde uma boa cozinha faz diferença: os passageiros encontram comida cuidada, serviço atento e flexibilidade para diferentes dietas, em vez de uma sequência indiferente de refeições de barco.

As noites no mar

As noites passam-se em cabines pequenas, privadas e funcionais, não em quartos de resort. A Stateroom 4, as Staterooms 2 e 3 e a Master Suite ficam no convés inferior, todas com vigia, casa de banho privativa, duche de água quente e ar condicionado regulável. O interior renovado usa madeira de teca e um estilo clássico de iate; há também um sistema de entretenimento nas cabines para quando o dia de mergulho termina. O que muda a experiência é a lotação: com oito passageiros no máximo, o barco não fica a trabalhar contra o próprio espaço. A limpeza diária mantém a cabine pronta para o regresso depois do mergulho, enquanto o salão climatizado oferece outro lugar para descansar. A noite no Adelaar é sobretudo uma pausa silenciosa entre dias intensos, com o mar do lado de fora da vigia e o equipamento já à espera da manhã seguinte.

Camarote 4

Camarotes 2&3

Suíte master

O que é preciso saber antes de embarcar

As rotas registadas partem e terminam em diferentes portos indonésios, incluindo Bali, Labuan Bajo, Maumere, Ambon, Sorong e Kaimana, conforme o itinerário escolhido. As transferências entre o aeroporto ou hotel e o porto estão incluídas e são organizadas para o embarque e o desembarque. Como os voos até estes pontos podem envolver ligações apertadas, chegar na véspera dá margem para atrasos e torna o embarque menos arriscado. O horário e o ponto exato da transferência são comunicados antes da partida.

Planta do barco

Ano de construção
1902
Ano de renovação
2011
Comprimento
38 m
Boca
5,5 m
Número máximo de passageiros
8
Número de cabines
4
Número de casas de banho
4
Motores
Mercedes Marine Diesel (380 cv)
Velocidade de cruzeiro
6,5 nós
Botes de apoio
2 botes de alumínio com motores de popa Yamaha de 60 cv
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