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Cruzeiros · Egito

Sunlight — uma base honesta para o Mar Vermelho remoto

O que torna este barco único

  • O Sunlight leva até 20 mergulhadores em dez cabines e foi renovado em 2019.
  • As rotas incluem Brothers, Daedalus, Elphinstone, Fury Shoals e Tiran, em cruzeiros de oito dias e sete noites.
  • O convés de mergulho tem sombra, plataforma, tanques de lavagem, adaptadores DIN, nitrox gratuito e dois botes de apoio.
  • A tripulação e a comida são os pontos mais fortes a bordo; o barco é confortável, mas não pretende ser um iate de luxo.

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O convite

O Sunlight é escolhido pelo mergulho que consegue entregar, não por uma promessa de hotel de luxo. As rotas levam a recifes remotos, paredes com corrente, naufrágios conhecidos e pontos onde os grandes peixes passam no azul. Brothers–Daedalus–Elphinstone é a escolha para quem procura tubarões e paredes oceânicas; North–Tiran combina naufrágios, Ras Mohamed e os recifes do estreito; Daedalus–Fury Shoals abre espaço para uma semana mais afastada das zonas costeiras. A bordo, o ganho está na logística: dormir já junto da rota, entrar na água a partir do próprio barco e usar os botes quando o mergulho é à deriva. O Sunlight não esconde a idade do casco, mas a renovação e a equipa compensam com uma operação que os passageiros descrevem como atenta, animada e muito bem organizada.

Subir a bordo

Ao chegar ao cais, o Sunlight apresenta-se como um barco de trabalho convertido numa casa de mergulho: casco de madeira, convés de teca e espaço pensado para equipamento, refeições e descanso. A construção remonta a 1999, mas a renovação de 2019 dá-lhe uma fase mais recente de vida e evita que a idade conte toda a história. Não é o barco mais luxuoso da frota; é uma diferença real, sobretudo para quem compara acabamentos e não apenas a lista de serviços. Em troca, há uma circulação simples entre o salão, a zona exterior e o convés de mergulho, sem a sensação de um navio feito para receber centenas de pessoas. Com vinte hóspedes no máximo, a tripulação depressa sabe quem precisa de ajuda com uma garrafa, uma máquina fotográfica ou uma entrada no bote. O ambiente torna-se familiar sem exigir intimidade.

O ambiente a bordo

O ambiente do Sunlight é social e direto. Com um grupo pequeno, as mesmas pessoas encontram-se no briefing, no bote, à mesa e no convés depois do jantar, e a semana ganha rapidamente o ritmo de uma equipa. Os passageiros regressam sobretudo com duas impressões: a comida mantém um nível muito alto e a tripulação está sempre disponível, sem deixar que a ajuda se transforme em cerimónia. O capitão Hamada conduz o Sunlight desde 2018; Islam trabalha a seu lado no convés e é conhecido por localizar grupos de golfinhos; Mahmoud cuida da hospitalidade e do serviço; Rashidy mantém a cozinha em movimento. À noite, o barco tende para conversas e convívio, não para um silêncio formal de hotel. É uma boa escolha para quem gosta de partilhar a semana com outros mergulhadores.

Os locais onde se mergulha

As rotas registadas do Sunlight duram oito dias e sete noites. A North–Tiran sai e regressa a Hurghada e junta os naufrágios do norte aos recifes Jackson, Woodhouse, Thomas e Gordon, no estreito de Tiran, onde a corrente cria mergulhos à deriva em paredes cheias de vida. A rota Brothers–DaedalusElphinstone liga Hurghada a Hurghada; a versão South Route liga Brothers, Daedalus e Elphinstone de Hurghada a Port Ghalib, enquanto outra parte e regressa a Port Ghalib. Brothers desce até 85 metros e combina paredes, planaltos, naufrágios e grandes pelágicos. Daedalus chega a 40 metros, com paredes abruptas e planaltos onde podem surgir tubarões-martelo e tubarões-oceânicos de pontas brancas. Elphinstone chega a 60 metros: paredes verticais, gorgónias e encontros possíveis com tubarões-oceânicos, martelos e tubarões-cinzentos. Daedalus–Fury Shoals parte e regressa a Port Ghalib; Fury Shoals reúne jardins de coral, formações duras e naufrágios para diferentes níveis. A rota norte também inclui Shaab El Erg, um recife em U entre 9 e 18 metros conhecido pelos golfinhos, e Gotha Abu Nugar North, um jardim de coral que chega apenas a 9 metros.

O que se encontra debaixo de água

Nesta rede de locais, as tartarugas são o encontro mais espalhado: aparecem em nove pontos, acompanhadas por golfinhos em seis. Tubarões de recife, tubarões-cinzentos, tubarões-martelo e anthias surgem em cinco locais; barracudas, napoleões, mantas e atuns aparecem em quatro. A corrente é parte do espetáculo: no estreito de Tiran empurra o mergulhador ao longo das paredes, enquanto Shaab Ruhr Umm Gamar oferece uma deriva natural onde podem aparecer tubarões-cinzentos de recife, atuns e o mero-gigante, registado apenas ali. Elphinstone é o ponto para procurar o tubarão de ponta negra, além dos tubarões oceânicos e martelos, e é também o único local desta rota onde estão registadas gorgónias e labros. Brothers tem anémonas entre a vida do recife. Fury Shoals acrescenta peixe-anjo e peixe-porco. Daedalus é o lugar do encontro específico com a carangueja-de-olhos-grandes. Em Shaab Sabina, o jardim raso até 14 metros guarda as donzelas; em Shaab El Erg, o peixe de vidro concentra-se entre os corais.

Quem vos põe na água

A equipa de bordo fala inglês e reúne capitão, guias de mergulho, pessoal de convés, cozinha, serviço e engenharia. O acompanhamento é próximo: a tripulação ajuda no equipamento, gere as entradas nos botes e adapta a operação às condições do mar e às preferências do grupo. Os briefings orientam o perfil do mergulho e a logística de recolha, especialmente nos pontos de corrente e nas paredes expostas. O barco dispõe de oxigénio, primeiros socorros, rádio VHF, GPS, radar, sonar, radiobaliza de localização, botes salva-vidas, coletes, alarmes e extintores; a tripulação tem formação em primeiros socorros. Não estão indicados o número de guias, o rácio por grupo, qualificações individuais, mínimo de mergulhos registados, desfibrilhador ou cursos realizados a bordo. O leitor deve escolher a rota de acordo com a própria experiência, sobretudo quando ela inclui corrente, paredes profundas e mar aberto.

O convés de mergulho e o equipamento

O convés de mergulho é coberto e termina numa plataforma de entrada na água. Tem estações de serviço, bacias de lavagem, espaço para fotografia, adaptadores DIN e apoio para mergulho sidemount. O nitrox está disponível gratuitamente, uma vantagem concreta numa semana com vários mergulhos e rotas profundas. O Sunlight leva dois botes de apoio, usados para deixar e recolher mergulhadores, sobretudo quando a corrente transforma o mergulho num percurso à deriva em vez de um regresso ao barco. A entrada faz-se pela plataforma, e os botes ampliam o alcance para lá do ponto onde o barco pode ficar fundeado. Existe duche de água quente para o regresso e o equipamento de aluguer pode ser pedido como extra. Não estão indicados o volume nem o material dos cilindros, o tipo de compressor, as marcas do equipamento ou a existência de uma mesa de montagem para fotografia; esses detalhes não devem ser presumidos.

Entre dois mergulhos

Entre dois mergulhos, o Sunlight oferece sombra no convés de mergulho, salão climatizado e zonas exteriores para escolher entre abrigo e vento. O terraço e o convés de observação servem para secar ao sol, rever fotografias ou simplesmente acompanhar a navegação sem ficar preso à cabine. Há uma área dedicada à fotografia e estações de carregamento, úteis quando cada mergulho acaba com uma máquina cheia de imagens e uma bateria vazia. A biblioteca e o entretenimento áudio e vídeo ficam para as horas em que o mar pede menos conversa. Quando a rota inclui uma tarde sem mergulho, o barco também permite receber não mergulhadores e praticantes de PMT. O intervalo é, portanto, menos uma espera e mais uma recuperação prática antes de voltar à água.

Um dia a bordo

O dia começa antes de o calor apertar, com o barco quieto ou já a navegar para o próximo ponto e a equipa a preparar o primeiro briefing. Depois vêm o equipamento, a entrada pela plataforma ou o transporte no bote e o regresso a uma refeição pronta. Entre mergulhos, há tempo para lavar o material, encher a garrafa, comer, dormir uma sesta curta e voltar ao convés quando o barco muda de posição. Nas rotas do norte, o programa pode alternar jardins de coral, naufrágios e mergulhos à deriva; nas rotas do sul, a navegação leva ao isolamento de Brothers, Daedalus e Elphinstone. O ritmo não é o de uma excursão diária: o barco dorme perto dos locais e a equipa decide a sequência conforme o mar e o grupo. Ao fim do dia, um mergulho noturno pode fechar a série, seguido de jantar e preparação silenciosa para o briefing seguinte. Não há horários fixos publicados para cada etapa.

O que se come a bordo

A cozinha é dirigida por Rashidy, que trabalha na cozinha do Sunlight desde 2017, depois de mais de quinze anos na equipa. As refeições são servidas em buffet e combinam cozinha local com pratos ocidentais, peixe, carne, aves, opções vegetarianas e vegan. Há fruta, sobremesas e pequenos lanches ao longo do dia, exatamente o que faz falta quando o intervalo entre mergulhos é curto e o apetite aparece antes da próxima entrada na água. Pedidos alimentares específicos, incluindo opções sem glúten, são acomodados. Água mineral, chá, café instantâneo e bebidas não alcoólicas estão disponíveis a bordo; cerveja e vinho podem ser pré-encomendados. A mesa não é uma pausa decorativa: numa semana de mergulho, é onde se repõem forças, se contam os animais vistos e se decide quem ainda tem energia para o mergulho seguinte.

As noites no mar

As noites passam-se em cabines com ar condicionado e casa de banho privada, sobretudo no convés inferior, onde as janelas são vigias. Há cabines Deluxe Suite, Deluxe Twin/Double, Standard Lower Deck e Lower Deck Double Cabin, por isso a escolha muda bastante a sensação de espaço e de cama. O essencial é simples: fechar a porta, secar o fato e deixar o corpo recuperar para o dia seguinte. O salão interior climatizado serve de abrigo quando o vento sobe, enquanto o terraço e o convés de observação dão outro ritmo depois do jantar. A cabine não é o lugar onde se passa a viagem; é onde se dorme entre uma saída e outra. Quem procura silêncio absoluto deve lembrar-se de que continua num barco vivo, com motores, bombas e movimento de bordo.

Suíte de luxo

twin/duplo de luxo

Camarote standard, convés inferior

Camarote duplo, convés inferior

O que é preciso saber antes de embarcar

As partidas registadas começam em Hurghada e terminam em Hurghada ou Port Ghalib, conforme a rota. As viagens que incluem Port Ghalib podem partir e regressar a esse porto. A transferência de aeroporto está incluída e é organizada entre o aeroporto e o ponto de embarque ou desembarque; o passageiro deve fornecer os dados do voo para que a operação seja combinada. Como os portos variam, chegar na véspera é o conselho mais seguro, sobretudo para uma rota com partida em Port Ghalib.

Ano de construção
1999
Ano de renovação
2019
Comprimento
34
Boca
7
Número máximo de passageiros
20
Número de cabines
10
Número de casas de banho
12
Motores
2 × Mercedes MTU Marine 650 cv
Velocidade de cruzeiro
13 nós
Botes de apoio
2
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