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Atoba-de-pés-azuis

Sula nebouxii

Os seus pés são de um azul impossível. A sua dança é absurda. O seu mergulho é perfeito.

Atoba-de-pés-azuis (Sula nebouxii)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Suliformes, família dos Sulídeos
Nome científicoSula nebouxii (Milne-Edwards, 1882)
Tamanho76 a 84 cm de comprimento, envergadura de 1,50 m
Peso1,5 kg (fêmea ligeiramente mais pesada do que o macho)
VelocidadeAté 97 km/h em voo picado na entrada na água
Longevidade15 a 20 anos
ProfundidadeMergulha até 25 m, caça principalmente entre 0 e 12 m
DietaPiscívoro — sardinhas, anchovas, carapaus, cavalas, peixes-voadores, lulas
Estatuto UICNPouco preocupante (LC) — população estimada em cerca de 80 000 casais

RETRATO

Não se esquece. Não por causa do tamanho, não por causa da raridade — por causa dos pés. De um azul-turquesa tão franco, tão saturado que parece pintado. O atoba-de-pés-azuis é uma das aves mais fotografadas do Pacífico oriental, e é inteiramente merecido: tudo nele parece concebido para prender a atenção. A cor impossível das palmípedes. O olhar fixo dos olhos amarelo-palha, orlados de escuro. E sobretudo aquele andar — deliberado, quase teatral — que adota diante da sua parceira no momento da parada.

Sula nebouxii é um atoba, ou seja, uma ave marinha de alto-mar, prima dos gansos-patola e dos atobas-pardos. O nome de "atoba" tem origem no português antigo, e o inglês booby vem do espanhol bobo — o tolo — designando a facilidade com que estas aves se deixavam capturar pelos marinheiros, incapazes de compreender o perigo que representavam. Mas nada há de tolo na maneira como esta ave ganha a vida: caça em voo picado, de uma altitude de vinte a trinta metros, recolhendo as asas uma fração de segundo antes do impacto para penetrar a superfície como um dardo.

Nidifica no solo, em ilhas áridas do Pacífico oriental, das Galápagos ao golfo da Califórnia. Vê-se a partir do barco, da praia, da falésia — e, para os mergulhadores e praticantes de snorkeling que têm essa sorte, a partir da água, quando um grupo de atobas começa a bombardear a superfície sobre um cardume de sardinhas.

COMO RECONHECÊ-LO

O atoba-de-pés-azuis não se confunde com nenhuma outra ave marinha, desde que se lhe vejam os pés. Em voo, assemelha-se aos seus primos — silhueta fuselada, asas compridas e estreitas, bico pontiagudo. Pousado, o diagnóstico é imediato: as palmípedes são de um azul vivo, por vezes tendendo para o turquesa, por vezes mais próximo do cobalto conforme o estado de saúde e a alimentação do indivíduo.

A plumagem é castanho-chocolate na parte superior, branca no ventre e no peito. A cabeça e o pescoço são estriados de castanho e branco, conferindo um aspeto raiado característico. O bico, cinzento-azulado, é comprido, cônico e finamente serrilhado nas margens — uma adaptação para segurar o peixe debaixo de água. Os olhos, amarelo vivo no macho, mais escuros na fêmea, estão orientados para a frente, oferecendo uma visão binocular essencial para avaliar a distância do peixe durante o mergulho.

O dimorfismo sexual é discreto mas detetável: a fêmea é ligeiramente maior, as suas pupilas parecem mais largas e emite um som grave, um grasnido rouco, enquanto o macho assobia — um assobio agudo, algo queixoso, que se ouve ao longe nas colônias.

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MODO DE VIDA

O atoba-de-pés-azuis é um caçador aéreo. Avista as presas em voo, a uma altitude de 15 a 30 metros, e depois mergulha recolhendo as asas ao longo do corpo. A entrada na água faz-se a uma velocidade que pode atingir 97 km/h. Sacos aéreos subcutâneos protegem o crânio do impacto, e as narinas, soldadas, impedem a água de penetrar nas vias respiratórias. A captura dá-se abaixo da superfície, frequentemente nos primeiros metros, por vezes até 25 m de profundidade. A ave pode permanecer submersa durante vários segundos.

A caça é muitas vezes coletiva. Quando um grupo deteta um cardume, os atobas mergulham em conjunto — por vezes dezenas de aves em sucessão rápida, crivando a superfície como uma chuva de projéteis. O espetáculo, visto a partir de um barco ou de dentro de água, é avassalador.

A parada nupcial é o outro grande espetáculo. O macho planta-se diante da fêmea e começa por levantar um pé, depois o outro, com uma lentidão deliberada — uma dança lenta e solene, as palmípedes azul vivo estendidas ao sol. Oferece em seguida um pau ou uma briza de erva, aponta o bico para o céu (sky-pointing) e assobia. A fêmea observa, avalia e escolhe — ou não. Porque a cor dos pés não é decorativa: é um indicador fiável da condição física do macho. O azul provém de pigmentos carotenoides adquiridos pela alimentação à base de peixe fresco, e a sua concentração reflete a qualidade da dieta e a ausência de parasitas. Um macho com pés azul vivo é um macho bem alimentado. Um macho com pés baços tem menos hipóteses.

A fêmea põe dois ou três ovos diretamente no solo, num círculo de guano que delimita o território. A incubação dura cerca de 41 dias, assegurada por ambos os progenitores — que aquecem os ovos sob as palmípedes, por falta de placa incubadora desenvolvida.

ONDE OBSERVÁ-LO

O atoba-de-pés-azuis vive exclusivamente no Pacífico oriental, das costas do México ao norte do Peru. Alguns destinos concentram as colônias mais acessíveis:

Galápagos — North Seymour e Espanola. É aqui que o atoba-de-pés-azuis se tornou um ícone. O arquipélago alberga cerca de metade da população mundial reprodutora. Em North Seymour, as aves nidificam a poucos metros do trilho e deixam-se aproximar sem fugir — a familiaridade com o ser humano é total, não tendo os animais predadores terrestres. Espanola, mais a sul, acolhe a subespécie excisa e oferece o espetáculo combinado dos atobas-de-pés-azuis, dos albatrozes-das-Galápagos e das iguanas-marinhas. A parada nupcial decorre durante todo o ano, com um pico de junho a agosto.

Equador continental — Isla de la Plata. Apelidada de "as Galápagos dos pobres", esta pequena ilha ao largo de Puerto Lopez alberga uma colônia importante e facilmente observável a partir de trilhos sinalizados. O acesso de barco demora 90 minutos, e a saída combina-se frequentemente com a observação de baleias-jubarte de junho a setembro. Uma alternativa realista para quem não pode ir até as Galápagos.

México — Isla Isabel e Baja Califórnia. Isla Isabel, ao largo de San Blas (Nayarit), é um parque nacional onde nidificam milhares de atobas-de-pés-azuis, a par de fragatas e de atobas-pardos. Mais a norte, o golfo da Califórnia — o mar de Cortez — alberga várias colônias insulares (Isla San Pedro Martir, Isla Espiritu Santo). Os mergulhadores que exploram os locais de La Paz veem regularmente os atobas a mergulhar à sua volta.

Peru — Islas Ballestas e costa norte. As Ballestas, ao largo de Paracas, contam apenas com uma pequena colônia, mas a fauna marinha combinada — lobos-marinhos, pinguins-de-Humboldt, pelicanos — faz dela uma excursão notável. As colônias mais importantes encontram-se mais a norte, na costa de Piura e Tumbes, perto da fronteira equatoriana.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Galápagos (North Seymour)
Galápagos (Espanola)
Equador (Isla de la Plata)
México (Isla Isabel)
México (Baja Califórnia)
Peru (Islas Ballestas)

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CONSERVAÇÃO

Sula nebouxii está classificado como Pouco preocupante (LC) na Lista Vermelha da UICN, com uma população mundial estimada em cerca de 80 000 casais reprodutores. A espécie não está globalmente ameaçada, mas conhece flutuações acentuadas, em particular nas Galápagos.

A principal inquietação é local. A população nidificante das Galápagos caiu cerca de 50% entre os anos 1960 e os anos 2010, passando de 20 000 casais para menos de 10 000. As causas são múltiplas: os episódios El Niño aquecem as águas e dispersam os cardumes de sardinhas de que a ave depende, provocando falhas massivas de reprodução. A redução do recurso piscícola — ligada à sobrepesca industrial ao largo da América do Sul — diminui a disponibilidade de carotenoides e, por consequência, a capacidade dos machos para atrair as fêmeas. O círculo é direto: menos peixe, pés mais baços, menos casais formados, menos crias.

As espécies invasoras constituem a outra ameaça. Os ratos e os gatos introduzidos em certas ilhas atacam os ovos e as crias. Os programas de erradicação conduzidos pela Fundação Charles Darwin e pelo Parque Nacional das Galápagos mostraram resultados encorajadores nas ilhas tratadas.

O mergulhador ou o visitante que observa atobas-de-pés-azuis pode contribuir respeitando as distâncias mínimas (2 metros nas Galápagos), não saindo nunca dos trilhos sinalizados nas colônias e comunicando as suas observações através de plataformas de ciência cidadã como o eBird.

Organizações a apoiar:

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. Os pés perdem a cor em 48 horas quando não come. A cor azul das palmípedes assenta em pigmentos carotenoides fornecidos pelo peixe fresco. Estes pigmentos não são armazenados: circulam no sangue e renovam-se permanentemente. Se um atoba deixar de se alimentar — doença, El Niño, stress — os pés viram para um cinzento-azulado baço em menos de dois dias. As fêmeas detetam esta variação e recusam acasalar com machos de pés descoloridos. A cor não é um ornamento: é um boletim de saúde em tempo real.

2. Pratica o fratricídio facultativo. A fêmea põe geralmente dois ovos com alguns dias de intervalo. A primeira cria a eclodir é maior e mais forte do que a segunda. Quando a comida abunda, ambas sobrevivem. Quando escasseia, a mais velha expulsa a mais nova do ninho — que morre de fome ou de frio. Este mecanismo, chamado siblicídio facultativo, é uma estratégia evolutiva: a mãe aposta em duas crias quando as condições o permitem e numa só quando deixam de o permitir.

3. As narinas são soldadas — respira pelas comissuras do bico. Para mergulhar a 97 km/h sem que a água se precipite pelas vias respiratórias, as narinas externas do atoba-de-pés-azuis estão inteiramente fechadas. O ar entra por duas fendas estreitas situadas na base do bico, protegidas por pregas cutâneas. Esta adaptação, comum a todos os Sulídeos, explica também por que razão o atoba não pode arfar para regular a temperatura: utiliza em seu lugar o palpitar gular, uma vibração rápida da pele da garganta que dissipa o calor.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

O atoba-de-pés-azuis é um tema de uma facilidade desconcertante — em terra. Em voo ou em mergulho, é outra história.

Em terra (colônias). A ave não foge. Nas Galápagos, permanece pousada a um metro do trilho e observa quem passa com total indiferença. A armadilha é o excesso de proximidade: uma 24-70 mm basta largamente, uma teleobjetiva de 100-400 mm é inútil e até incomoda. Baixar-se ao nível do animal muda tudo: os pés azuis em primeiro plano, o olhar da ave à altura dos olhos, o horizonte de lava em pano de fundo. A luz da manhã (antes das 9 h) ou do fim da tarde (após as 16 h) evita as sombras duras sob o bico.

A parada. É a cena a captar. O macho levanta os pés em câmara lenta — cada passo dura vários segundos. Em modo de rajada, obtém-se a sequência completa. O sky-pointing (bico para o céu, asas entreabertas) é o gesto mais fotogênico. Ficar imóvel e a boa distância: a ave não se interrompe se ninguém se mover.

O mergulho. Muito mais difícil. A partir de um barco, uma 70-200 mm estabilizada com uma velocidade de obturação de pelo menos 1/2000 s congela a entrada na água. A partir de dentro de água, o espetáculo é extraordinário mas imprevisível: veem-se torpedos brancos a perfurar a superfície, a travar com um golpe de palmípedes, a agarrar um peixe e a subir em poucos segundos. Uma caixa estanque com grande-angular e uma boa dose de paciência são as únicas ferramentas.

Erro clássico. Esquecer os pés. O tema número um é o azul. Enquadrar a ave inteira sem incluir as palmípedes na composição é perder o essencial. As melhores imagens são frequentemente as mais simples: um plano cerrado nos dois pés azuis pousados na rocha negra.

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