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Pinguim-rei

Aptenodytes patagonicus

O segundo maior pinguim do mundo ostenta uma coroa de ouro.

Pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Sphenisciformes, família dos Spheniscidae
Nome científicoAptenodytes patagonicus (Miller, 1778)
Tamanho85 a 95 cm de pé
Peso9 a 16 kg (varia conforme a fase de reprodução)
Velocidade~8 km/h a nadar, picos de 12 km/h
Longevidade25 a 30 anos em meio natural
ProfundidadeMergulhos correntes a 100-200 m, recorde registado acima dos 300 m
DietaPiscívoropeixes-lanterna (mictofídeos), pequenas lulas, krill
Estatuto IUCNPouco preocupante (LC) — população mundial estimada em 3,2 milhões de casais

RETRATO

Ouve-se antes de se ver. Desde o convés de um navio de expedição, a colónia de pinguins-rei manifesta-se primeiro por um zumbido contínuo — dezenas de milhares de gritos sobrepostos, cada adulto a chamar o seu parceiro ou a sua cria por uma assinatura vocal única. Depois a praia aparece, e compreende-se de imediato a escala: uma maré viva, compacta, laranja e preta, que ocupa cada metro quadrado de terreno plano até ao sopé das moreias.

Aptenodytes patagonicus é o segundo maior pinguim do mundo, logo atrás do pinguim-imperador, de quem é o parente mais próximo. Mede até 95 cm e pesa entre 9 e 16 kg conforme o momento do ciclo reprodutivo — um ciclo tão longo que constitui uma anomalia no reino animal. Enquanto a maioria das aves completa a reprodução em poucos meses, o pinguim-rei precisa de 14 a 16 meses entre a postura e a emancipação da cria. É o ciclo de reprodução mais longo de todas as aves.

O que impressiona ao primeiro olhar é a cor. Duas manchas auriculares de um laranja dourado intenso emolduram a cabeça, prolongam-se em vírgula pelos lados do pescoço e fundem-se num plastrão amarelo vivo no alto do peito. O dorso é cinzento-ardósia, o ventre branco imaculado. Vista de perto, a mandíbula inferior apresenta uma faixa cor-de-rosa alaranjada — um pormenor subtil que basta para o distinguir do pinguim-imperador, cujo bico é mais baço.

COMO RECONHECÊ-LO

O pinguim-rei é o único grande pinguim das ilhas subantárticas — o seu tamanho, por si só, distingue-o de todas as outras espécies presentes nos mesmos locais. De pé, ultrapassa em 20 a 30 cm os pinguins-papua e os pinguins-de-penacho que nidificam nas proximidades.

As manchas auriculares cor de laranja vivo, em forma de gota invertida, são o sinal distintivo mais imediato. São visíveis a várias dezenas de metros e não se encontram em nenhuma outra espécie subantártica. O alto do peito é banhado por um amarelo dourado que se esbate progressivamente em direção ao branco do ventre — uma transição mais nítida e mais viva do que no pinguim-imperador, cujo amarelo tende mais para o limão pálido.

As crias, por seu lado, não se parecem em nada com o que se esperaria. Cobertas por uma espessa penugem castanho-chocolate que as faz parecer maiores do que os pais, foram durante muito tempo consideradas uma espécie à parte — os primeiros naturalistas tinham-lhes chamado "pinguins lanudos". Conservam esta penugem durante 10 a 13 meses, uma das permanências no ninho mais longas do mundo das aves.

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MODO DE VIDA

O pinguim-rei não constrói ninho. Incuba o seu único ovo sobre o dorso dos pés, protegido por uma dobra de pele ventral quente e vascularizada chamada bolsa incubadora. O casal reveza-se a cada duas a três semanas: enquanto um adulto choca, o outro parte para o mar para se alimentar, por vezes a 400 km da colónia.

O ciclo de reprodução, que dura 14 a 16 meses, cria um desfasamento permanente. Um casal que consegue reproduzir-se com sucesso num ano não pode recomeçar no mesmo momento no ano seguinte — começa mais tarde, depois ainda mais tarde, até saltar uma temporada inteira. Na prática, um pinguim-rei consegue duas reproduções bem-sucedidas em três anos, no melhor dos casos.

No mar, o animal é um mergulhador de exceção. Desce correntemente entre 100 e 200 metros para capturar peixes-lanterna — pequenos peixes mesopelágicos bioluminescentes que constituem o essencial da sua dieta. O recorde de profundidade registado ultrapassa os 300 metros, com apneias de mais de 8 minutos. Entre duas sequências de mergulho, pode passar vários dias no mar sem regressar a terra.

As colónias são imensas. As maiores reúnem mais de 100 000 casais reprodutores em poucos quilómetros quadrados de praia e planície relvada — uma densidade que impõe uma organização social notável. Cada adulto reconhece o seu parceiro e a sua cria pela voz entre dezenas de milhares de gritos simultâneos, graças a um sistema de reconhecimento vocal individual dos mais estudados do reino animal.

ONDE OBSERVÁ-LO

O pinguim-rei vive exclusivamente nas ilhas subantárticas e na ponta austral da América do Sul. O acesso faz-se por navio de expedição, na maioria das vezes com partida de Ushuaia, da Cidade do Cabo ou de Hobart. Eis os destinos principais:

Geórgia do Sul — Salisbury Plain, St Andrews Bay, Gold Harbour. É o destino rainha. A Geórgia do Sul alberga, por si só, mais de metade da população mundial de pinguins-rei. Salisbury Plain acolhe cerca de 250 000 casais — a maior colónia da espécie. St Andrews Bay rivaliza em dimensão. Gold Harbour, mais pequeno, oferece um cenário de glaciares e montanhas que faz dele um dos locais mais fotografados da Antártida. O acesso faz-se por navio de expedição a partir das ilhas Falkland ou de Ushuaia, com desembarque em zodiac na praia.

Ilhas Falkland (Malvinas) — Volunteer Point. A maior colónia das Falkland, com cerca de 1 500 casais, encontra-se em Volunteer Point, na ilha oriental. O local é acessível por via terrestre a partir de Stanley — um trajeto de 2 horas em pista — o que faz dele um dos raros lugares no mundo onde se podem aproximar pinguins-rei sem navio de expedição. As aves nidificam numa praia de areia branca, a poucos metros dos visitantes.

Crozet e Kerguelen — Terras Austrais Francesas. As ilhas Crozet albergam a segunda maior população mundial, com mais de 700 000 casais repartidos por várias colónias. O arquipélago das Kerguelen acolhe igualmente uma população importante. O acesso é muito restrito: sem turismo comercial regular, apenas o Marion Dufresne, o navio de abastecimento das TAAF, ou raras expedições privadas.

Ilha Macquarie — Austrália. Classificada como Património Mundial da UNESCO, a ilha Macquarie alberga cerca de 150 000 casais. Visita-se em navio de expedição com partida de Hobart (Tasmânia), nos itinerários rumo à Antártida pelo Pacífico. Os desembarques são estritamente regulamentados pelo governo da Tasmânia.

Terra do Fogo — Chile. Uma pequena colónia vive no parque Pingüino Rey, na ilha da Terra do Fogo chilena, perto de Porvenir. É a única colónia continental da América do Sul, estabelecida naturalmente desde os anos 2010. O acesso é simples a partir de Punta Arenas por ferry. A colónia é modesta — algumas dezenas de casais — mas é a mais acessível de todas.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Geórgia do Sul
Ilhas Falkland
Crozet / Kerguelen
Ilha Macquarie
Terra do Fogo (Chile)

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Os pinguins-rei estão presentes nas suas colónias durante todo o ano graças ao ciclo de reprodução desfasado, mas os navios de expedição só operam durante o verão austral (outubro a março). A época alta (novembro a janeiro) oferece as melhores condições meteorológicas e a maior atividade nas colónias.

CONSERVAÇÃO

Aptenodytes patagonicus está classificado como Pouco preocupante (LC) na Lista Vermelha da IUCN. A população mundial é estimada em cerca de 3,2 milhões de casais reprodutores, em aumento há várias décadas — um contraste marcante com o declínio de muitas outras aves marinhas. A espécie recuperou largamente da exploração industrial dos séculos XIX e XX, quando centenas de milhares de indivíduos eram abatidos pelo seu óleo nas ilhas subantárticas.

As ameaças atuais são principalmente climáticas. O aquecimento do oceano Austral empurra para sul a frente polar e os cardumes de peixes-lanterna de que a espécie depende. Os adultos precisam então de percorrer distâncias cada vez maiores para se alimentar, o que alonga ainda mais um ciclo de reprodução já extremo e diminui a taxa de sobrevivência das crias. Modelos publicados na Nature Climate Change estimam que 70 % da população mundial de pinguins-rei poderá ser forçada a deslocar-se ou a desaparecer até ao final do século, se o aquecimento prosseguir ao ritmo atual.

A predação por skuas (ovos e crias), otárias e orcas (adultos no mar) é natural e estável. A introdução de ratos e gatos em certas ilhas constituiu um problema grave, mas os programas de erradicação progrediram — Macquarie foi declarada livre de roedores em 2014, após um programa de 7 anos.

O turismo de expedição, em crescimento, é enquadrado pelas regras da IAATO: distância mínima de 5 metros, proibição de alimentar os animais, grupos limitados em terra. Estas regras funcionam — as colónias visitadas não apresentam declínio em relação às colónias não visitadas.

Organizações a apoiar:

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. A sua cria passa o inverno sozinha, sem comer. As crias nascidas no verão não são suficientemente grandes para se lançar ao mar antes do inverno. Ficam na colónia durante os meses mais frios, alimentadas de forma muito espaçada — por vezes apenas uma vez em dois ou três meses. Perdem até metade do seu peso e sobrevivem graças às reservas de gordura acumuladas durante o verão. Este "jejum invernal" das crias, único entre os pinguins, explica a duração recorde do ciclo de reprodução.

2. Mergulha na escuridão total. Os peixes-lanterna, a sua presa principal, vivem na zona mesopelágica — entre 200 e 1 000 metros de profundidade durante o dia, mas sobem à superfície durante a noite. O pinguim-rei adaptou a sua estratégia: efetua os mergulhos mais profundos ao amanhecer e ao crepúsculo, quando os peixes estão em trânsito, e caça à superfície durante a noite. Os seus olhos, entre os mais sensíveis do reino das aves, estão adaptados à bioluminescência das suas presas — caça literalmente à luz dos seus peixes.

3. Os primeiros exploradores confundiram-no com a sua própria cria. Quando Johann Reinhold Forster descreveu a espécie durante a segunda viagem de Cook em 1775, os naturalistas acreditaram durante muito tempo que as enormes bolas de penugem castanha que povoavam as colónias eram uma espécie distinta. O "pinguim lanudo" (woolly penguin) figurou nos catálogos zoológicos durante décadas antes de a ligação entre o adulto e a cria ser estabelecida — um mal-entendido facilitado pelo facto de as crias, inchadas de penugem, parecerem por vezes mais volumosas do que os adultos.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

O pinguim-rei é um dos temas de fotografia animal mais gratificantes que existem. Não foge, posa — literalmente. A dificuldade não é técnica, é editorial: numa colónia de 100 000 indivíduos, como fazer uma imagem que não se pareça com todas as outras?

Objetiva. A teleobjetiva não é indispensável. A 5 metros de distância — o mínimo regulamentar — uma 70-200 mm enquadra um retrato cerrado. Mas a grande angular (24-35 mm) é frequentemente mais interessante: permite integrar a paisagem — glaciares, montanhas, praia — e dar conta da escala da colónia. É ela que produz as imagens memoráveis.

Luz. O verão austral oferece dias de 18 a 20 horas de luz, com um sol baixo que rasa o horizonte ao início e ao final do dia. Estas horas douradas são longas e frequentes — um luxo raro em fotografia animal. A plumagem laranja ganha então um brilho espetacular. Em tempo encoberto, a luz difusa revela melhor os detalhes da plumagem e suprime as sombras duras sob o bico.

Aproximação. Não nos aproximamos dos pinguins — sentamo-nos e esperamos que eles se aproximem. É a regra, e é também a melhor estratégia fotográfica. Um visitante imóvel desperta a curiosidade dos pinguins, que vêm frequentemente a menos de um metro. As imagens captadas à altura do pinguim (de joelhos ou sentado) são incomparavelmente mais vivas do que as tiradas de pé — o olhar está à mesma altura, e o fundo da imagem torna-se o céu ou a montanha em vez do chão.

Erro clássico. Fotografar os adultos e ignorar as crias. As bolas de penugem castanha são expressivas, desajeitadas, fotogénicas — e contam uma história que o adulto em libré perfeita não conta. As interações entre adultos e crias (alimentação, reconhecimento vocal, primeiros passos em direção ao mar) são os momentos mais fortes de uma visita a uma colónia.

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