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Tubarão-raposa

Alopias pelagicus / Alopias vulpinus

Metade deste tubarão é uma arma: a sua cauda.

Tubarão-raposa (Alopias pelagicus / Alopias vulpinus)

FICHA DE IDENTIDADE

ClassificaçãoOrdem dos Lamniformes, família dos Alopiidae
Nome científicoAlopias pelagicus (tubarão-raposa-pelágico), Alopias vulpinus (tubarão-raposa-comum), Alopias superciliosus (tubarão-raposa-olhudo)
Tamanho3 a 6 m consoante a espécie (metade para a caudal)
Peso70 a 230 kg (A. vulpinus até 350 kg)
VelocidadeAté 50 km/h em ponta durante um golpe de cauda
Longevidade20 a 50 anos consoante a espécie
ProfundidadeSuperfície a 500 m; os mergulhadores observam-no entre 15 e 40 m
DietaPredador ativo — pequenos peixes pelágicos (sardinhas, cavalas, arenques), lulas
Estatuto UICNA. pelagicus: Em perigo (EN) — A. vulpinus: Vulnerável (VU) — A. superciliosus: Vulnerável (VU)

RETRATO

Reconhece-se de longe — e perde-se de vista muito depressa. O tubarão-raposa é um dos animais mais singulares do oceano — e um dos mais difíceis de observar. Tímido, rápido, profundo, é preciso sorte, paciência e o local certo para o cruzar. Mas quando passa, não se confunde com mais nada neste mundo.

O que impressiona primeiro é a cauda. O lobo superior da caudal é tão comprido como o resto do corpo — um chicote de dois a três metros que confere ao animal uma silhueta única no reino animal. Não é ornamento: é uma arma de caça. O tubarão-raposa cerca um cardume de peixes, acelera e açoita a superfície da água ou o centro do cardume com um golpe de cauda fulminante. O impacto atordoa ou mata várias presas de uma só vez. Investigadores do Thresher Shark Research and Conservation Project filmaram estes ataques nas Filipinas: o chicote atinge uma velocidade de ponta superior a 80 km/h e gera uma onda de choque capaz de atordoar peixes a mais de um metro de distância.

Depois vêm os olhos. Imensos, desproporcionados — sobretudo em A. superciliosus, cujo nome diz tudo. Esses grandes olhos escuros, orientados para cima, estão adaptados às caças crepusculares e às águas profundas. Conferem ao tubarão-raposa um olhar quase expressivo, surpreendentemente doce para um predador pelágico.

COMO RECONHECÊ-LO

A silhueta é inconfundível. Um corpo fusiforme, compacto, quase pequeno para um tubarão — e depois aquela caudal desmesurada que duplica o comprimento do animal. Vista de perfil, a proporção é tão improvável que um mergulhador principiante pode julgar tratar-se de uma serpente marinha antes de perceber que a «cauda» é na verdade um tubarão.

A cabeça é curta, o focinho arredondado. Os olhos são grandes — enormes em Alopias superciliosus, que os ostenta num crânio bombado, quase globular. A dorsal é pequena, as peitorais compridas e falciformes. A coloração é cinzento-azulada a cinzento-acastanhada no dorso, branca por baixo, com uma linha de demarcação nítida nos flancos.

Debaixo de água, é o movimento que completa a identificação. O tubarão-raposa nada com uma ondulação ampla e lenta, a caudal batendo em largos arcos atrás de si. Parece um peixe a arrastar uma fita. É a única espécie de tubarão cuja cauda excede o comprimento do corpo — nenhuma confusão é possível.

As três espécies distinguem-se assim:

  • A. pelagicus (pelágico): o mais pequeno (3 m), o mais esguio, aquele que se vê em mergulho em Malapascua. Dorso azul-acinzentado, flancos com uma mancha branca acima das peitorais.
  • A. vulpinus (comum): o maior (até 6 m), dorso cinzento-acastanhado, focinho mais alongado. Águas temperadas e pelágicas.
  • A. superciliosus (olhudo): olhos enormes orientados para cima, perfil craniano bombado, prefere as grandes profundidades. O mais raro em mergulho.

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MODO DE VIDA

O tubarão-raposa é um animal do largo. Passa o essencial da vida em plena água, longe dos recifes e das costas, entre a superfície e 500 metros de profundidade. Só se aproxima dos baixios em situações precisas: as estações de limpeza, a caça de madrugada e — supõe-se — a reprodução.

É um caçador solitário. A sua técnica é única no mundo dos tubarões: em vez de morder, açoita. Localiza um cardume de sardinhas ou de cavalas, cerca-o apertando as passagens e desfere um ou vários golpes de cauda a uma velocidade medida de mais de 80 km/h. Os peixes atordoados flutuam por um instante — o tubarão volta para os recolher um a um. O método foi documentado pela primeira vez em 2013 pela equipa de Simon Oliver ao largo de Malapascua, graças a câmaras de alta velocidade.

As estações de limpeza desempenham um papel central na vida do tubarão-raposa. Desloca-se a elas regularmente, muitas vezes ao amanhecer, para ser livrado dos parasitas por pequenos bodião-limpador e peixes-barbeiro. É nestas estações que os mergulhadores o observam — o tubarão abranda, quase se imobiliza, e tolera brevemente uma proximidade que recusa em qualquer outro local.

A reprodução é lenta, como na maioria dos grandes tubarões. A espécie é ovovivípara: os embriões desenvolvem-se no útero, nutridos por oofagia — comem os ovos não fecundados produzidos pela mãe. As ninhadas são minúsculas: duas crias por ninhada em média, por vezes quatro. A gestação dura cerca de nove meses, e as fêmeas não se reproduzem todos os anos. Esta fecundidade muito baixa torna a espécie particularmente vulnerável à sobrepesca.

ONDE OBSERVÁ-LO

O tubarão-raposa é um animal raro em mergulho. Pelágico, esquivo, pronto a fugir, só se deixa aproximar em meia dúzia de locais no mundo — e mesmo assim, nunca de forma garantida. Eis os destinos onde as hipóteses existem realmente:

FilipinasMalapascua. É O local mundial para o tubarão-raposa. Em nenhum outro lugar se observa com esta regularidade. O segredo resume-se a uma palavra: Monad Shoal, um monte submarino a 5 km da ilha, cujo cume a 15-20 metros de profundidade alberga uma estação de limpeza frequentada todas as manhãs pelos Alopias pelagicus. Os mergulhos partem antes do amanhecer — está-se na água às 5h30, pousado na areia a 20-25 m, e espera-se. Os tubarões sobem da noite profunda para serem limpos pelos bodiões. A taxa de sucesso ronda os 80-90 % entre dezembro e maio. O local vizinho de Kimud Shoal oferece uma alternativa quando Monad está demasiado concorrido.

Mar VermelhoBrothers Islands (Egito). Big Brother e Small Brother, dois ilhéus ao largo de Hurghada, estão entre os raros locais do mar Vermelho onde o tubarão-raposa é assinalado com alguma regularidade. As observações fazem-se em plena água, ao longo dos tombantes expostos à corrente, muitas vezes durante cruzeiros de mergulho. O tubarão-raposa cruza ali na companhia de tubarões-cinzentos, tubarões-martelo e tubarões-oceânicos — o mar Vermelho em toda a sua desmesura.

Maldivas. Os atóis exteriores — Fuvahmulah à cabeça — oferecem encontros ocasionais com o tubarão-raposa-pelágico. As observações são menos previsíveis do que em Malapascua, mas a clareza da água maldiva e a riqueza pelágica das passagens tornam cada encontro excecional. Fuvahmulah é também conhecido pelos seus tubarões-tigre e tubarões-martelo — um local para mergulhadores experientes.

Galápagos — Wolf e Darwin. Nas águas ricas e frias que banham estas ilhas vulcânicas, o tubarão-raposa é um visitante regular mas discreto. Avista-se em plena água, frequentemente além dos 30 metros, durante mergulhos de deriva ao longo das paredes de Wolf. A estação fria (junho-novembro) concentra as observações, quando as correntes de Humboldt atraem a grande fauna pelágica.

Diani Beach — Quénia. Local emergente onde mergulhos profundos nos tombantes ao largo proporcionaram observações de tubarões-raposa-pelágicos nos últimos anos. Ainda pouco documentado mas promissor.

CALENDÁRIO DE OBSERVAÇÕES

DestinoJFMAMJJASOND
Filipinas (Malapascua)
Mar Vermelho (Brothers)
Maldivas (Fuvahmulah)
Galápagos (Wolf/Darwin)

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CONSERVAÇÃO

As três espécies de tubarões-raposa figuram na Lista Vermelha da UICN. Alopias pelagicus, o mais observado em mergulho, está classificado como Em perigo (EN). Alopias vulpinus e Alopias superciliosus estão classificados como Vulneráveis (VU). As três espécies estão inscritas no Anexo II da CITES desde 2016 e na Convenção sobre as Espécies Migratórias (CMS).

A ameaça principal é a pesca. O tubarão-raposa é capturado pelas suas barbatanas — particularmente cobiçadas nos mercados asiáticos pelo seu grande tamanho — e pela carne. Mas é sobretudo como captura acessória que morre: a sua longa cauda enreda-se facilmente nos palangres e nas redes de deriva. O animal, preso pela sua própria anatomia, não consegue nadar e afoga-se.

A sua biologia agrava o problema. Com apenas duas crias por ninhada e uma maturidade sexual atingida entre os 8 e os 14 anos, o tubarão-raposa não consegue compensar uma mortalidade elevada. As populações do Indo-Pacífico, as mais estudadas, declinaram significativamente ao longo das últimas três décadas.

Em Malapascua, o turismo de mergulho contribuiu paradoxalmente para a proteção da espécie. Monad Shoal, outrora explorado por pescadores, tornou-se um santuário de facto: os tubarões-raposa valem bem mais vivos do que mortos para a economia local. O município instaurou regras estritas — número de mergulhadores limitado, sem flash, sem contacto, distância mínima.

Organizações a apoiar:

3 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE

1. A sua cauda bate mais depressa do que o soco de um boxeur. Em 2013, investigadores filmaram pela primeira vez um tubarão-raposa a caçar ao largo de Malapascua. O lobo superior da caudal atinge uma aceleração tal que o golpe propulsa a ponta da cauda a mais de 80 km/h — num décimo de segundo. A onda de choque resultante basta para atordoar, ou mesmo matar, vários peixes em simultâneo. O tubarão-raposa é o único tubarão conhecido a usar a cauda como arma de caça.

2. É endotérmico — um tubarão de sangue quente. Tal como o tubarão-mako e o grande tubarão-branco, o tubarão-raposa possui um sistema de troca de calor em contracorrente (rete mirabile) que lhe permite manter a temperatura dos músculos, do cérebro e dos olhos acima da da água circundante. Esta vantagem metabólica confere-lhe uma visão mais rápida e reflexos superiores nas águas frias e profundas onde caça — e explica em parte o tamanho desmesurado dos seus olhos.

3. Julgavam-no inofensivo — poderá ter decapitado um pescador. A espécie é considerada sem perigo para o homem, e nenhum ataque subaquático foi jamais documentado. Mas relatos históricos, reportados desde o século XIX, mencionam pescadores feridos por golpes de cauda ao recolherem as capturas das redes. Um caso, frequentemente citado mas nunca verificado, fala de um homem decapitado por um golpe de caudal. Verdade ou não, dá a medida da potência do chicote — e uma boa razão para não capturar este animal.

DICAS DE FOTO E VÍDEO

O tubarão-raposa é um sujeito de sonho — e um pesadelo técnico. É belo, raro, e não fica. A janela de disparo conta-se em segundos, raramente em minutos, e a luz é frequentemente má (mergulhos ao amanhecer, águas profundas). Cada encontro é um sprint fotográfico.

Objetiva. Grande angular obrigatória — toda a dificuldade é enquadrar um animal cuja metade é uma cauda de três metros. Em reflex ou híbrida sob caixa estanque: 10-17 mm fisheye de preferência, ou 14-20 mm retilínea. Em GoPro: o campo nativo serve, mas a fraca luminosidade ao amanhecer degrada rapidamente a qualidade.

Luz. É o problema principal. Os mergulhos de Monad Shoal começam antes do nascer do sol, a 20-25 metros de profundidade. A iluminação ambiente é fraca. Dois focos de vídeo de 3 000 lúmenes no mínimo, posicionados abertos para evitar a retrodifusão, fazem a diferença entre uma silhueta cinzenta e uma imagem publicável. O flash é tolerado em Malapascua desde que não se aponte diretamente ao animal — apontar ao chão ou aos peixes-limpadores.

Aproximação. Não se mexer. O tubarão-raposa é esquivo: um mergulhador que dá barbatanadas na sua direção afugenta-o. A técnica comprovada em Monad Shoal consiste em pousar no fundo, na borda da estação de limpeza, estabilizar a flutuabilidade e esperar. O tubarão vem, faz a sua ronda de limpeza e parte. O fotógrafo que permanece imóvel tem por vezes direito a várias passagens.

Erro clássico. Cortar a cauda. Um tubarão-raposa que sai do enquadramento pela caudal é uma imagem perdida — é precisamente a cauda que faz a fotografia. Antecipar a trajetória, enquadrar largo e recortar na pós-produção. Vale mais um animal inteiro no centro de um plano aberto do que um retrato apertado sem a cauda.

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