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Cruzeiros · Filipinas

Solitude One — um cargueiro filipino feito para mergulhar longe

O que torna este barco único

  • Um antigo navio mercante de casco de aço, reconstruído em 2013 e renovado no interior em 2023.
  • O convés de popa é dedicado ao mergulho, com dois grandes botes de apoio de fibra de vidro.
  • O estúdio de câmera, com tanques de lavagem e espaço de trabalho, foi pensado para quem fotografa debaixo de água.
  • As rotas ligam Anilao, Cebu, Tubbataha, Coron e Apo Reef, em viagens de 7 a 14 dias.

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O convite

Escolhe-se o Solitude One para passar vários dias a mudar de cenário subaquático sem desmontar o equipamento nem voltar todas as noites a um porto. É um barco grande, com autonomia para rotas filipinas longas, mas a operação de mergulho mantém grupos pequenos e um rácio de tripulação por passageiro próximo de um para um. A viagem pode começar com a biodiversidade de Verde Island, seguir pelas paredes e cardumes de Cebu e terminar em Tubbataha, Coron ou Apo Reef, conforme a rota. Há espaço para quem quer mergulhar e para quem prefere fazer snorkeling, usar um caiaque ou simplesmente ficar no convés. O motivo mais forte para embarcar é a combinação entre alcance e cuidado prático: o barco leva os mergulhadores a zonas muito diferentes e a equipa trata da logística que, em terra, roubaria tempo à água.

Subir a bordo

O Solitude One chega ao cais com a presença de um navio de trabalho: é um antigo cargueiro de aço, reconstruído para viver no mar e não apenas para parecer um hotel flutuante. A reconstrução de 2013 sustenta essa identidade; a renovação interior de 2023 acrescenta conforto onde se passa o tempo entre mergulhos. A circulação é simples: as cabines ficam no convés principal, as áreas sociais concentram-se no interior e no exterior, e a popa transforma-se no centro da operação de mergulho. No salão com ar condicionado há espaço para descansar, ver filmes ou conversar; no exterior, o convés superior, a área de refeições ao ar livre e o jacuzzi permitem sair do equipamento e continuar a olhar para a água. O casco não promete a intimidade de um barco pequeno. Em troca, oferece estabilidade, autonomia e uma organização capaz de suportar itinerários remotos.

O ambiente a bordo

O ambiente é de uma operação cuidada, não de um cruzeiro formal. A tripulação trabalha muito perto dos passageiros, conhece as rotinas de cada grupo e o serviço procura antecipar necessidades em vez de esperar por pedidos. Isso sente-se sobretudo nos dias de quatro mergulhos, quando pequenas ajudas no convés valem mais do que uma decoração luxuosa: equipamento no lugar, comida pronta, toalhas disponíveis e uma transição rápida entre água, banho e mesa. À noite, o espaço muda de função sem ficar silencioso à força. Há jantar no exterior quando as condições permitem, televisão e filmes no salão, leitura e conversa entre mergulhadores. O barco aceita não mergulhadores que fazem snorkeling, por isso nem todos seguem o mesmo ritmo. Quem procura um grupo pequeno e uma equipa muito presente encontra aqui uma experiência mais pessoal do que o tamanho do casco faria supor.

Os locais onde se mergulha

A rota mais curta registada é Tubbataha, com 7 dias e 6 noites, entre Puerto Princesa e Puerto Princesa. Há também Anilao–Cebu, com 11 dias e 10 noites; South Leyte–Tubbataha, de Cebu a Puerto Princesa, com 14 dias e 13 noites; e as travessias Tubbataha–Coron–Apo, de Puerto Princesa a Anilao, com 14 dias e 13 noites. Nos locais de Cebu, Sumilon Island é um santuário marinho protegido, enquanto Pescador Island desce por paredes profundas até -40 m, com cardumes de carangues e uma “catedral” atravessada pela luz. Copton Point chega a -50 m e guarda os restos de um avião a 20 m. Tongo Point combina paredes, grutas e procura de peixe-folha, peixe-fantasma e peixe-mandarim; Tuble Reef vai até -30 m, com canyons verticais e uma pequena gruta; Kasai Point chega a -37 m, com tartarugas-verdes, grutas e nudibrânquios. Panagsama Beach é um mergulho a partir da praia, dominado por milhares de sardinhas perseguidas por atuns e xaréus. Em Talisay Wall, até -30 m, a encosta suave dá lugar a uma parede com canyons e tartarugas. White Beach chega a -30 m e oferece cardumes de peixes-demoiselle e tartarugas-verdes. Dolphin House Reef, até -12 m, é um recife acessível onde se procuram tartarugas-verdes, chocos e vida pequena; Dolphin House, até -35 m, acrescenta paredes de coral e pequenas grutas. No Marine Sanctuary, o fundo começa numa encosta de 5 a 18 m e transforma-se numa parede coberta por gorgónias. Verde Island, em Anilao, chega a -38 m e reúne corais, gorgónias, esponjas, moreias e espécies endémicas. Barracuda Lake, em Coron, desce até -40 m e muda de temperatura com a profundidade, entre formações calcárias.

O que se encontra debaixo de água

Nesta rota, as tartarugas marinhas aparecem em muitos dos locais e os encontros podem cruzar-se com atuns, tartarugas-verdes, nudibrânquios, peixes-sapo, tubarões-baleia, barracudas, xaréus, camarões, gorgónias, peixes-cirurgião, peixe-morcego, peixe-lixa, peixe-escorpião e tartarugas-de-pente. A atração muda conforme o ponto do itinerário. Em Pescador Island, os cardumes de carangues ocupam a parede e podem ser vistos contra a luz da “catedral”; em Panagsama Beach, a nuvem de sardinhas é o espetáculo, com atuns e xaréus a caçá-la. Verde Island vale a procura de Napoleão e anémonas, além da densidade de corais e organismos raros. Marine Sanctuary é o lugar indicado para procurar meros e peixe-fantasma entre gorgónias colossais. Dolphin House Reef concentra encontros específicos com enguias, lulas, cavalos-marinhos e polvos, para além das tartarugas. Em Tongo Point procura-se o fusilier; White Beach é o único ponto desta lista onde foi registada a castanheta; Talisay Wall é o local do gobídeo. Estes animais são encontros possíveis, não uma promessa de calendário.

Quem vos põe na água

A equipa de mergulho fala inglês e espanhol, e o rácio global de tripulação por passageiro é próximo de um para um. O barco trabalha com grupos pequenos, o que permite briefings mais próximos e uma organização ajustada ao ritmo dos mergulhadores, sem prometer que todos desçam juntos ou façam o mesmo perfil. A tripulação é formada em primeiros socorros e há oxigénio, kits de primeiros socorros, rádio VHF/DSC/SSB, radiobaliza, GPS, radar, sonar e comunicações por telefone móvel e satélite. Também existem coletes, botes salva-vidas, alarmes de incêndio, extintores e projetores de emergência. A ficha não indica um número mínimo de mergulhos registados, qualificações individuais dos guias, desfibrilhador ou cursos realizados a bordo; não se deve preencher esse silêncio com suposições. O papel da equipa é claro: explicar o local, preparar a entrada, acompanhar a operação e manter o controlo da segurança à superfície.

O convés de mergulho e o equipamento

O convés de mergulho fica na popa e tem uma zona sombreada, plataforma de entrada na água, duches exteriores, tanques de lavagem e adaptadores DIN. O equipamento de câmera tem dois tanques de lavagem próprios, toalhas, pistolas de ar, bancada de preparação e um estúdio digital com computador para os hóspedes. O enchimento é assegurado por três compressores Bauer PE300 TE, ligados a um sistema central de filtragem; o nitrox é produzido por membrana e está disponível como serviço pago. Não é indicado um volume ou material de cilindro na ficha, por isso esses dados devem ser confirmados antes da reserva. Há suporte para sidemount e rebreather, bem como espaço de recarga no estúdio de câmera. Dois botes de apoio de 11,5 metros, em fibra de vidro e com motores fora de borda duplos de 150 ou 200 HP, acompanham os mergulhos e permitem recolher os mergulhadores longe do ponto de entrada. A forma exata de embarque e saída da água segue a operação do dia.

Entre dois mergulhos

Entre mergulhos, o Solitude One oferece mais do que uma cadeira ao lado do equipamento. O convés superior serve para apanhar sol ou procurar sombra, enquanto a área de refeições exterior funciona bem para prolongar uma conversa sem voltar ao salão. O jacuzzi na proa é o lugar para deixar a água salgada e a corrente desaparecerem do corpo; o salão climatizado é melhor quando o calor aperta ou quando se quer ver um filme. Há kayaks e stand up paddle para quem quer entrar na água sem cilindro, além de uma biblioteca para as tardes de navegação. Para fotógrafos, o espaço de câmera permite ajustar equipamento e editar imagens sem ocupar a cabine. Numa tarde sem mergulho, essa separação importa: o barco dá ao equipamento um lugar próprio e ao mergulhador a possibilidade de não falar de mergulho durante algumas horas.

Um dia a bordo

O dia começa pela preparação do primeiro mergulho, com briefing, equipamento e entrada na água através do convés ou dos botes de apoio. Depois do regresso vêm o enxaguamento, o duche, a refeição seguinte e um intervalo suficiente para voltar a preparar o cilindro e o corpo. A sequência repete-se ao longo do dia, alternando mergulho, comida e descanso, enquanto o barco navega para o próximo ponto ou fica posicionado junto ao recife. Os fotógrafos podem descarregar imagens e trabalhar no estúdio de câmera; quem não mergulha pode fazer snorkeling, usar um kayak ou ficar no convés. O programa exato depende da rota, das correntes e das condições locais. As fichas não fixam horas para acordar, refeições ou mergulhos, nem confirmam mergulho noturno, por isso o ritmo é mais honesto quando descrito pela ordem das coisas: briefing, água, superfície, comida, nova preparação e novamente água.

O que se come a bordo

A cozinha serve cinco momentos de comida por dia: um pequeno-almoço leve, um pequeno-almoço mais completo, almoço, um lanche cozinhado à tarde e jantar. As refeições principais são geralmente em buffet, com várias opções quentes mantidas à temperatura certa, e há bolachas e noodles instantâneos disponíveis entre refeições. O formato é adequado ao mergulho repetido: come-se sem transformar cada intervalo numa cerimónia longa, e há algo pronto quando se regressa da água com fome. A cozinha inclui opções vegetarianas e vegan. O jantar pode sair do salão com ar condicionado e ir para o exterior quando o tempo permite, incluindo barbecue. Bebidas sem álcool, água, chá e café fazem parte do serviço; cerveja e vinho estão disponíveis, mas as bebidas alcoólicas não são apresentadas como incluídas.

As noites no mar

As noites passam-se em cabines com ar condicionado, janela e casa de banho privada, depois de um dia em que o corpo já pede silêncio. Existem cabines Deluxe, Staterooms, opções individuais, twin, duplas e uma cabine quádrupla, por isso a escolha muda bastante a experiência: partilhar reduz a privacidade, enquanto a Stateroom oferece mais espaço para dois. A roupa de cama, as toalhas, o secador e os produtos de banho evitam que seja preciso transformar a bagagem num armário. A limpeza é diária. Quando o barco navega, o ambiente depende menos de decoração do que do próprio casco: há o ruído contínuo da máquina e a vibração discreta de um navio grande, compensados por áreas comuns amplas e por cabines afastadas do movimento do convés de mergulho. Depois do jantar, o salão, a biblioteca e a televisão dão uma alternativa ao beliche.

Camarote duplo de luxo

Camarote individual de luxo (B4)

Camarotes twin/duplos de luxo

Camarote quádruplo standard (B8)

Camarotes (A1 & B6)

Camarote individual (A3)

Camarote (A2)

O que é preciso saber antes de embarcar

As partidas e chegadas dependem da rota: há cruzeiros entre Puerto Princesa e Puerto Princesa, de Cebu a Puerto Princesa, de Puerto Princesa a Anilao e de Anilao a Cebu. As transferências de aeroporto e de hotel estão incluídas nos itinerários registados. Os detalhes de encontro e o horário da transferência são comunicados pela operação antes do embarque. Para evitar que um atraso de voo transforme o primeiro dia numa corrida para a doca, é prudente chegar às Filipinas na véspera.

Planta do barco

Ano de construção
1979
Ano de renovação
rebuilt 2013
Comprimento
52 m
Boca
8,6 m
Número máximo de passageiros
24
Número de cabines
11
Número de casas de banho
10
Motores
Principal 2698 cv / motor de propulsão auxiliar
Velocidade de cruzeiro
8 nós
Botes de apoio
2 × 11,5 m barcos de fibra de vidro concebidos especificamente (com dois motores de popa de 150 cv ou 200 cv a 4 tempos)
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